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"Quem realmente são os anciãos?"

 

 

CAUSO 7

É com grande alegria que narro o último capítulo da série Quem realmente são os anciãos? 

Mesmo com todo ceticismo por parte das Testemunhas de Jeová ativas e defensores da Torre, chegamos com êxito ao final. Na interpretação das testemunhas de Jeová, o número "sete" é repleto de significados. Você sabe o que significa o número sete? Significa perfeição, totalidade e verdade. Assim, para simbolizar a inteireza e candura de nossos causos, eles foram agrupados em sete capítulos. Certamente prefiguram alguma coisa que não sabemos ainda. Porém, saberemos quando a luz brilhar mais e mais.

Durante sete semanas - não de anos e nem proféticas - foram sistematicamente revelados os bastidores das franquias do reino. Para descrever esse sétimo causo, precisei recorrer a uma cronologia reversa, um estilo diferente de enxergar o tempo em uma história. Na verdade, usei um ctrc+c e ctrl+v do seriado LOST. Mas, fiquem tranqüilos! No final estarão todos vivos! Em alguns momentos estaremos no presente e, em outros, viajaremos para o passado por meio de flashback. Depois, voltaremos ao presente avançado no forward.

O episódio de hoje tem o maior texto. É quase um livro. Além de descrever as sequências de eventos fazem-se necessárias críticas, crônicas e observações à estrutura feudal comunista da Sociedade Torre de Vigia. Tenho certeza que foi surpreendente conhecermos o Cara, o Sacaninha, o Valdomiro, o Jim, o Zeca e o Bode Veio. O relato da vida desses santos modernos nos inspira e é capaz de nos proporcionar um aprendizado único. Estive preparando você, querido leitor, a cada causo para vos apresentar a verdadeira lição por traz dos contos.

sétimo e último capítulo conta a história do pior de todos os anciãos que eu conheci. Por conviver face a face com esse ser desprezível, posso garantir que não existem desvios na narrativa de sua história. Peço um pouco mais de seu tempo e vossa atenção para ouvir a história de João de Santo Cristo. Este é conhecido em toda internet e mundo dissidente como Ancião Brasileiro. Sim! Deixei para contar minha história por último. Por que? Porque precisava do contexto apresentado nos causos anteriores. Durante os relatos contados, foi fácil me colocar numa posição onde apontava as falhas e erros alheios. E fiz isso durante toda essa série. Criticando, escarnecendo, dando minha opinião e julgamento da conduta de homens como EU. Agora, de forma sincera, resolvi analisar-me criticamente e reconhecer meus devaneios, erros, falsidade e hipocrisia. Descrevendo até mesmo as intenções do meu coração. Aproveito a série para fazer uma revelação pessoal, abrindo uma ferida que nunca foi sarada. Talvez com essas “delações premiadas” eu possa me redimir com Cristo e encontrar paz mental.

A HISTÓRIA DO ANCIÃO BRASILEIRO A REVELAÇÃO

REUNIDOS EM UMA SALA DE UM SOBRADO: Em uma noite fria de uma sexta-feira chuvosa, reuniram-se a cúpula da congregação Oeste. Era visita do superintendente de circuito. (Aquele que super entende) A última visita deste tipo ocorrera a três anos. A reunião foi especialmente marcante. Extraordinariamente havia apenas um único assunto pautado para deliberação do corpo de anciãos. Tratava-se da revelação mais fantástica de todas: a inimaginável reavaliação do ancião congregacional: Ancião Brasileiro! Oh... Após expulsar, digo, dispensar os servos ministeriais e finalizar o esboço para a série de anciãosdeu-se inicio a um procedimento evasivo e humilhante. Fazia-se presente nesse sobrado, o Cara, o Bode, o Ancião Banana, o Ancião Cagão, o Cacique Aruana e o super que entende de tudo. Era o fim da linha para o Ancião Brasileiro. Não havia para onde correr. Todos esses santos homens dispuseram seus membros para fora da sua roupagem exterior e amolando suas cassetas preparavam-se para o coito. De forma surpreendente o Ancião Brasileiro também levanta sua barraca e espera com a espada na mão os ataques ardentes. Ele está resolvido a não vender sua pureza e lutar até sua morte. - "Eu resisto! Eu resisto! Eu resisto!"  - Clamava o jovem com toda sua força. Além disso gostaria de lembrar-vos que o admirável Ancião Brasileiro professava ser ungido (Ungido: indivíduo que professa ter mais 17cm de membro sexual). Antes de vos contar-vos o que aconteceu, gostaria de voltar alguns anos nessa história. Faremos nosso primeiro flashback e viajaremos na rica história de vida do nosso herói ou vilão, Ancião Brasileiro.

TRAJETÓRIA DE SERVIÇO: Ancião brasileiro, nasceu em lar dividido. Seu pai não era TJ. Sua mãe e toda sua família serviam a empresa Torre de Vigia. (Atual JW.ORG) O avô do Ancião Brasileiro viveu a decepção de 1975 e, mesmo assim, continuou a defender as ideologias da Torre. O jovem Ancião Brasileiro foi um fenômeno kids. Era muito fofo. Era amado no circuito. Príncipe em dramas bíblicos, entrevistas em assembleias e destaque na congregação. Em sua juventude, foi colocado num pedestal como exemplo para outros jovens e servido de troféu para a organização. Leitura da revista A Sentinela com doze anos de idade, discurso nº 4 e muitos outros cobiçados privilégios de serviço.

Aos dezoito anos, contrariando a lógica, tornar-se servo ministerial. Mais destaque lhe é dado. Muitos discursos públicos nas congregações da região. Querido pelos viajantes. Porém, uma desgraça o faz perder os privilégios e "pro inferno ele foi pela segunda vez... violência e estupro do seu corpo... vocês vão ver... vou pegar vocês!.”

