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Os sacerdotes e a bebida inebriante

 

LEVÍTICO 10:8-10

“8 E falou o SENHOR a Arão, dizendo:

9 vinho (yayin) ou bebida forte (shekar) tu e teus filhos contigo não bebereis, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações,  

10 para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo e para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado pela mão de Moisés.”

Argumentando contra o uso de "bebida forte", alguém poderá dizer: "Um sacerdote nunca bebia. Os cristãos são sacerdotes (Apocalipse 1:6). Logo, o cristão nunca poderá tomar algo alcoólico." Porém, é esta uma argumentação válida? Consideremos cuidadosamente a análise abaixo,

1) Eram embriagantes o “vinho ou bebida forte” mencionados neste texto? 

Sim, pois quando "vinho" e "bebida forte" aparecem juntos no contexto bíblico, ambos referem-se a bebidas inebriantes. (Note quadro ao lado) Até mesmo A Bíblia de Estudo Pentecostal diz sobre o versículo 9: “a abstinência de vinho embriagante era uma exigência para todos os sacerdotes”.

2) Todavia, quem não deveria beber "vinho ou bebida forte"?

Sem enxergar o que o texto não diz, queira perceber que não era uma lei para todo o povo, mas apenas para Arão e seus filhos. Eles eram sacerdotes.

3) Por qual razão não poderiam ingerir "vinho ou bebida forte"?

Visto que estas são sedativas, deveriam evitá-las para que pudessem “fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo”. Ao se proibir a ingestão de “vinho ou bebida forte”, os sacerdotes entenderiam que a restrição não era apenas para o vinho fermentado feito de uvas. A expressão “bebida forte” deixa claro que era vetada toda bebida fermentada, não importando se era feita de fruta, raiz ou grão.

Certa vez o profeta Isaías registrou o que acontecia quando a lei de Deus era ignorada: “... até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos do vinho (“estão tontos do vinho”, R), desencaminham-se por causa da bebida forte, andam errados na visão e tropeçam no juízo.” — Isaías 28:7.

Poucas as vezes "vinho" (yayin) e "bebida forte" (shekar) aparecem juntos no mesmo versículo. Contudo, em todos os casos, ambas referem-se a bebidas inebriantes.

 

1 SAMUEL 1:14, 15

“E disse-lhe Eli: Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti o teu vinho (yayin). Porém Ana respondeu e disse: Não, senhor meu, eu sou uma mulher atribulada de espírito; nem vinho (yayin) nem bebida forte (shekar) tenho bebido; porém tenho derramado a minha alma perante o SENHOR."

 

ISAÍAS 28:7

“Mas também estes erram por causa do vinho (yayin) e com a bebida forte (shekar) se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte (shekar); são absorvidos do vinho (yayin), (ou “estão tontos do vinho”, segundo a Versão Revisada da Tradução de João Ferreira de Almeida.) desencaminham-se por causa da bebida forte (shekar), andam errados na visão e tropeçam no juízo.”

 

ISAÍAS 29:9

"Tardai, e maravilhai-vos, e folgai, e clamai; bêbados estão, mas não de vinho (yayin); andam titubeando, mas não de bebida forte (shekar)."

4) Significa esta proibição que os sacerdotes nunca poderiam ingerir "vinho ou bebida forte"?

Não, não quer dizer isso. Repare que o trecho bíblico em questão indica quando seria próprio a abstinência. Quando seria? "QUANDO entrassem na tenda da congregação” (versículo 9). Ou, como esclarece Ezequiel 44:21: “nenhum sacerdote beberá vinho (yayin) QUANDO entrar no átrio interior”. Para o cristão, esta resposta direta da Bíblia já é suficiente.

As seguintes referências concordam com isso:

Assim, Deus claramente regulamentou para que tais bebidas não fossem usadas quando estes homens de grande responsabilidade trabalhassem na "tenda da congregação" e no "átrio interior". Não deveriam entrar na tenda sob o efeito do "vinho ou bebida forte". Sendo assim, o sacerdote ajuizado não consumiria tais bebidas quando estivesse prestes a exercer sua função. O sacerdote que bebesse deveria esperar passar o efeito do álcool.

