A História de Lys

Traduzido por Berlirner com permissão de: www.jwfiles.com

 

Enquanto eu sento aqui e leio outras histórias desses que deixaram as Testemunhas, lágrimas se formam em meus olhos. Eu também sou uma ex-Testemunha, e gostaria de compartilhar minha história. 

Eu me lembro de minha primeira ida às reuniões, quando tinha aproximadamente 4 anos de idade. Eu acho que posso me lembrar disto, porque esta foi a última vez que me lembro de celebrar meu aniversário. Minha mãe começou a estudar com as TJs, o que quer dizer que eu, meu irmão e irmã também se tornariam eventualmente Testemunhas de Jeová. Meu pai, embora "participasse do jogo", quase nunca comparecia às reuniões. Eu posso me lembrar dele indo na Comemoração ou na Escola do Ministério Teocrático, sempre que um de nós o convidava. Virou rotina comparecer nas reuniões às Terças-feiras, Quintas-feiras, serviço de campo aos Sábados e Domingos. Eu tinha dois meio irmãos que vinham nos visitar durante o verão, e isto se tornou uma rotina para eles. Desnecessário dizer eles odiavam esta rotina, e esperaram voltar para casa depois que o verão terminasse. 

Eu fui batizada aos 14 anos. A única razão por que fiz isto foi por causa da pressão de minha mãe. Parecia que muitas mães e pais na congregação, usavam suas crianças para competir. Ela sempre fazia referência das quantas crianças mais jovens que eu tinham sido batizadas, ou se vangloriava sobre o número de horas que elas faziam no campo. Meu pai era contra isto. Ele sabia que eu estava fazendo só para agradar minha mãe. Mas de qualquer maneira, eu fiz. 

Claro que à idade de 15 anos, eu era uma jovem impressionável, que sempre fazia qualquer coisa que agradar meus pais. Mas eu comecei a ter sentimentos normais que uma adolescente tem. Eu tentei falar com meus pais sobre meus sentimentos. Só me era determinado que lesse mais as escrituras. "Você será desassociada se fizer isto ou aquilo." Ser desassociada era igual a ter uma doença em meus olhos. 

Eu creio que comecei a questionar coisas quando a melhor amiga de minha mãe (Cindy) foi desassociada. A Cindy e o marido dela (o Jack) tinham três crianças e eram os melhores amigos de meus pais. Eu amei a Cindy como se ela fosse minha própria mãe. Mas logo o Jack e a Cindy tiveram grandes problema em casa. O Jack não queria trabalhar, o que deixou a Cindy responsável financeiramente pela família. O Jack só queria engravidar a Cindy. Antes do divórcio, a Cindy estava grávida pela quarta vez. Cindy e Jack eventualmente se divorciaram e desde que o Jack não estava trabalhando, ela tinha que cuidar das crianças. Jack era um Servo Ministerial e a congregação o tratou como se ele fosse a vítima. O Jack sentia muito em não poder apoiar Cindy com as crianças. Em um determinado ponto e tempo, ele esteve em dificuldades com os tribunais por isto, mas a congregação ainda o tratou como se ele fosse a vítima. Eu enxerguei um grande problema por eles evitarem a Cindy, pois ela queria apenas o melhor para suas crianças; e elogiarem o Jack, embora ele não fosse homem o bastante para ajudar a cuidar de suas próprias crianças... Mas eu divago. 

Claro que, aos 15 anos, havia os assuntos de meninos. Eu era uma menina popular na escola secundária, embora fosse uma TJ. Este foi um problema em si mesmo, e não me permitiram associar com meus "mundanos companheiros de classe." Ao invés, eu era frequentemente comparada com às filhas e filhos dos anciãos na congregação. Mas o que meus pais não perceberam é que as crianças dos anciãos, eram piores que qualquer colega "mundano" que eu conhecia. Muitos deles saíram da mesma maneira que eu saí. Alguns estão na prisão, usando drogas, ou saíram da casa de seus pais.

Considerando que eu não pude ter um dialogo decente com meus pais, eu me rebelei eventualmente, como faz qualquer adolescente normal. Eu só estava pedindo a ajuda de meus pais. Eu me envolvi sexualmente com um "garoto mundano", mas ao invés de meus pais falarem comigo, me colocaram diante do comitê de anciãos. Foi a coisa mais humilhante que eu tive de passar. Eu sentia que meus pais não queriam lidar comigo, assim, deixaram que completos estranhos me ridicularizassem. Isto me enfureceu ainda mais. Eventualmente, eu deixei minha casa à idade de 17 anos e mudei para a casa de uma "colega mundana", que chamarei de Sara, e a mãe dela. 

Meus pais estavam muito bravos e disseram aos outros parentes que eu ia engravidar, que eu me mudei para ficar com um garoto, e que eu não me formaria. Eu me formei entre os 10% melhores de minha classe, e ganhei uma bolsa de estudos para a faculdade. Eu tive que amadurecer rapidamente, não tive uma escolha. A idade de 18 anos eu deixei as Testemunhas de Jeová. Durante aproximadamente um ano, minha mãe me tratou como se eu não fosse sua primogênita. Ela convidava as pessoas da congregação e me dizia para ir para o quarto, até que eles fossem embora. Ela fazia isso frequentemente. Meu pai agia da mesma maneira sórdida, e isto me confundia, já que ele não era batizado, nunca assistia as reuniões, e nunca tinha pregado de porta em porta. Naquele momento, percebi que eu tinha que sair de casa. Assim, fui para a faculdade.

Enquanto na faculdade, eu raramente visitava minha casa. Toda vez que visitava minha casa durante o fim de semana, havia pelo menos dois anciãos batendo na porta de meus pais. Toda vez, minha mãe alegava que não deveria dizer a eles que eu estava lá. Eu sabia que era uma mentira. Eu entretive frequentemente a ideia de voltar. 

Na faculdade, eu conheci um homem que hoje é meu marido. Ele tinha um filho de uma relação anterior. Ironicamente, a mãe da criança dele, também era uma ex-TJ. Ela foi desassociada por ter uma criança fora do matrimônio. Quando nos casamos, ele disse que estaria aberto à ideia de visitar o salão, como tinha feito no passado. Enquanto vivendo juntos, uma das TJs veio a nossa porta e eu a informei que era desassociada. Ela me ignorou completamente e começou a falar com meu marido. Meu marido não gostou disso. Eu expliquei então a ele, o processo inteiro da evitação.

O marido desta TJ veio a nossa porta um mês depois e convidou meu marido (não eu) para uma reunião. Nós fomos para a primeira parte na reunião de Domingo. Claro que nós chegamos depois e saímos mais cedo. Este irmão recebeu meu marido e falou com ele, mas novamente agiu como se eu não estivesse lá. Meu marido declarou então, que ele nunca se tornaria parte de uma organização que trata os membros assim! 

Hoje sou feliz no casamento, com um filho e um enteado. Minha relação com meus pais ainda está estremecida. Eu sempre os amarei e respeitarei. Houve muita dor e tristeza em minha experiência como uma Testemunha de Jeová, mas lendo as cartas neste site, percebi que não sou a única que experimentou isto. Foi muito encorajador para mim. 

Sinceramente,

Lys

 

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