Após cumprir um exílio de 1.260 dias (a metade de sete - três tempos e meio) e uma breve passeada nos amplos pátios da dissidência, o Ancião Brasileiro passa a servir como servo ministerial novamente. Contudo, come o pão que o Diabo amassou. Mas, não consegue ser recomendado para ancião. Percebeu-se que a nova geração de anciãos (que eram servos em sua época e ficavam sem tantos privilégios) tinha receio em designá-lo e perder posições de serviço no circuito. O Ancião Brasileiro era um homem muito fluente e bem desenvolvido. Com uma oratória acima da média, encantava as multidões. Se Valdomiro matou ‘milhares’, o Ancião Brasileiro golpeou "dezenas de milhares". A rasgação de ceda afetava o ego dos anciãos locais. Inconformados, resolveram colocar podas e lascas de ferro para limitar o progresso do Ancião Brasileiro. Temiam perder suas patentes, deixarem de ser Secretario, Superintendentes de serviço e até mesmo perderem a tão sonhada cadeira da Coordenação. Percebendo os obstáculos dos amáveis co-anciãos, o Ancião Brasileiro ficava revoltado e "não entendia" o porquê dessa atitude.

Certo dia nublado, Ancião Brasileiro recebe um convite especial de outro ancião do circuito. Era o JIM chamando-o para a unção como ancião congregacional. Fizeram um ‘pacto de poder’ e o servo Ancião Brasileiro - após longos três meses - torna-se o pastor congregacional. Esse foi o início de uma elevação muito maior do que o destaque local e abriu as portas para projeção de uma carreira internacional no circuito. Em dois meses como ancião, surge uma oportunidade ímpar. Aconteceu que um irmão que seria o orador em uma assembleia fora transferido de seu trabalho secular para um local distante, muito além das montanhas. E quem ficaria no lugar dele? Quem? Quem? O viajante estava desesperado. Precisava de alguém para substituí-lo em um discurso de quinze minutos. Então, o superintendente telefona para Jim. Reconhecendo humildemente sua limitação, Jim rejeita a proposta. Porém, Jim afirmou que conhecia um homem capaz de conduzir de forma excepcional essa designação. Jim direciona os holofotes para o Ancião Brasileiro. Sem relutar, o vaidoso Ancião Brasileiro aceita esse desafio. No dia da reunião, durante o discurso, Ancião Brasileiro fala de forma encantadora. Discursa para duas mil e quatrocentas e noventa e nove pessoas sem titubear ou olhar sequer para o esboço. Os olhos do viajante brilharam e assistência via nascer um novo xodó do circuito. A partir daí as designações tornaram-se constantes em assembleias e congressos. O sucesso estrondoso do Ancião Brasileiro, é claro, incomodava por demais os frustrados que o passaram a ver como um inimigo a ser batido.

Eu tinha dinheiro. Não era rico. Mas, comparativamente, para nossa região, eu tinha um bom padrão. Veja só: enquanto os outros anciãos andavam a pé no ermo, sob o sol escaldante, ou em suas carroças semi-novas, o meu lindo carro era o melhor da congregação. Desfilei com belos paletós e camisas. O Cara odiava-me pois não conseguia acompanhar a tendência fashion e o modo de vida farto que eu usufruía. As fofoqueiras de plantão não se cansavam de tagarelar sobre minhas idas frequentes aos mais diversos restaurantes e sobre as inúmeras viagens ao exterior de primeira classe. Até minha esposa, com uma porta dos fundos avantajada, era motivo de inveja. Ficava a dúvida cruel no ar: será que o Ancião Brasileiro colocava seu carro para dormir naquela vasta garagem ou ficaria ele ao relento? Isso eles nunca vão saber!

Com o tempo, as coisas na congregação Oeste se tornaram insuportáveis. Confesso que os anos iniciais realmente foram um sonho. Apoiando o coordenador que era marionete nas mãos do Ancião Brasileiro, resolvi fazer uma transformação. Eu promoveria a igualdade social dentro da congregação. Isso foi uma baita burrice e um tiro em sua circunferência anal. A nova luz ainda não havia brilhado e eu ainda não sabia que as congregações não querem equilíbrio social e/ou espiritual. Esses ninhos são alimentados pelo sucesso e insucesso de outros. Os fortes espirituais precisam ser enaltecidos acima daqueles que são julgados sem espiritualidade. O Ancião Brasileiro queria dar oportunidade de serviço e privilégios para todos. Isso significava tirar do destaque aqueles que estavam acostumados com isso. A política do Ancião Brasileiro era de "pão e circo" para todos. Juntamente com sua família, ele foi um promoter de várias recreações e banquetes na congregação. Eu usei de todos os meus recursos para alimentar o povo e divertir o rebanho. Passeios, piqueniques, luais e muitas festinhas (jovens, idosos e viúvas). Mas, realmente, era impossível incluir todos na congregação em todas as fanfarras. Tentava realizar um rodízio. Mas... sempre existiam os insatisfeitos. Eles não enxergavam meus perfeitos critérios seletivos. Algumas ovelhas negras realizavam revoltantes sinais de fumaça desencaminhando outros para a grande oposição que se formava nos bastidores. E aconteceu que os inimigos anciãos do amável Ancião Brasileiro notaram essa movimentação. E eles manipularam esses infelizes para seus propósitos desejos egoístas. Já conhecemos os nêmesis (inimigos) de nosso querido ancião no causo VI.

Após três anos e sete meses no topo da congregação, os ventos começaram a soprar desfavoravelmente para nosso querido Ancião Brasileiro. Uma sucessão de eventos que se arrastaram por mais de dois anos o levaram a situação descrita no início do causo: a sua reavaliação como ancião. Antes de retornarmos ao presente, precisamos descobrir por que o Ancião Brasileiro é o sétimo malfeitor de nossa série. Até agora não enxergamos nada de ruim nesse incorruptível homem. Analisemos a seguir a história por detrás da história. Apertem os cintos! A santidade sumiu!

