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RUSSEL E AS PIRÂMIDES DO EGITO

Luiz Alberto Araújo Bezerra

 

Em 23 de janeiro de 1993, Carmem G. Santos escreveu uma carta para a filial da Torre de Vigia no Brasil indagando sobre Russel e qualquer envolvimento seu com as pirâmides do Egito. Recebeu a seguinte resposta da Torre de Vigia:

“O irmão Russel acompanhou uma pesquisa daquela época e uma teoria que pretendia relacionar as medidas da Grande Pirâmide de Gizé com as Escrituras, que era apenas uma hipótese apresentada pelos pesquisadores. Mas, abandonou a idéia, uma vez que mais tarde soube-se que tais edificações eram apenas lápides tumulares construídas pela dinastia egípcia. Naturalmente que, a base fundamental das pesquisas do irmão Russell era a Bíblia Sagrada. Ele estava apenas examinando uma linha extra-bíblica para argumentação probatória, pois muitos achados arqueológicos foram muito valiosos para confirmar o registro bíblico. Quanto a haver qualquer pirâmide junto ao seu túmulo, é algo que desconhecemos. Porém, o mero fato acima, de que ele nem mesmo continuou a usá-las em suas pesquisas, parece fornecer evidência contrária a ele desejar que elas o acompanhassem no túmulo.”

Interessante é que na carta que a Torre de Vigia mandou respondendo a pergunta da Carmem, é dito que desconheciam a existência de uma Pirâmide no túmulo de Russell. Será que desconheciam mesmo ou estavam mentindo? Será que Russel abandonou sua ideia que a Pirâmide de Gizé estava relacionada com as profecias da Bíblia? Veremos mais adiante.

Outro indagador, Adilson dos Santos, escreveu para a Torre de Vigia, em 1995, e também fez perguntas relacionadas com Russel e as Pirâmides. A Torre de Vigia respondeu o seguinte:

“No decorrer dos anos, Jeová tem dado esclarecimentos adicionais ao Seu povo. (Prov. 4:18) O livro Testemunhas de Jeová Proclamadores do Reino de Deus, nas páginas 200 e 201, mostra algumas das práticas que foram abandonadas e ali encontramos referência à Pirâmide de Gizé. Como sabe, os Estudantes da Bíblia usavam uma cruz e coroa como insígnia para os identificar e esse símbolo era usado na revista Watch Tower. Em 1936, apresentou-se evidência de que Cristo morreu numa estaca, e tal insígnia foi abandonada. O mesmo se deu com a questão da Pirâmide. De fato, existe uma Pirâmide junto ao túmulo do irmão Russel. Ela pode ser vista por qualquer pessoa que for visitá-lo. Tal construção foi solicitada por ele, de modo que a Sociedade não tem direitos legais de removê-la. Assim, ela permanece lá até hoje.”

Interessante é que na carta de 1993 foi dito que desconheciam a existência da Pirâmide no túmulo de Russell. Mas, em 1995, admitiram que existe sim, não podiam mais negar sua existência. (Cópia das cartas citadas está no livreto AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ E O SEGREDO DA PIRÂMIDE, escrito pelo ex-TJ Hélio Eduardo)

O Odracir diz o seguinte: O livro Proclamadores, na p. 201, faz uma confissão do envolvimento de Russell com a piramidologia, muito embora procure atenuar a importância do fato por classificá-lo como um simples 'pensamento' dele por 'apenas' 35 anos. Mas, era realmente assim - um 'pensamento'? Ou era uma doutrina fundamental? Afinal, quanto destaque se deu à piramidologia no movimento das Testemunhas de Jeová - em um período, durante o qual se diz que Jesus Cristo estava a examiná-lo e aprová-lo? Este é o nosso próximo enfoque.

