Artigo de

Lucas Cardoso Teixeira

Escreva para mim: veredadosjustos@gmail.com

"A Questão do Sangue"

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

Após o dilúvio Deus separou realmente o sangue como sagrado e deu uma ordem sobre isso a toda a humanidade? Era isto que estava em consideração quando Deus falou com Noé? Se não, então o que realmente estava em consideração?

O que realmente era proibido em relação ao sangue e em que circunstâncias dentro da Lei Mosaica?

Qual era a verdadeira questão em juízo na decisão tomada pelos anciãos do primeiro século em Atos capítulo 15?

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PARTE 1

Após o dilúvio Deus separou realmente o sangue como sagrado e deu uma ordem sobre isso a toda a humanidade? Era isto que estava em consideração quando Deus falou com Noé? Se não, então o que realmente estava em consideração?

(Gênesis 9:3-6) 3 Todo animal movente que está vivo pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, deveras vos dou tudo. 4 Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer. 5 E, além disso, exigirei de volta vosso sangue das vossas almas. Da mão de cada criatura vivente o exigirei de volta; e da mão do homem, da mão de cada um que é seu irmão exigirei de volta a alma do homem. 6 Quem derramar o sangue do homem, pelo homem será derramado o seu próprio sangue, pois à imagem de Deus fez ele o homem.

No versículo 4 Deus proibiu comer a carne ainda com a alma. O que significa isso? Significa o sangue literal ou o sangue aqui é um símbolo? 

No versículo 5 o Criador disse que exigiria de volta o sangue e em seguida no mesmo versículo faz referência a exigir de volta a alma como expressão intercambiável. Estava Deus falando do sangue literal ou como símbolo?

No versículo 6 Deus estabelece a pena de morte para quem derramasse o sangue de outro humano. Estava o Criador falando do sangue literal ou como símbolo?

Para entendermos então o uso que o próprio Criador fez da palavra SANGUE nos dias de Noé é preciso entender primeiro o uso que a Bíblia faz da palavra ALMA.

Vários textos mostram que a alma é a própria pessoa (Gênesis 2:7; Gênesis 46:18; Levítico 7:20; Salmo 35:13; Jeremias 13:17; Jonas 2:7; Levítico 5:4; Deuteronômio 12:20; Atos 2:43; Deuteronômio 24:7; Salmo 7:5; 105:18; Josué 11:11; Ezequiel 18:4)

Partindo deste princípio nós temos:

(Gênesis 35:16-18) 16 Partiram então de Betel. E havendo ainda um bom trecho de terra antes de se chegar a Efrate, Raquel passou a dar à luz, e o parto lhe era difícil. 17 Mas, aconteceu que, enquanto estava tendo dificuldades no parto, a parteira lhe disse: “Não tenhas medo, pois terás também este filho.” 18 E o resultado foi que, enquanto a sua alma partia (porque estava morrendo), ela chamou-o pelo nome de Ben-Oni; mas o seu pai chamou-o de Benjamim.

Comentário: O texto acima é praticamente auto-explicativo. Fazer referência à alma de Raquel partir nada mais é que dizer que ela estava morrendo. Não havia nada de imaterial saindo literalmente de Raquel, apenas o fato de sua vida estar findando. Vamos a outro exemplo:

(1 Reis 17:20-22) 20 E começou a clamar a Jeová e a dizer: “Ó Jeová, meu Deus, é também à viúva com que resido como forasteiro que tens de trazer prejuízo, fazendo-lhe morrer o filho?” 21 E passou a estender-se três vezes sobre o menino e a clamar a Jeová, e a dizer: “Ó Jeová, meu Deus, por favor, faze a alma deste menino voltar para dentro dele.” 22 Jeová escutou finalmente a voz de Elias, de modo que a alma do menino voltou para dentro dele e este reviveu.

Comentário: O menino havia morrido. No sentido figurado o texto se refere a isso como tendo a alma saído do menino. Portanto a expressão fazer a alma do menino voltar para dentro dele nada mais é que o menino voltar à vida. Mais um exemplo:

(Atos 20:9-10) 9 Certo jovem, de nome Êutico, sentado à janela, foi tomado de sono profundo enquanto Paulo falava, e, caindo durante o sono, despenhou-se do terceiro pavimento e foi apanhado morto. 10 Mas Paulo desceu, lançou-se sobre ele, e, abraçando-o, disse: “Parai de levantar um clamor, pois a sua alma está nele.”

Comentário: Mais um caso que mostra o mesmo princípio dos anteriores. O rapaz havia morrido ao cair do terceiro andar da casa. Paulo debruça-se sobre o rapaz e o ressuscita.