ANCIÃO BRASILEIRO - A VERDADEIRA FACE: O Ancião Brasileiro foi uma pessoa marcada pela capacidade extraordinária de viver uma vida dupla desde sua mocidade. Esse hipócrita serhumaninho, jovenzinho, bonitinho, santinho, vendia uma imagem que não era. Participava escondido de aniversários na vizinhança e na escola. "Era o terror da cercania onde morava. E na escola até o professor com ele aprendeu. Comia todas as meninas da cidade. Aos 15 já era professor.” Sim, ainda adolescente, batizado, experimentou do sexo e dos prazeres proibidos da fornicação (imoralidade sexual, TN revisada 2015). E tudo isso simultaneamente com designações santas a servir. Na escola as meninas já sabiam que o safado brincava pesado e se tornou o rei das rapidinhas no banheiro. Foi apelidado pelas novinhas do colégio como o "lasca calcinha". Isso era um fetiche do Ancião Brasileiro. Tomado por um louco desejo incontrolável, rasgava as roupas íntimas de suas parceiras. [Levei anos para curar essa tara] O Ancião Brasileiro também se relacionava com as jovens dentro da congregação. Mas, certamente era bem limitado posto que não confiava na lealdade e capacidade de manterem a confidencialidade. Lembro de uma publicadora não batizada que estudava com minha mãe, aqui em casa. A danada sempre chegava bem antes do estudo com a desculpa de esperar a instrutora chegar do campo. E fazíamos de tudo antes do estudo. E isso incluía meu ritual de "lascar calcinhas". Essa publicadora já estava ficando sem peça de reposição em função de nossas constâncias brincadeiras. Seu desejo pela verdade o impelia de estudar duas vezes por semana.

Outra experiência no âmbito congregacional. Agora Ancião Brasileiro já era um homem formado e servo ministerial. Certa vez, foi apoiar uma construção num lugar distante. Precisou dormir na casa de um amigo que era Testemunha de Jeová. Esse amigo era rico. E morava com sua família cristã e mais uma concubina. Aliás, tratava-se de um irmã muito zelosa que era ajudada por esses filantrópicos irmãos. Após um dia pesado na construção, Ancião Brasileiro vai repousar na casa de seu amigo. Ancião Brasileiro fica em um dos quartos de hóspedes. A noite chegou. As luzes todas se apagam. Todos estão a dormir. Durante aquela noite escura, ouvia-se o canto de grilos que brincavam pelo jardim. Mas... Eis que também são ouvidos no quarto onde estava o ilustre hóspede outro tipo de som. Era a concubina de nosso irmão procurando diversão. Infelizmente, Ancião Brasileiro cedeu à tentação e praticaram imoralidade sexual por sete horas até o sol raiar. (Foi um encontro diferenciado. Realizou ele seu ritual de “lascar calcinhas”? Não... A moça estava sem esse adereço. Dessa vez não foi possível... (Muitos anos se passaram e descobri que essa concubina tinha casado com um mundano e tinha levado um filho. Fiz a cronologia do amor e, graças ao bom Deus, aquela criança não era minha.

Retorno naquela semana às minhas atividades congregacionais, sem que nada tivesse acontecendo. Subia na tribuna mesmo estando impuro do ponto de vista espiritual. Sentia o peso de uma consciência maculada. Mas, era capaz de suportar. Ancião Brasileiro teve um relacionamento com uma mulher casada e quase entrou numa fria. Foi caçado pelo marido traído que, por sorte, não o descobriu. Durante toda minha adolescência tive problemas com pornografia. Era amante da saga da Emanuelle na Band, exibida nas madrugadas no CinePrivê. Assisti todos os capítulos. Quando não agüentava ficar acordado, programava o vídeo cassete. Comprava revista Sexy e Playboy, as lia e depois jogava no lixo. Que desperdício! Mesmo sendo servo ministerial, continuava amante da literatura erótica. Após o susto de algumas aventuras românticas, começou o meu processo de amadurecimento e autodomínio.

Conheci uma irmã que se tornou minha namorada. Resolvi manter a seriedade e a castidade no namoro. Mas para mim era muito difícil. Tendo natureza safada, logo corrompi essa irmã a provar de minha habilidade especial. (Eu não era fiel a essa relação e ficava com outras mulheres no trabalho. Cheguei a montar um esquema de triângulo amoroso sem que elas soubessem. Interessante é que mesmo eu tendo namorada, outras irmãs na congregação flertavam comigo e queriam ficar, sem compromisso.) Minha namorada não suportou guardar segredo de nosso namoro avançado. A sua consciência a atormentava. Resolveu nos entregar aos anciãos. Disse que brincávamos pesado e contou minha tara de lascar a calcinha. Foi aí que experimentei o inferno pela segunda vez. Tentei enganar os anciãos de minha congregação, mas minha namorada me delatou em tudo. Confrontaram os testemunhos das comissões pois éramos de congregações diferentes. Quase fomos desassociados. A comissão judicativa foi constrangedora e deselegante. Para mim, como homem me senti mal. E para minha namorada foi pior ainda. A humilharam-na ao passo que saciavam seus desejos capciosos proibidos. Fiquei com muita raiva dela, mas, nesse momento, descobri algo inspirador: o Amor. Não suportei ver o sofrimento de minha namorada com essa situação de certa forma provocada por mim. Não gosto de fazer ninguém sofrer. Descobri que seus sentimentos eram o mais importante. Resolvi pedi-la em casamento em virtude de já estarmos além da flor da juventude.

Após nossa repreensão, as coisas ficaram mais quentes. Vai entender as mulheres... Ela ficou mais liberal. Passou a usar duas calcinhas mostrando-se preparada e receptiva às minhas investidas. Casamos e não tivemos discurso no salão. Vieram as crianças uma por vez, claro! O início do casamento foi turbulento. Eu tinha ressentimento por ter perdido os privilégios. A culpava. Me sentia incompleto por não fazer parte da dianteira. Mas casar-se sem a pressão do sexo nos uniu na verdadeira motivação de ficar juntos. Fique inativo de propósito depois do casamento. Comecei a estudar os materiais da dissidência ao redor do mundo. Gostava muito do fórum de Portugal. Tinha minhas dúvidas doutrinais e rancor pela comissão judicativa. Após cinco anos de restrição recebi novamente o cargo de servo ministerial. Voltei com tudo. Parecia um carro de Fórmula One. Mesmo estando casado e servindo na congregação minhas taras me perseguiam. Não conseguia largar os filmes eróticos (Canal Brasil, pornochanchada, brasileirinhas e outras). Não tinha a regularidade de antes, mas não deveria fazer isso, pois era servo ministerial e subia na tribuna. Tinha medo de contristar o espírito santo e meu coração gelava sempre. Mas, pelo visto, parece que a suposta força por trás das designações ministeriais fazia vista grossa aos meus pecados. Adquiri outro hábito ruim. Ao sair do trabalho noturno, gostava de passear com o meu carro pela zona da cidade, gostava de perguntar o preço do serviço as profissionais do amor, se faziam descontos e atendia em lugares específicos. Dava umas apalpadas, beliscadinhas e ia embora. Nunca encontrei nosso amigo Sacaninha - aquele que foi meu professor nessa arte. Mas nunca realmente fiz algo a não ser um orçamento. Fiz isso diversas vezes: quando solteiro, quando servo ministerial, quando casado e quando ancião congregacional. Após meu noivado, nunca beijei outra mulher que não fosse minha prometida esposa. E, apesar de minha ganância sexual, jamais cometi adultério estando debaixo de um contrato. Espero continuar assim. Quero deixar registrado também que mesmo após ser um santo ancião congregacional, eu, às vezes assistia filmes proibidos. Descobri a pornografia na internet e foi uma miséria. (Redtube, xtube, xvideos e camerahot). Até hoje tento me libertar dessas coisas, mas aprendi a colocá-las em lugar apropriado em minha mente. 