 

Após o tema 'piramidologia' ser continuamente esmiuçado na internet - em forma de denúncias - a organização julgou conveniente abordar mais uma vez o 'romance' entre Russell e as pirâmides. Ante a impossibilidade de negar os fatos, amplamente apoiados em provas documentais, criou-se uma versão piedosa dos mesmos, colocados em um contexto de 'purificação espiritual'. Vejamos o que diz este curioso artigo em A Sentinela de 1/1/2000, p. 9:

     "Em 1886, quando C. T. Russell publicou um livro que passou a ser chamado 'O plano Divino das Eras', este livro continha uma tabela relacionando as eras da humanidade com a Grande Pirâmide do Egito. Pensava-se que este monumento do faraó 'kufu' [Quéops] fosse a coluna mencionada em Isaías 19: 20... Que relação podia ter uma pirâmide com a Bíblia? Ora, por exemplo, pensava-se que o comprimento de certas passagens na Grande Pirâmide indicava o tempo do começo da 'Grande Tribulação' de Mateus 24: 21, conforme se entendia então. Alguns Estudantes da Bíblia ficaram absortos em medir certos detalhes da pirâmide para descobrir assuntos tais como o dia em que iriam para o céu!"

     Mais uma vez os autores preferem a palavra 'pensamento', ao invés de 'ensino' ou 'doutrina'. Também o sujeito das orações é omitido ou obscurecido em alguns trechos pelas expressões "pensava-se" ou "entendia-se" - um recurso já consagrado pelas publicações das Testemunhas de Jeová ao abordarem partes indesejáveis de sua história. Quem 'pensava'? Quem 'entendia'? A resposta é uma só - A ORGANIZAÇÃO! E não só entendia como ensinava.

            O artigo de janeiro de 2000 faz referência ao primeiro volume de 'Estudos das Escrituras', publicado em 1886. Em 1897, o recém-lançado terceiro volume - Venha o Vosso Reino - foi mais longe ainda, chamando a Pirâmide de Quéops de 'Testemunha de Jeová' (p. 320), mais de 30 anos antes de J. F. Rutherford  - o sucessor de Russell - ter adotado este nome para os então 'Estudantes da Bíblia'. Todavia, o fascínio pelas pirâmides não pararia por aí. Em 1915, foi publicada pela organização uma obra de 438 páginas, quase homônima ao volume 1 -- The Divine Plan of Ages as Shown in the Great Pyramid ("O Plano Divino das Eras Como Mostrado na GRANDE PIRÂMIDE") -- provavelmente de autoria de Morton Edgar -- uma edição de visual mais atraente do que o primeiro volume de Russell e totalmente inspirada no livro dele.

Uma pirâmide de pedra era, inquestionavelmente, uma homenagem honrosa para o 'pastor' Russell, pois, em vida, nenhum outro objeto esotérico exerceria tanto magnetismo sobre ele, tendo-o motivado, inclusive, a viajar milhares de quilômetros para conhecer pessoalmente a Grande Pirâmide de Gizé . Eis as fotos dessa tour mística, realizada em 1912:

Após sua peregrinação a este lugar 'sagrado', ele aproveitou a ocasião para proferir seu célebre discurso “Uma Testemunha de Deus - a Grande Pirâmide do Egito” publicado em A Sentinela de junho de 1912. Suas palavras devem ter tido forte efeito sobre aqueles de seu tempo. Russell apegou-se ferrenhamente a tal crença até sua morte, em 1916. O monumento fúnebre no Cemitério Rosemont (em Pittsburgh) preservou no tempo a 'marca registrada' do russellismo, resistindo até hoje como prova insofismável dela.

O livro RADIOGRAFIA DO JEOVISMO diz o que segue:

O Esquema da Pirâmide

Já no volume I do Studies in the Scripture, Russell afirmava que a figura de Cristo como ''a pedra de esquina" só podia ser entendido com justeza pela pirâmide. E no volume III então descreve sua mirabolante teoria, verdadeiro dogma que tem como centro a Pirâmide de Quéops. Russell lera em Isaías 19:19 e 20 o seguinte:

"Naquele tempo o Senhor terá um altar no meio da terra da Egito, e um monumento se erigirá ao Senhor na sua fronteira. E servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito, porque ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e Ele lhes enviará um Redentor e um Protetor, que os livrará".