Em nenhum momento Levítico 10:8-10 condena o uso de bebidas inebriantes fora da "tenda da congregação" ou do "átrio interior". Os sacerdotes e os levitas não permaneciam todo o tempo em serviço nestes lugares sagrados (Note Ezequiel 44:27). Tinham suas próprias casas e muitos possuíam família e filhos (Ezequiel 44:22; Levítico 22:12). Tendo isso em mente, não constituiria desobediência se bebessem em lugar não proibido pela ordem divina acima. E é realmente assim. Deus, bondosamente, autorizou o consumo de Sua própria oferta de bebida forte para os sacerdotes e sua família. (Números 18:11, 12) Logo, quando não estivessem em serviço – sem temor de estar fazendo algo condenado – poderiam ingerir moderadamente não apenas mosto (tîrôsh), mas também "vinho" (yayin) e "bebida forte" (shekar). 

Deus poderia requer que os sacerdotes e levitas fossem completamente abstêmios, mas não o fez! Apenas indicou quando não seria apropriado beber.

Qualquer dúvida restante quanto a permissão de "vinho e bebida forte" termina quando se raciocina no conteúdo próximo texto.

 

DEUTERONÔMIO 14:26

“E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho (yayin), e por bebida forte (shekar), e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o SENHOR, teu Deus, e alegra-te, tu e a tua casa.” 

Quem sugeriu o consumo de “vinho” e “bebida forte”? Não foi o próprio Deus, por meio de Moisés? Sendo assim, o que aprendemos disso? Que Ele não desaprova estas bebidas! 

Note que o versículo 29 indica quem se beneficiaria com a provisão divina: levitas, estrangeiros, órfãos e viúvas. Naturalmente, o bom-senso regulou tanto o comer quanto o beber.

Objeção comum: “Seria totalmente contrário ao caráter santo de Deus, Ele ordenar o livre uso de bebida embriagante aos fiéis, estando estes acompanhados dos sacerdotes.”

A intenção do raciocínio acima é mostrar que "vinho ou bebida forte" eram "suco novo e fresco de uva". Contudo, esta ideia é falha pois não leva em conta o contexto bíblico em relação ao significado das palavras "vinho" e "bebida forte" que, quando citadas juntas, indicam bebidas inebriantes. — Na primeira página, considere o artigo "Juntos, 'vinho' e 'bebida forte' são inebriantes!".

Além disso, parte da ideia não bíblica de que os sacerdotes sempre estariam proibidos de usar bebida embriagante, em qualquer situação. Mas isso não é verdade. Como já consideramos, o relato bíblico se dá ao trabalho de especificar que os sacerdotes não poderiam beber quando desempenhassem suas funções sacerdotais no templo sagrado. Neste caso, então, não importa se estavam ou não acompanhados: as bebidas alcoólicas deveriam ser evitadas 100%. Porém, não era esta a situação mencionada no texto em questão.

a) É proveitoso lembrar-se do caso dos nazireus. Deus proibiu que estes homens bebessem até mesmo suco de uva não-fermentado (Juízes 13:14). Neste caso era uma lei sem exceção, isto é, não era permitido consumir nada que fosse feito de uvas durante as 24 horas do dia, durante todos os dias em que durasse seu voto.

Por outro lado, não havia a menor proibição/recomendação para aquele que não fosse nazireu evitar beber suco de uva. O nazireu não vivia isolado, afastado das outras pessoas como eremita. Assim, ao passo que o povo em geral faria livre uso de puro suco de uva e demais bebidas, os nazireus estavam impedidos devido a lei divina para eles. [Para ilustrar: alguém que está de regime evitará alimentos que engordam, embora outros a seu redor possam comê-los livremente.] Por que aquele que é contrário a ingestão de bebida alcoólica nunca afirma que "seria totalmente contrário ao caráter santo de Deus, Ele ordenar o livre uso de suco de uva aos fiéis, estando estes acompanhados dos" nazireus? Não deveria a proibição valer para todos?

b) Pondere também com respeito à lei dada aos reis. Embora soubesse que — no exercício de suas funções reais — “não é próprio dos reis beber, vinho (yayin),  nem dos príncipes desejar bebida forte (shekar)" (Provérbios 31:4), o rei Salomão escreveu: “bebe com bom coração o teu vinho (yayin), pois já Deus se agrada das tuas obras” Eclesiastes 9:7. 