Hora de voltarmos para o presente forward:

REUNIDOS NA SALA DO SINÉDRIO: Acredito que seu conceito sobre o ex-heroi Ancião Brasileiro já deve ter mudado. E agora você está torcendo para ele ser deposto, né? Eu também estou torcendo para ele se lascar. Voltemos para nosso sobrado. Era uma sexta-feira treze. Noite de frio e chuva. São vinte horas e vinte e sete minutos. Inicia-se uma batalha apocalíptica. O homem que é super entendente (Aquele que entende de tudo) começa colocando minha designação em xeque.

Antes das considerações iniciais, pedi a palavra. Peticionei a vossa excelência que deixasse acessar um computador dentro da sala e mostrar que meu acesso a área restrita do JW.ORG estava bloqueado há quinze dias e que não podia ler as cartas do escravo, inclusive me preparar para a reunião. Ele disse que era impossível que meu bloqueio só poderia ser dado após o anúncio congregacional. Informei que havia relatado o problema para o Cacique Aruana que fez pouco caso. O Cacique negou que havia bloqueado e disse que eu não havia lhe informado o problema. Mentiroso! Então, mostrei um e-mail enviado a ele por mim informando o bloqueio. Ainda estava salvo na pasta enviadas. Esse argumento me deu uma tranqüilidade inicial. O viajante deu uma mijada em todos. E disse que isso foi uma falta de critério. Esses canalhas fizeram isso de propósito! Foi para que eu não pudesse preparar minha defesa e ser totalmente arrasado na reavaliação! Realmenteeu não estava preparado como eles. Só tinha o KS em mãos... e aquela porcaria de livro não serve pra nada. O Bode bufava de raiva. Eu via o ódio em seu olhar.

Iniciaram-se uma série de ataques pessoais, mentiras, trapaças, testemunhas falsas, usaram minha esposa que havia discutindo com algumas irmãs por minha causa. Disseram que eu fui visto num carro com mulheres. Eu era um homem generoso. Gostava de dar caronas as pessoas. Eles apresentaram relato de uma testemunha que afirmou ter-me visto no carro com uma mulher e que minha mão estava na coxa da acompanhante. Mentira! Inverdade! Isso nunca aconteceu! Ora, com tanto lugar pra pegar eu ficar com a mão na coxa? Quem era essa mulher? Que lugar, data e horário foi isso? A mão estava parada ou em movimento? Se em movimento, a mão pressionava a coxa? Se sim, com quanto de pressão? Ahá! Não souberam responder...

Quero resumir minha agonia. Foi uma guerra injusta. Insistia no direito de resposta. Solicitava, por favor que lessem os autos do processo. Que deixassem mostrar as provas técnicas de minha defesa no livro dos anciãos. Negavam-se a abrir. Pedi um intervalo na sessão para respirar. Embora relutaram em atender, o meritíssimo consentiu. Minha glande estava sangrando aquela briga com seis espadas era desproporcional. Enquanto eles revezavam-se em suas ereções eu tinha que suportar firme glande a glande. Após o intervalo, consegui a palavra. Falei de metodologia e padronização. Expliquei ao superintendente minha filosofia de trabalho. Como eu gostava de seguir os procedimentos. Citei que vossa excelência, o viajante, havia cometido uma falta de critério. (Que o leitor use de discernimento) Nesse momento o Bode se levanta desferindo um tapa figurado em minha cara. “Blasfêmia! Está ultrajando o santo de Israel! Para a estaca com ele! Não preciso ouvir mais nada! Você, Ancião Brasileiro, se acha maior que o nosso maioral!" - berrou o Bode. Continuei meu raciocínio pedindo educadamente o retorno da palavra para o juiz, Depois de concedida, expliquei o sentido da palavra "prerrogativa". Disse que o viajante havia ferido a prerrogativa do nosso corpo quando apareceu reunindo-nos e deliberando suas instruções. O homem que super entende ficou sem graça e disse que eu estava certo, porém, existia exceções. Nesse momento, o Cacique Aruana debocha de mim dizendo que eu era incapaz de compreender essas coisas. Finalmente pediram que me retirasse, pois iriam maquinar secretamente a meu respeito. 

Fui para o lado de fora do salão, para o meu carro, no estacionamento. Passei trinta e sete minutos esperando a sentença. Fiquei pensando “em quando era criança e de tudo que vivera até ali, se é via cruzes virou circo estou aqui”. Batia violentamente a cabeça no volante do carro. Tinha fome e sede. Sentia um aperto em meu coração. Durante anos fui caçado pela corja liderada pelo Cacique Aruana. Fui abandonado pelos amigos. Aqueles que se sentavam à minha mesa, ao perceberem que minha influência terminara, afastaram-se de mim. A congregação não possui fidelidade aos seus líderes. Eles apenas querem ver os milagres da multiplicação nos banquetes e nos usar para suas necessidades. Eu solenemente cria que o ancião o Cara era meu melhor amigo. Porém, descobri que ele era um traidor invejoso. Tudo o que ele fez foi por inveja. Tinha ciúme de mim com sua esposa novinha (cá entre nós... ela me dava mole...) Mas sempre o respeitei. Bem que eu poderia ter tirado uma selfie com a calcinha rasgada da mulher dele, não acham? Ele, o Cara, era o mentor do Bode. O Cara usou minha família para realizar sua trama. Ter tudo que é meu e ser melhor que EU.

