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"O Conflito entre a Lealdade a Deus e a Lealdade a uma Organização"

Artigo de J & M

 

Batizei-me como Testemunha de Jeová no começo da década de 80 e fui membro ativo da organização Torre de Vigia por quase 2 décadas. Alcancei "privilégios" em todos os níveis congregacionais. Minha vida era repleta de obrigações e deveres organizacionais e praticamente nem um dia foi gasto sem que minha agenda estivesse pontilhada de "atividades teocráticas". Devotei todos esses anos, portanto, a serviço de uma organização religiosa cujos interesses sempre coloquei em primeiro lugar na minha vida. Lutei INCONDICIONALMENTE para tornar conhecidas as "boas novas" da Torre de Vigia, que eu acreditava fazerem parte do conjunto de verdades reveladas de Deus aos homens do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. Apenas pessoas que passaram por esse tipo de experiência conseguem avaliar o que quero dizer por "incondicionalmente".

 

Mas como, então, pude abandonar tudo isso alguns meses atrás? Por que saímos, minha família e eu, daquela que tinha sido a "única organização verdadeira" para mim durante tão prolongado período de tempo? Meu relato de vida não terá o objetivo de responder essas perguntas porque elas estão fartamente expostas em sites como esse da Internet e em livros como o de Raymond Franz, "Crise de Consciência".

 

Hoje em dia, sinto-me muito grato por ter aprendido tudo que aprendi nessas páginas da Internet e por intermédio do relato de Raymond em seu livro e a informação me põe em débito com os que ajudei a colocar lá dentro pois o fato de eu saber o quanto eles trabalham sob pressão e estressantemente, ou o quanto se (des)gastam todo dia para satisfazer os requisitos da programação organizacional, pensando estar agindo em prol dos interesses do Reino tratado em Mateus 6:33, é para mim algo dramático e um dos motivos de eu escrever sobre minha experiência.

 

Antes de qualquer coisa, a conclusão mais clara para mim sobre todos esses longos anos lá dentro é que eles se mostraram muito mais preenchidos de sacrifícios e renúncias do que de alegrias ou genuína felicidade. As tribulações e pressões na maioria das vezes provinham de uma única fonte: as imposições humanas – quantas horas pregar com regularidade semanal, quantas reuniões assistir por semana, quantas atividades congregacionais cumprir sem quase deixar espaço para minha família (esposa e filhos), sem contar com tantas outras atividades extra-congregacionais como discursos "fora", congressos e assembléias (com tarefas adicionais para os anciãos), cursos de anciãos, treinamento de pioneiros, "sair de pioneiro", comissões de ligação de hospitais, comissões de construção, etc.

 

No entanto, não lamento pelos anos passados na organização no que se refere às energias gastas ou o uso de minhas habilidades e talentos pois eu lutava pelo que acreditava ser "a verdade" de Deus. O que lamento é ter, por exemplo, aprendido a ser dependente de diretrizes humanas, dependência essa ã qual minha mente e corpo se condicionaram. O trabalho, os "privilégios congregacionais" e toda a estrutura da organização quase criaram um cordão umbilical com a organização em muitos assuntos da vida. Ainda hoje encontro alguma dificuldade para achar saídas apropriadas para conciliar conflitos ou simplesmente quando tenho de tomar certas decisões. O que não percebia é que o enganoso "suporte" da "mãe-organização" nos fazia proceder como crianças obedientes, dependentes. De vez em quando ainda me pego com medo da liberdade que de repente abracei ao sair da organização. Mas sou muito grato a Deus de que as conquistas e vitórias até agora estejam em número bem maior do que os eventuais atropelos com os quais todos nós normalmente nos deparamos na vida.

 

Porque Tudo isso Aconteceu

 

Meus questionamentos começaram quando li sobre Raymond Franz na Internet. Pedi o livro dele e o recebi depois de uma semana. À medida que o lia, o sentimento era de que todo o peso esmagador de anos de serviço pesado estivessem sendo retirados de uma só vez de meus ombros cansados.

 

Resolvi que iria comentar sobre minhas recentes descobertas com um ancião de minha congregação. Fiz isso duas semanas depois de ler o livro de Ray e vários sites da Internet numa certa manhã.