O rapaz volta a viver e querendo dizer exatamente isso Paulo diz que a alma do rapaz estava nele. Em todos os casos a conclusão é a mesma: Quando a bíblia faz menção da alma estar no corpo significa que a pessoa está viva. Quando faz menção da alma sair do corpo significa que a pessoa está morta.

Volte agora a Gênesis 9:3-6 e leia com atenção. Vamos responder às perguntas suscitadas:

Deus proibiu comer a carne ainda com a alma. O que significa isso?

Resposta: Significa que a partir dali Deus estava permitindo ao homem comer carne animal. Porém o respeito pela vida exigiria que primeiro o animal fosse morto. Não se poderia comer a carne ainda com a alma. Portanto a questão não era o sangue literal e sim o sangue em sentido simbólico. Sangrar o animal seria o indicativo de que não se estaria comendo o animal vivo – ou com sua alma. Se o Criador estivesse se referindo ao sangue literal certamente daria instruções pormenorizadas a Noé quanto à quantidade de sangue que deveria ser extraída de um animal antes de usá-lo como alimento uma vez que algo em torno de 50% do sangue de um animal ainda permanece no corpo mesmo depois do animal sangrado. O Criador deu instruções pormenorizadas quanto à construção da arca. Tais pormenores seriam ainda muito mais importantes em relação ao sangue, se o sentido fosse literal, uma vez que se estenderia dali por diante a toda a humanidade enquanto a arca tinha um objetivo local e se restringia somente a Noé e sua família. Assim sendo, quando o Criador diz que exigiria de volta o sangue da mão de cada um e usa de modo intercambiável exigir de volta a alma não estava se referindo ao sangue literal e sim ao SER como um todo. Estabelece-se assim um princípio muito mais abrangente de que a VIDA é sagrada, com tudo que a compõe, e não simplesmente um dos símbolos que a representa.

O versículo 6 deixa isso ainda mais claro. Nesse versículo o Criador estabelece a pena de morte a quem derramasse o sangue do homem. Se o criador estivesse se referindo ao sangue literal estaria permitindo todo tipo de assassinato que não implicasse em se derramar sangue.

Isto significa dizer que alguém poderia assassinar outra pessoa por estrangulamento, afogamento, enforcamento, envenenamento ou qualquer outro método que não derramasse sangue. Isto livraria a pessoa da pena de morte. Acha mesmo que era isso que o Criador quis dizer? Com toda certeza não.

A expressão DERRAMAR O SANGUE DO HOMEM se refere a TIRAR A VIDA DE OUTRA PESSOA seja de que forma for. Portanto é a VIDA que é sagrada, sendo o sangue um símbolo dela e jamais estando acima da vida em si. Não houve ambigüidade na ordem dada a Noé. Em momento algum o Criador usou o termo sangue ora de forma literal ora de forma simbólica. Todo o sentido da ordem dada a Noé coloca o sangue no sentido simbólico e estabelece a VIDA como algo sagrado.

Ilustração: A aliança é um símbolo do casamento. Um casal caminha pela rua e é abordado por um criminoso que exige do marido as alianças do casal, caso contrário tirará a vida de sua esposa. O que você faria no lugar do marido? Diria ao criminoso que a aliança é um símbolo sagrado e por isso ele pode tirar a vida da esposa?

O que você pensaria desse marido se um caso assim de fato ocorresse e fosse veiculado na mídia? Não diria que ele sim foi o verdadeiro assassino da esposa? Você acha que uma aliança de casamento (símbolo) é mais importante do que o casamento representado por ela?

Certamente não. Alguém pode até não usar aliança e dar mais valor ao casamento que alguém que a use. Agora pense na questão do sangue:

Um pai ou uma mãe deixa seu filho morrer por recusar uma transfusão de sangue. Não estão colocando o símbolo acima da própria vida? O sangue (símbolo) tornou-se mais importante que a própria vida da criança sem que o Criador tenha pedido isso com base em Gênesis 9:3-6.

O que dizer do sangue no âmbito da Lei Mosaica? Era o sangue proibido em toda e qualquer circunstância? A PARTE 2 abordará esse assunto. 

 

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PARTE 2

O que realmente era proibido em relação ao sangue e em que circunstâncias dentro da Lei Mosaica?