Foram anos horríveis. Adoeci. Tive transtornos emocionais. Passei por uma crise de stress onde parte de minha face ficou paralisada por sete dias. Tive crise de ansiedade e TOC. Fui buscar ajuda na medicina. Consultei psiquiatra e psicoterapia. Respiridona, rivotril, stillnox e zolpidem - descontroladamente usei remédios controlados para cuidar dos nervos e recuperar a paz. Comecei a falhar na cama e sofrer de ejaculação precoce. (Que dor! Que dor!) Estava sendo afetado em todos sentidos. Faltava no trabalho e nos raros compromissos congregacionais. Não me concentrava nas atividades. Meus resultados estavam ruins produzindo muito rejeito e reprocesso. Acabei perdendo o emprego. Estava experimentando um revesso financeiro. Desempregado, desfazendo dos imóveis e bens. Até hoje vivemos aos trancos e barrancos. Minha esposa querida hoje é uma sacoleira. Vendemos de tudo. 

Ali, diante daqueles homens, eu não era mais o mesmo. Já havia aberto meus olhos. Tinha filhos e algo havia mudado dentro de mim. Eu havia presenciado toda a podridão dos bastidores da congregação: o Valdomiro, o Sacaninha, o Cara, o Jim, o Zeca e o Bode. Mesmo assim, mantive-me endurecido no propósito de também ter "o poder" e alimentar minhas vaidades. Somente algo foi capaz de quebrar meu coração. Sabe o que foi? A Comissão Real da Austrália. No dia que assisti àquele vídeo foi como que um véu tivesse sido removido de meus olhos. Não conseguia acreditar nas mentiras daquele que se proclama o guardião da fé de mais de oito milhões de pessoas. Foi evasivo e queria transferir a culpa dos dogmas doutrinais para os anciãos congregacionais. E na questão da pedofilia é imperdoável a sua atitude e postura mentirosa. Preciso fazer uma revelação para vocês leitores, pois só assim entenderão a praga em meu coração. Para mim esse é o ponto alto de todos os nossos causos.

A REVELAÇÃO: Gostaria de convidá-los para mais um flashback. Nessa viagem no tempo retornaremos uns trinta e três anos. Quando o Ancião Brasileiro era uma criança com seus seis-sete anos. Algo muito ruim aconteceu na vida desse menino o qual o marcaria para sempre. Nunca contei isso pra ninguém. Nem para meus pais ou esposa ou anciãos ou psicólogos ou psiquiatras. Guardei em meu coração como algo que não existiu. Às vezes, minha mãe não podia ficar comigo e me deixava aos cuidados de um Tio, o seu irmão. Por duas ocasiões fui molestado sexualmente por esse parente. "Para o inferno eu fui pela primeira vez, violência, estupro do meu corpo". Ele tentou violentar-me por uma terceira vez, mas, rejeitei. Não me lembro de todos os detalhes... Mas sei que essas sessões duravam algo em torno de sete minutos de violação íntima. Algo totalmente desproporcional onde uma criança foi vitimada por um adulto. Não sabia o que fazer. Ninguém havia me preparado para isso. Meu abusador e Tio era uma Testemunha de Jeová. No salão nunca nos ensinaram sobre abuso. O que fazer? Contar para os pais? Contar para os anciãos? Eu não tinha ideia. Sentia-me culpado como que fazendo algo errado para com Deus. Tive a coragem de não mais ceder os abusos e fiz ameaças ao meu Tio. Ele ficou preocupado e começou o suborno. Levava-me para o futebol da congregação pra me fazer de gandula atrás do gol. Ganhei uma camisa do Palmeiras que usava escondido. Recebi tantos presentes até o episódio cair no esquecimento. Jamais verti uma lágrima sobre o assunto. Consegui colocar dentro do peito em uma região inalcançável revestida por uma pedra. Mas. quando assisti a Comissão Real da Austrália, meu mundo desabou. O Geoffrey Jackson de forma tácita defendendo a política de abuso da torre foi demais para eu supprtar!. Ele não era enganado ou um sonhador, mas sim um enganador! Usava de meias verdade para proteger o reinado da Dinamarca. Era inadmissível adotar práticas que beneficiem abusadores por causa da reputação de uma igreja. Os sentimentos dos menores e a dor de um abuso são secundários quando o nome JW.ORG está envolvido. E isso fica bem claro nos "guidelines" (procedimentos). O corpo governante jamais tomou a dianteira em instruir as congregações em como proteger as crianças. Todos os seus procedimentos envolve manter o sigilo nos casos evitando processos ou divulgação na mídia. Eu lia isso nas cartas e no KS (livro dos Anciãos) e não aceitava. Procurava explicação. Mesmo sendo pressionado o que é feito hoje nas congregações é o mínimo. O fluxo de confidência, o tratamento dado aos envolvidos continua protegendo a organização e prejudicando as vítimas.

Assistimos recentemente em sua propaganda mentirosa o vídeo da Sophia e Pedrinho: "Torne-se amigo de Jeová - Proteja seus filhos!" O vídeo dizia que os pais deveriam treinar as crianças contra abusadores. Que elas deveriam contar tudo para papai e mamãe. Mas o que viria depois? O que fariam os pais? Contarão para os anciãos? O que farão os anciãos? Contarão para polícia? Ora, estrategicamente, a resposta o vídeo NÃO apresenta! Mas... Sabemos que a resposta a estas perguntas é NÃO! Os anciãos, cientes de abuso, devem ligar imediatamente para o escritório que aconselhará contatar as autoridades, se somente não houverem processos naquela região ou se a lei do país obrigar. Ou seja: As testemunhas de Jeová orgulham-se de ter comunicação aberta. Em seus discursos públicos falam de sexo, masturbação, sexo oral e anal. Mas são omissas em relação à pedofilia. Não instruem pais e nem crianças a como agir corretamente em todo o caso. São guiados pela ignorância e lealdade à organização. Se nossas crianças soubessem que agressores e abusadores teriam como destino a cadeia então muitas tragédias seriam evitadas. Abusadores sentir-se-iam intimidados. Os pequeninos passariam a sentir-se mais seguros.