Portanto, não há nada "contrário ao caráter santo de Deus" o "vinho" ser liberado para os “fiéis”, mas não para aquele que estivesse oficiando como sacerdote, nazireu ou rei. Ao recomendar o vinho, o sábio rei Salomão preocupou-se com o modo de se beber quando disse: "bebe com bom coração", isto é, com responsabilidade. Também escreveu em Eclesiastes 10:17 sobre o rei e príncipe que bebem e comem com equilíbrio, "para refazerem as forças e não para bebedice". Notou, caro leitor? A bebida que se diz aqui para não se consumir até se alcançar a "bebedice" é a mesma que se diz que era para se beber "para refazer as forças". Em seguida, no versículo 19, é dito que o "vinho alegra a vida". O próprio rei Salomão foi um dos que bebeu vinho com precaução como indicado no livro bíblico de Eclesiastes 2:3, na Versão Revisada da Tradução João Ferreira de Almeida: "Busquei no meu coração como estimularia com vinho a minha carne, sem deixar de me guiar pela sabedoria..." Naturalmente, ao "estimular-se" com vinho, Salomão mostrou ter um coração sábio por não embriagar-se. O mesmo cuidado deverá ter aquele que optar pela bebida.

Era "yayin" o vinho que Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, deu à Abrão. — Gênesis 14:18.

 

Embora Deuteronômio 14:26 não seja um mandamento, e nem necessário aos cristãos, exemplifica o que os israelitas podiam fazer "perante o SENHOR". Para um entendimento contextual ampliado, sugiro ler todo o capítulo 14. Notará diversas das coisas que — na ocasião — Deus permitia e não permitia a seu povo. Aí está:

DEUTERONÔMIO 14

1 FILHOS sois do Senhor vosso Deus; não vos dareis golpes, nem poreis calva entre vossos olhos por causa de algum morto.

2 Porque és povo santo ao Senhor teu Deus, e o Senhor te escolheu, de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo próprio.

3 Nenhuma abominação comereis. Estes são os animais que comereis:

4 O boi, o gado miúdo das ovelhas, e o gado miúdo das cabras,

5 O veado, e a corça, e o búfalo, e a cabra montês, e o teixugo, e o boi silvestre, e o gamo.

6 Todo o animal que tem unhas fendidas, que tem a unha dividida em duas, que remói, entre os animais, isso comereis.

7 Porém estes não comereis, dos que somente remoem, ou que teem a unha fendida: O camelo, e a lebre, e o coelho, porque remoem mas não teem a unha fendida; imundos vos serão;

8 Nem o porco, porque tem unha fendida mas não remói; imundo vos será. Não comereis da carne destes, e não tocareis no seu cadáver.

9 Isto comereis de tudo o que há nas águas: Tudo o que tem barbatanas e escamas comereis;

10 Mas tudo o que não tiver barbatanas nem escamas não o comereis; imundo vos será.

11 Toda a ave limpa comereis.

12 Porém estas são as de que não comereis: A águia, e o quebrantosso, e o xofrango,

13 E o abutre, e a pega, e o milhano segundo a sua espécie,

14 E todo o corvo segundo a sua espécie,

15 E o avestruz, e o mocho, e o cuco, e o gavião segundo a sua espécie,

16 E o bufo, e a coruja, e a gralha,

17 E o cisne, e o pelicano, e o corvo marinho,

18 E a cegonha, e a garça segundo a sua espécie, e a poupa, e o morcego.

19 Também todo o réptil que voa, vos será imundo; não se comerá.

20 Toda a ave limpa comereis.

21 Não comereis nenhum animal morto; ao estrangeiro, que está dentro das tuas portas, o darás a comer, ou o venderás ao estranho; porquanto és povo santo ao Senhor teu Deus. Não cozerás o cabrito com o leite da sua mãe.

22 Certamente darás os dízimos de toda a novidade da tua semente, que cada ano se recolher do campo.

23 E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comereis os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus todos os dias.

24 E quando o caminho te for tão comprido que os não possas levar, por estar longe de ti o lugar que escolher o Senhor teu Deus para ali pôr o seu nome, quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado;

25 Então vende-os, e ata o dinheiro na tua mão, e vai ao lugar que escolher o Senhor teu Deus.

26 E aquele dinheiro darás por tudo o que deseja a tua alma, por vacas, e por ovelhas, e por vinho, e por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; come-o ali perante o Senhor teu Deus e alegra-te, tu e a tua casa.

27 Porém não desampararás ao levita que está dentro das tuas portas; pois não tem parte nem herança contigo.

28 Ao fim de três anos tirarás todos os dízimos da tua novidade no mesmo ano e os recolherás nas tuas portas.

29 Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos, que fizeres.

 

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