As expressões monumento e altar ficaram bailando e ressoando no cérebro imaginoso do "pastor", levando-o à conclusão de que a Grande Pirâmide de Gizé cumpria estas especificações, e, portanto, só podia ter sido obra do próprio Jeová. "Descobriu" que a pirâmide, pela sua disposição e construção, apresenta o plano de Deus e a Cristo como o centro deste plano. "Descobriu" mais que essa Pirâmide, através de suas medidas, revela os tempos e datas do plano divino. Ficou convicto principalmente pelo fato de dita Pirâmide ter sido construída antes de ser escrita qualquer porção da Bíblia, e ainda numa época em que ninguém, a não ser o próprio Jeová, sabia de Seu plano e das indicações de tempo a ele pertinentes. Afirma o "pastor" que a Pirâmide, como um todo, apresenta a Cristo como "a pedra de esquina" mencionada em Sal. 118:22; Zac. 4:7; S. Mat. 21:42; Atos 4:11; e I S. Ped. 2:7.

Vejamos apenas algumas das ilações russelitas extraídas das medidas da Pirâmide:

a) A hipotenusa do triângulo retângulo formado pelo espaço interseccionado entre a extremidade Norte da Primeira Passagem Ascendente, e o ponto de interseção da projetada linha do piso da Câmara da Rainha e a Primeira Passagem Ascendente, mede 33,5 polegadas piramidais. Isso indica os anos que Jesus viveu: 33 anos e meio.

b) A extensão que vai da Primeira Passagem Ascendente ao Tampão de Granito tem 1647 polegadas piramidais. Ora, esse é o número de anos que decorre da Outorga da Lei no Sinai à morte de nosso Senhor: 1647 anos!

c) O tempo do Segundo Advento de nosso Senhor é simbolizado pela distância que vai do Ponto de interseção entre as passagens Ascendentes e Descendentes até ao Fosso (Pit) ao longo da linha do Piso. Essa distância é de 3.885 polegadas piramidais. Isso indica um tempo que vai de 1512 AC a outubro de 1874 AD. Portanto, 1874 é a data da "segunda presença". Mas há a considerar que a linha da Passagem Descendente prolonga-se no mesmo ângulo até alcançar o Fosso em mais 40 polegadas. Então se acrescentam mais 40 anos, e chega-se à data irrecorrível de 1914, quando devia começar a angústia e a destruição deste mundo.

Há muitíssimas outras extrações proféticas das medidas da Grande Pirâmide, mas citamos o necessário para que o leitor tenha uma ideia de como o jeovismo se formou. Essa teoria foi, por muito tempo, aceita por Rutherford. Mas, com o correr dos tempos, vendo sua insustentabilidade, abandonou-a. Na "Watchtower" de 15/11 e 01/12/1928 ele repudia abertamente sua crença no dogma da Pirâmide. E afirma textualmente:

"Lamentamos ter crido e destinado algum tempo no estudo da Pirâmide de Gizé. Não apenas abandonamos agora tal estudo como rogamos a Deus que nos perdoe o termos gasto tempo com isto, e possamos remir o tempo apressando-nos a obedecer Seus mandamentos".

E chega à conclusão diversa da de Russel: afirma que a Pirâmide de Quéopos foi, sem dúvida, construída pelo diabo!!!

Os leitores que façam a avaliação no sistema!

Reprodução da página 342 do 3.° volume de Studies in the Scripture, da autoria do Pastor Russell, publicado na década de 10, bem antes de 1914. Notem as medidas em polegadas extraídas da Pirâmide de Gizê, assinaladas: 3416, e que levam ao ano de 1874.

Comparem agora com a página reproduzida a seguir.

O mesmo livro, a mesma página da edição de 1923. Nesta nova edição o "pastor" alterou as medidas da Pirâmide, de 3.416 para 3.457 polegadas, a fim de favorecer o cálculo da nova data que é agora 1914. Fraudes como estas são muito comuns nos livros antigos da Torre de Vigia. Sempre erraram em seus esquemas proféticos, e para os justificarem sempre apelaram para a fraude.

(Págs. 111-113, 119,120)

Ante o peso das evidências, a organização defende-se por enfatizar que abandonou a piramidologia em 1928 - o que é verdade. Contudo, é difícil aceitar - de acordo com a doutrina atual das Testemunhas de Jeová - que, durante o assim chamado período de inspeção de Jesus Cristo (1914 - 1918), tenha ele dado seu 'carimbo' de aprovação aos 'Estudantes da Bíblia', fazendo 'vista grossa' a um envolvimento tão patente com aquilo que a organização hoje chama de 'satânico'.

 

 

 

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