Os procedimentos que Geoffrey Jackson defendeu sobre a mão na Bíblia são mais importantes que a vida e o bem estar das crianças do mundo. Para mim eles merecem a cadeia. Para que possam encontrar molestadores que também enfiem em suas cavidades anais objetos ou órgãos que os façam sangrarem. Jamais protegerei um pedófilo! Diferente do que prega o Anthony Morys II, molestadores não são gays viciados em pornografias. Meu tio era uma TJ ativa. Eu não me tornei um pedófilo ou homossexual porque fui violentado. Ao contrário, tornei-me um amante das crianças e tenho filhas lindas as quais quero proteger desses animais de gravata que pregam em nome Deus. Tenho muitas seqüelas; insônia, insegurança, pesadelos, temor por meus filhos, não os deixo sozinhas com ninguém, nem com parentes e virei super protetor. Às vezes acho que as sufoco, mas não consigo ser outra coisa. 

Precisamos embarcar novamente em nossa nave do tempo e retornar ao presente. Forward para frente.

MAIS UMA VEZ NA SALA DO SINÉDRIO: Parece que essa noite não vai acabar nunca! Estava no carro aguardando a sentença do meu julgamento. Finalmente a fumaça branca emana do conclave! Ora, havia chegada a decisão final. O Cacique Aruana me chama do portão. Estavam todos sérios, o Bode, e o Cara abatidos. Parece que em minha ausência as coisas não fluíram suavemente. A essa altura querido leitores isso não importa mais pra gente, né? É tudo tão secundário e sem relevância... Competição masculina e briga por poder. Isso não é objetivo da vida! Não é ser cristão! Eu tinha dentro da minha pasta algo que havia preparado. Bem que poderia ser uma winchester-22, para atirar naqueles porcos traidores... Mas o que carregava comigo durante toda aquela diligência eram duas cartas de dissociação, a minha e a de minha esposa. Estava preparando-a por muitos anos, tentando despertá-la e confidenciei tudo o que acontecia comigo nos bastidores. Ela foi envolvida vá0arias vezes e disse que estava comigo para deixarmos a religião.

Na sala da reunião, após o silêncio e algumas tosses, o homem que é super entendente (aquele que de tudo entende) anuncia o veredicto: “Ancião Brasileiro, você obteve 100% dos votos! Você continua na casa!” Não esbocei reação alguma. Mas fiquei realmente surpreso. “Você não vai comemorar? - Ironizou o Bode. Não tinha motivos depois de ter minha vida revirada ao avesso. O viajante passou por algumas considerações pediu que eu lesse em voz alta Hebreus 13:17. Falava de submissão e respeito à liderança incluindo a dele. claro, e que essa orientação valeria para todos nós. Ele também anunciou que apesar de não ser removido da posição de ancião eu ficaria sobre restrições. Nos apresentou algo novo que é possível repreender um ancião, assim como repreendemos um publicador, sem ele ser exonerado do cargo. Citou uma ocasião onde o apóstolo Paulo repreendeu publicamente o também apóstolo Pedro. As minhas restrições incluiriam ficar fora da tribuna, das pastas de serviços da congregação, do pastoreio e das orações por tempo indeterminados. Que o corpo de anciãos cuidariam das restrições e o momento de removê-las. Ele finalizou com a oração. Após a oração, ele me deu uma sugestão. Era para eu "beber um pouco de vinho" por causa do estômago e evitar situações desconfortáveis. Respondi que estava tratando com um chá caseiro de minha avó. Uma ou duas vezes por dia fazia uso do chá de privada. Alguns minutos sentado no trono tinham resultados animadores. Todos riram em cumplicidade como se tivessem recebidos cócegas em suas regiões anais. Um momento de descontração geral. Retirei-me imediatamente. Não entreguei as cartas de dissociação. Estava confuso. O relógio marcava 23:50min. Três horas e meia de audiência de instrução.

Normalmente eu faria o trajeto do salão para casa em dez minutos. Essa noite cheguei a casa marcando zero hora e sete minutos. Demorei a chegar propositadamente. Passei em frente a zona da cidade e tive uma miragem: um homem de capa que parecia ser nosso amigo Sacaninha!  Ah... Mas foi apenas um delírio. Era um travesti fantasiado. Em casa tinha alguém me esperando aflita, ansiosa a fim de saber a decisão. Coloquei o carro na garagem e, ao entrar, dei de cara com minha esposa. Cabelos lá em cima e olhos avermelhados como se estivesse entorpecida. "Estava fumando um "baseado", mulher? ─ Indaguei ironicamente. Ela queria saber logo a resposta. Não fiz mistério. Disse que não entreguei a carta e continuava como ancião. Ela pulou de felicidade e deu glória ao pai nas alturas. Informei que isso não mudava nossa decisão. Entregaríamos na próxima reunião nossa demissão voluntária. Lançando-se ao chão e, desesperadamente, rangia os dentes me implorando para não fazer isso. Que ela não queria deixar a Jeová e nem a família TJ. Disse-me que havia orado a Jeová a noite toda para tudo acabar bem. Que fez uma promessa se eu fosse livrado. (Ô desgraça de promessa maldita! Num guento mais xicó. Uma hora fico rico outra hora fico pobre.) Reafirmou seu amor pela Torre, que jamais abandonaria a organização e que ainda seria prisioneira regular, digo, pioneira regular. Censurou-me dizendo que escrever a carta foi uma loucura. Era justamente isso que Satanás queria. Traição! Oh! Facada no peito! A Torre venceu mais uma. Nem meus amores pertenciam a mim. A tranquilizei dizendo que por ela não pularia fora do barco - ainda. Ela estava muito agitada. Dei um dos meus remedinhos e após sete minutos ela já estava roncando e sonhando com o corpo governante proferindo novas luzes.