 

Esse ancião era um amigo muito achegado e sincero e achei que poderia confiar nele. Ele prometeu que iria ler o livro também para fazer seu próprio julgamento e me ajudar no que pudesse mas adiantou timidamente que eu poderia estar me deixando levar muito rapidamente pelos ardis de Satanás. Quando à noite na reunião, ele perguntou sobre o livro, e eu lhe disse que minha esposa o estava lendo também, notei que ele franziu muito o cenho e me olhou de modo estranho, preocupado, desconfiado. Achei esquisito ele sair logo depois sem qualquer comentário e sem fazer mais perguntas.

 

Este homem que eu pensara ser de minha inteira confiança, tão logo se afastou, foi diretamente para a "Sala B" relatar tudo que eu havia falado para ele naquela manhã e disse aos outros anciãos que eu já estava influenciando minha esposa também. Deturpou várias colocações que eu fiz em particular para ele e tentou dar um ar de tragédia ao que aconteceria com a congregação caso eles não tomassem providências imediatas para evitar a contaminação.

 

Os dois homens que o escutaram eram co-anciãos e também velhos "amigos". Agiram prontamente diante do perigo que eu a partir dali passava a representar para os irmãos. Chamaram-me imediatamente e ali mesmo, surpreenderam-me com um "convite" para comparecer à uma audiência judicativa dois dias depois.

 

Uma Saída Muito Rápida

 

Tudo isso aconteceu muito rápido. Tinha de dar no que deu. Fui desassociado e, dois meses depois, foi a vez de minha esposa. Meu filho pediu dissociação junto com ela. Meu outro filho nunca foi batizado e também deixou de freqüentar o salão do Reino.

 

Embora muito rápido, achei melhor assim. Não teria sido bom aumentar a angústia e sofrimento de minha família. Nessas horas, precisamos ser fortes e corajosos para tomar decisões desse tipo. Minha esposa e eu nunca apelamos para ações covardes e insinceras nem queríamos ficar fingindo crer em coisas que não mais faziam sentido em nossas vidas.

 

Não precisei contender com meus amigos Testemunhas que estupefatos me viram sair tão subitamente. Nem criei confusões desnecessárias com eles. Saí "de bem com a vida" e com meus ex-parceiros de fé. Alguns poucos ainda me ligam e chegam a conversar demoradamente comigo sobre seus dramas na organização, enquanto outros fogem de mim quando me encontram por aí. O padrão de sempre...

 

O fato de eu ter sido um "irmão calmo e bondoso" como algumas irmãs idosas me chamavam, atraiu a atenção inicial das pessoas para os motivos de minha saída, mas logo se espalharam boatos difamantes para denegrir minha imagem a ponto de durante o tempo que se passou entre minha saída e a de minha esposa, eu a ver chorando por causa do que se dizia de mim ali dentro. Isso a deixava muito revoltada e nervosa.

 

Para Concluir...

 

Hoje tudo isso é passado. Queremos esquecer o quanto fomos machucados pelo espírito desamoroso que a organização implantou nos corações de seus membros em relação ao tratamento dado aos que deixam suas fileiras.

 

Queremos apenas lutar para levar uma vida digna e cristã mas bem longe de atitudes de empáfia religiosa.

 

Como família, temos nos achegado mais a nosso Pai celestial e a seu Filho, Jesus. Nossa fé e confiança são dia-a-dia fortalecidas por nossas orações e por pequenas sessões de leitura da Bíblia, em família.

 

São particularmente gratificantes os momentos em que compartilhamos vitórias e derrotas do cotidiano. Apegamo-nos sempre à abordagem cristã para cada caso e isso tem sido muito bom.

 

Queremos ser uma família cristã normal como qualquer outra nesse mundo dilacerado por conflitos. Depositamos nossas esperanças futuras nas mãos do Criador e isso tem um efeito aliviador. Por cultivar a fé nas promessas da Bíblia, elas se fortalecem em nossas mentes e corações.

 

Cremos que algum dia nosso Deus amoroso irá resolver todos os assuntos de nosso planetinha da melhor forma, usando Sua justiça, Sua sabedoria, Seu poder e Sua misericórdia a favor de sua criação. (Revelação 21:1-4)

 

Quanto à pregação do evangelho, creio que temos coerentemente tentado dar bom testemunho cristão por meio de nossa conduta diária (Mateus 5:16) e das conversas informais com vizinhos e colegas de trabalho/escola sobre temas bíblicos palpitantes como o da ressurreição dos mortos, a volta de Cristo, o resgate dele por nós, salvação, etc. A grande diferança agora é que não mais precisamos dar satisfação ("relatórios") do tempo gasto em falar às pessoas sobre nosso Criador...

 

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