Fui para o sofá. Não tomei medicação para dormir. Fiquei sentado olhando para o vazio. Meditando por sete horas em tudo que havia acontecido na minha vida e como me tornei Testemunha de Jeová. Eu era jovem sem noção. Fui por impulso, assediado e corrompido. Lembrei-me de que eu era igual a todos os anciãos que já havia conhecido. Valdomiro, Sacaninha, Zeca, o Cara, o Bode e Jim. Tinha dentro de mim um pouco deles. Éramos movidos pelo mesmo sentimento: poder e luxúria. Pensei nas minhas filhas e quando as vi pela primeira vez. Quando todas as noites as afagava com carinho. Eu as carregava em meu colo e olhava em seus olhinhos. Prometia que as protegeria e que daria a vida e meu sangue por elas. Mas eu não estava cumprindo minha promessa. Estava tão obcecado pelo poder e por uma posição que havia perdido sete anos da minha vida colocando-as em segundo ou terceiro plano. [Pausa para choro]

Eu era o pior de todos os anciãos. Não podia permitir que meus filhos passassem pelo fogo. Vendê-las ao corpo governante. Destruir seus sonhos e sua chance de ter um futuro. Não podia me acovardar mediante os predadores de criança. Daria meu sangue se preciso para salvá-las. Orei a noite a toda durante as sete horas que se sucederam. O dia amanheceu e passei a noite em claro. Ao observar a hora - sete horas - resolvi fazer a coisa mais inusitada para aquele momento. Não sei explicar o que me deu, arrumei-me e fui ao campo. Ao chegar, o viajante estava considerando um texto e sorriu pra mim. Nenhum dos outros anciãos estava no ministério. Claro, estavam esgotados. O homem que super entende pediu pra sair comigo. Mesmo cansado me mantive de pé. Nesse dia não pregamos, ficamos passeando e conversando pelo território. Mas logo de inicio ele foi direto e perguntou-me: "Quem lhe disse sobre aquela instrução de que o viajante não pode ir ao corpo de anciãos e deliberar fora da visita regular sem a devida autorização do escritório? Essa informação faz parte do curso de viajante e está no manual dos superintendente de circuito. Eu não lembrava onde tinha aprendido. E, para agradá-lo, disse que foi um superintendente de circuito. Ele disse que aquele negócio de prerrogativa é algo muito profundo e grave. Assim, eu descobri o real motivo por não ter sido desqualificado. (Que o leitor use de discernimento!) O viajante estava com o dele piscando e na reta! Pois se eu apelasse e, acidentalmente citasse o passo em falso daquele viajante, ele teria que dar explicações pondo em risco sua posição. Fiquei sabendo que no antigo circuito ele teve problemas e os anciãos de lá escreveram para o escritório. Ele já estava queimado e na corda bamba. O superintendente de circuito também me contou o placar do julgamento. Ficaram divididos: primeiro três votos a favor da exoneração e dois contra. Juntando com o voto dele - que foi ao meu favor - a decisão ficou empatada. Ele também confidenciou-me que o Ancião Banana e o Ancião Cagão me defenderam e não mudaram a decisão. Difícil foi convencer o Bode, o Cara e o Cacique Aruana. Ele disse que o Ancião Brasileiro deveria ser ajudado, não desqualificado. Não fiz nada passível de comissão judicativa. Revelou também que o seleto e exclusivo corpo governante aprecia talentos como EU. "Nunca homem algum falou como este" - Disse que minha defesa foi intocável, que eu fui valente e corajoso. Parecia um advogado, legalista e lesgislando em meu próprio favor. "É uma pena que você não Fez faculdade, Ancião Brasileiro.  Daria um excelente advogado para a Organização de Jeová" - disse o homem. Então, os que eram a favor da exoneração tiveram que ceder para que a decisão fosse tida como unânime. 

Mudei uma semana depois para outra congregação. Não fui recomendado ancião. Liguei para o viajante e contei o que o corpo da congregação Oeste havia feito. Ele entrou em contato com o Cacique Aruana e mandou refazer a carta de mudança. Pediu que rasgasse a nova reavaliação que haviam feito, a realizada na visita na semana passada.  Cacique Aruana retrucou. Mas, era uma ordem. Então, na nova congregação, eu seguiria com disciplina e com restrições. Mesmo assim, na carta de recomendação, acabaram comigo e minha esposa. Difamação e calúnia. Hoje, após dois anos nessa nova congregação, ainda não tenho nenhuma pasta de serviço. Voltei a fazer orações e poucas partes de serviço. Nunca fui presidente na Reunião Vida e Ministério. Não participo de comissões por me escusar de conta própria. O atual corpo não se importa comigo e estão ocupados demais com suas carreiras. Estou desconectado da Matrix. Desplugado, apesar de estar dentro. Consigo enxergar os números em toda a parte de falsidade. Continuam usando as técnicas para controlar a mente e ser tendencioso. Agora é diferente. Esse encanto não funciona comigo. Não consigo me dissociar por causa da família. Também, não tenho amigos nem dentro ou fora da Matrix. Sou um prisioneiro numa solitária. Fui lançado ao Tártaro. Um limbo para pessoas como Eu. Um fantasma congregacional. Entretanto, é uma posição confortável. Tenho livre acesso as informações da irmandade. As cartas restritas e confidenciais. Acredito em Deus. Mas não na organização das Testemunhas de Jeová pois os conheço e sei quem realmente são!

LIÇÃO A trajetória ministerial do Ancião Brasileiro é riquíssima em aprendizado espiritual. Como é possível um homem - como eu - ascender ao circuito e ocupar uma posição rotulada como santa e escolhida por espírito? Por que o espírito santo, que segundo a Torre, é o responsável pelas designações, não agiu impedindo minha unção como servo e ancião? É possível passar a perna nessa força maior ou induzí-la a uma decisão errada, forçando-a aos seus próprios interesses? Por que Deus permite que pessoas assim assumam o posto de seus representantes liderados por Cristo? As respostas as essas perguntas nos levam a conclusão que nada da estrutura administrativa e corporativa montada pelas Testemunhas de Jeová têm a direção sobrenatural divina. O fato de intitularem-se o povo de Deus é fruto de sua imaginação, presunção, arrogância e falsas aplicações da Bíblia. O Ancião Brasileiro, em sua corrupção, chegou a uma posição enaltecida dentro da pirâmide. Mas também experimentou a vulnerabilidade do sistema gerido por corruptos com mecanismos apócrifos. Seu relato mostra que é possível seguir avante tendo uma vida dupla apesar dos apelos emocionais da seita afirmando o contrario. O espírito santo não fará nada para impedir isso e nem outras dezenas de causos pois simplesmente ele não está nesse meio. Não podemos colocar simplesmente na conta da imperfeição humana a da desaprovação espiritual da congregação das Testemunhas de Jeová. Em nenhum momento nos causos apresentados falamos dos aspectos doutrinais da organização. Tratamos apenas da parte comportamental de seus membros que se dizem estrelas na mão do próprio Cristo. Nosso Senhor disse que conheceríamos os verdadeiros cristãos por suas ações.

Do ponto de vista técnico, a maioria dos pecados do Ancião Brasileiro expiraram. O KS Cap 3: § 19 na página 37 diz "Se um irmão designado confessar que no passado cometeu um pecado passível de desassociação ou se isso for descoberto: O corpo de anciãos talvez decida que ele pode continuar servindo como ancião ou servo ministerial se o seguinte for verdade: a imoralidade ou outra transgressão grave não ocorreu recentemente, há poucos anos, e ele está genuinamente arrependido, reconhecendo que deveria ter confessado o pecado imediatamente. (Pode até ser que, agora, com a consciência pesada, ele tenha confessado seu pecado e procurado ajuda.) Ele serve fielmente há muitos anos, tem evidência das bênçãos de Deus e é respeitado pela congregação.] Segundo a lógica da organização e explicada em uma revista A Sentinela, os pecados possuem validade de culpabilidade. Bem parecido com nosso sistema judiciário. Quer dizer: após mais ou menos cinco anos os pecados são expirados. Isso explica a designação do Ancião Brasileiro como ministro ordenado eclesiástico. Regras do espírito santo da Torre!

Todos somos imperfeitos e nada sabemos. Ser ancião congregacional não coloca ninguém num patamar de conhecimento ou santidade referente aos outros. Nem tornam-se esses homens exemplos de santidade e nesse quesito só temos um. Não temos a obrigação de confidenciá-los o que há em nossos corações. Amigos, familiares e o próprio Jesus Cristo já fazem seu papel. Não precisamos de juízes, pois nenhum deles são capazes de lerem os corações. Os protocolos para juízo congregacional não se baseiam nos princípios de justiça e igualdade que permeiam o espírito santo. Jeová não te acusa ou perdoa por meios de sete homens podres e imundos que se posicionam como cabeças em vossas congregações. Não permita destruir amores, paixão e sonhos por causa de uma ideologia extremista americana. Não lancem vossos filhos ao fogo destruindo sua luz por causa de uma interpretação equivocada da Bíblia.

Algumas Testemunhas de Jeová, em seus momentos de revolta, encontram a dissidência e saciam sua necessidade por justiça. Outros, por curiosidade e desejo de novidades, recorrem ao Google que os leva aos canais dissidentes. Mas, parece que após a decepção, vem a reconciliação com a Torre. Daí, a dissidência torna-se descartável e desprezível. É bem provável aquele sentimento falso "de estou fazendo algo errado" aflijam vossas consciências. Depois de ler essa série, esforce-se em tirar esse tipo de pensamento de sua cabeça. A verdade é que você foi condicionado a se sentir dessa forma. E não foi o espírito santo que produziu essa sensação. Eu achava que Jeová me aceitava como eu era e por isso me designou. Que poderia mudar a organização adotando práticas de justiça e de amor. Mas é impossível lutar contra o sistema. Apenas o criador vencerá essa luta! 

Na busca por minha liberdade espiritual e paz mental venho empenhando-me pelo verdadeiro cristianismo. Não podia "ir deitar com meus antepassados" de posse do conhecimento desses absurdos vivenciados na minha jornada como Testemunha de Jeová. Por isso resolvi assentar por escrito minhas experiências reais para que saibam e tenham plena certeza das coisas que aconteceram. Vos induzindo a reflexões profundas. Minha crise de consciência não é apenas o fato de continuar sendo identificado como TJ. É, principalmente, minha posição passiva diante tudo que passou nas curvas dessa vida. Faço um apelo que tomemos posição do lado da verdade. Não quero promover uma rebelião ou apologia contra os anciãos. O fato de uma pessoa ser ruim ou boa independe de ser algo, ter uma posição. Mas quero que sejam livres para servir a Deus com espírito e verdade. Precisamos de alguma forma nos posicionar para evitarmos dores irreparáveis. Há muitos anos pessoas denominadas dissidentes empenham-se para divulgar coisas que as publicações mutáveis das testemunhas não ensinam. Ao redor do mundo, são muitos os rotulados como apóstatas. São assim xingados simplesmente por não concordarem com doutrinas humanas. Não devemos nos permitir o silêncio. Peço que se registrem nos fóruns e outras plataformas. Façam suas apresentações e corroborem para a cura espiritual de muitos.

Deixo um vídeo abaixo para finalizarmos nossa série. Sou aluno do corpo governante e gosto de suas táticas de controle emocional. Por isso, estou usando também vídeos como ferramenta de ensino. Criado em seus terrenos, tornei-me o que ele queria que eu fosse uma verdadeira"geração Coca-Cola" com empatia a tudo que vinha do Tio Sam e é por isso que essa religião nos imputa a alma. "Quando nascemos na Torre, somos programados a receber o que vocês nos empurraram como enlatado americano de nove as seis. Desde pequeno comemos o lixo industrial das publicações”. Esse parece ser o destino de quem herdou essa herança maldita de nascer na verdade... E o Ancião Brasileiro não conseguiu o que queria quando aceitou ser ancião e com o Diabo ter. Ele queria era falar pro corpo governante ajudar toda essa gente desassociada que só fazem SOFREEEEEEERRRRR! 

Quero dizer que essa é minha última postagem nesse fórum. Acaba aqui minha contribuição para a dissidência. Fiz minha parte. Estou esgotado emocionalmente. Qual será o final de minha jornada na Torre? O que fará o Ancião Brasileiro? Esse fim ficará em aberto. E só dependerá de mim construir um nova história. Mas, confesso que não sei para onde ir. Só vejo breu com meus olhos. Vou recomeçar com meu próprio coração a trilhar um caminho livre em busca da REDENÇÃO e da verdadeira LUZ.

 



FIM

 

EXPLICANDO A SÉRIE

INÍCIO

 

 

 

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