(Levítico 17:1-16) E Jeová prosseguiu, falando a Moisés, dizendo: 2 “Fala a Arão e a seus filhos, e a todos os filhos de Israel, e tens de dizer-lhes: ‘Isto é o que Jeová ordenou, dizendo: 3 “‘“Quanto a qualquer homem da casa de Israel que abater um touro, ou um carneirinho, ou um caprídeo no acampamento, ou que o abater fora do acampamento 4 e não o trouxer realmente à entrada da tenda de reunião para apresentá-lo como oferta a Jeová, perante o tabernáculo de Jeová, a tal homem será imputada culpa de sangue. Ele derramou sangue, e tal homem tem de ser decepado dentre seu povo, 5 a fim de que os filhos de Israel tragam seus sacrifícios que oferecem como sacrifícios no campo aberto, e eles têm de trazê-los a Jeová, à entrada da tenda de reunião, ao sacerdote, e têm de sacrificá-los a Jeová como sacrifícios de participação em comum. 6 E o sacerdote tem de aspergir o sangue sobre o altar de Jeová, à entrada da tenda de reunião, e tem de fazer fumegar a gordura como cheiro repousante para Jeová. 7 De modo que não devem mais oferecer os seus sacrifícios aos demônios caprinos com que têm relações imorais. Isto vos servirá de estatuto por tempo indefinido, nas vossas gerações.”’ 8 “E deves dizer-lhes: ‘Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio, que oferecer uma oferta queimada ou um sacrifício 9 e não o trouxer à entrada da tenda de reunião para ofertá-lo a Jeová, esse homem terá de ser decepado do seu povo. 10 “‘Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio, que comer qualquer espécie de sangue, eu certamente porei minha face contra a alma que comer o sangue, e deveras o deceparei dentre seu povo. 11 Pois a alma da carne está no sangue, e eu mesmo o pus para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma [nele]. 12 Foi por isso que eu disse aos filhos de Israel: “Nenhuma alma vossa deve comer sangue e nenhum residente forasteiro que reside no vosso meio deve comer sangue.”

13 “‘Quanto a qualquer homem dos filhos de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio, que caçando apanhe um animal selvático ou uma ave que se possa comer, neste caso tem de derramar seu sangue e cobri-lo com pó. 14 Pois a alma de todo tipo de carne é seu sangue pela alma nele. Por conseguinte, eu disse aos filhos de Israel: “Não deveis comer o sangue de qualquer tipo de carne, porque a alma de todo tipo de carne é seu sangue. Quem o comer será decepado [da vida].”

15 Quanto a qualquer alma que comer um corpo [já] morto ou algo dilacerado por uma fera, quer seja natural quer residente forasteiro, neste caso terá de lavar suas vestes e banhar-se em água, e ele terá de ser impuro até à noitinha; e ele terá de ser limpo. 16 Mas, se não as lavar e se não banhar sua carne, então terá de responder pelo seu erro.’”

Do versículo 1 ao12 fica evidente se tratar de matar animais de modo sacrificial para fins de oferta a Jeová (versículo 4) ou expiatório (versículo 11). O versículo 11 diz que a alma da carne está no sangue. Se a alma é a própria pessoa, como já foi analisado na parte 1 desta consideração é óbvio que o Criador não estava contradizendo o que já havia dito antes a respeito do sangue. Sem dúvida a alma é muito mais que um único componente do corpo humano. Portanto, aqui em Levítico capítulo 17 o sangue mais uma vez é representativo da vida e não mais importante que a vida em si como veremos mais adiante. Uma vez que a vida do animal seria ofertada a Jeová, era de fato inadmissível fazer qualquer outro uso deste sangue (representativo da vida) que não fosse o já proposto – oferta ou expiação.

O Criador já havia orientado que o sangue de um animal, como símbolo de vida serviria para o perdão de pecados. Sacrificar um animal com este objetivo e usar o sangue de outra maneira, como alimento, por exemplo, sem dúvida incorreria em pena de morte.

Os versículos 13 e 14 abordam especificamente o uso de animais como alimento. Mais uma vez se destaca não o SANGUE em si, mas o respeito pela vida, sua santidade e sua fonte, o Criador.

Cabe aqui uma breve consideração sobre que parte do sangue do animal representava sua vida. Era o sangue que escorria por ocasião de se matar o animal ou o sangue que ainda ficava em seu corpo? Bom, se todo o sangue do animal fosse representativo de sua vida então não se poderia fazer uso algum do animal, afinal seu símbolo de vida continuaria presente. Diga-se de passagem, na maioria dos casos a quantidade de sangue que ainda fica no animal depois de morto é muito maior que o sangue que se esvai quando o animal é morto. O sangue que ainda fica no animal não pode mais representar sua vida já que o animal está morto. Seria mais coerente dizer, se assim fosse, que aquele sangue representa a morte e não a vida. O sangue que sai do animal quando ele é morto sim, representa sua vida, pois é justamente este sangue que mostra que a vida do animal está sendo tirada, está acabando. Daí a razão da ordem de não se comer carne de um animal estrangulado. Matar um animal por sangramento ou por estrangulamento pouca diferença faz na quantidade de sangue que ainda fica no corpo do animal. Mas no caso do estrangulado não se teria mostrado o devido respeito pela vida de acordo com o requisito estabelecido por Deus. Sendo aquele sangue que se extrai do animal por ocasião de sua morte representativo de vida permitia usá-lo de fato como símbolo de vida nos sacrifícios de expiação. E se o animal fosse usado como alimento? Derramar o sangue e cobri-lo com pó salientaria que a vida pertence ao Criador e que a pessoa reconhecia este fato. Como podemos ter certeza deste entendimento? Note abaixo:

Os versículos 15 e 16 fazem referência a alguém se alimentar de um animal que não tinha sido devidamente sangrado de acordo com as orientações do Criador. O animal é encontrado já morto. Exemplificando uma situação assim podemos imaginar um israelita que esteja em viagem e sem alimento ao longo da estrada. Ele poderia se deparar com um animal já morto em questão de horas por alguma fera, o que ainda não poria o animal em estado de decomposição. Ao se alimentar da carne deste animal ele estaria comendo junto o sangue.  Porém neste caso o que era mais importante? O símbolo de vida do animal ou a própria vida desse viajante que precisava de alimento? O desfecho torna a resposta óbvia. O Criador não estabelece a pena de morte a esse Israelita, apenas o coloca como impuro e estabelece o banho e o fim daquele dia para restabelecer sua pureza. Note que nem se pede que ele ofereça algum sacrifício animal como forma de pedir perdão. Ele não é tido como alguém que havia cometido algum pecado que incorresse em morte. Só a posterior desobediência ao requisito para se restabelecer a pureza é que incorreria em pena de morte. O israelita não havia desrespeitado a vida, uma vez que o animal já estava morto.

Como entender então Deuteronômio 14:21?

(Deuteronômio 14:21) 21 “Não deveis comer nenhum corpo [já] morto. Podes dá-lo ao residente forasteiro que está dentro dos teus portões, e ele tem de comê-lo; ou pode ser vendido a um estrangeiro, porque és um povo santo para Jeová, teu Deus.. . .

Note que a orientação de não se comer um corpo já morto está relacionada com serem um povo santo para Jeová. Não há nenhuma contradição com Levítico 17:15 já que de fato comer um animal sem ter sido este devidamente sangrado tornaria a pessoa impura. Portanto a orientação em Deuteronômio visa manter o povo israelita livre de tal impureza. Se isso ocorresse, que fosse numa situação em que o israelita não tivera opção, como no exemplo citado acima de um israelita em viagem. O fato de o israelita poder doar essa carne não sangrada ou vendê-la a um estrangeiro mostra que esse animal poderia muito bem ser propriedade desse israelita e ter sido encontrado morto por seu dono. Residentes forasteiros pobres poderiam muito bem se beneficiar dessa carne. Já o israelita poderia matar outro de seus animais para se alimentar. Mesmo assim o residente forasteiro que aceitasse essa carne não sangrada deveria estar ciente que comê-la o tornaria impuro, sujeito aos requisitos de purificação estabelecidos em Levítico 17:15,16.

Se fosse o sangue literal o fator sagrado, o Criador jamais permitiria que o Israelita doasse tal carne ou a vendesse, como que permitindo a outros tal suposto desrespeito pelo sangue.

Seria a mesma coisa o Criador proibir a fornicação entre seu povo mas criar leis que até facilitassem a outros povos cometer fornicação ou que seu próprio povo de alguma forma acabasse induzindo outros a tal violação.  Portanto, mais uma vez se vê que não houve desrespeito pela VIDA do animal, o que permitiria o uso de sua carne mesmo sem o animal ter sido previamente sangrado.

Isto facilita entender o relato de 1 Samuel 14:24,26,31-35 em que os soldados de Saul esfomeados comeram carne não devidamente sangrada - Devidamente sangrar é fazer com que o animal seja de fato morto ao se derramar seu sangue.

(1 Samuel 14:24) 24 E os próprios homens de Israel se viam muito apertados naquele dia, e ainda assim Saul pôs o povo sob o voto dum juramento, dizendo: “Maldito o homem que comer pão antes do anoitecer e até que eu me tenha vingado dos meus inimigos!” E nenhum do povo saboreou pão.

26 E entrando o povo na floresta, ora, eis que havia um escoamento de mel, mas ninguém punha a mão à boca, porque o povo tinha medo do juramento.

31 E naquele dia continuaram a golpear os filisteus desde Micmás até Aijalom, e o povo ficou muito cansado. 32 E o povo começou a lançar-se avidamente sobre o despojo e a tomar ovelhas, e gado vacum, e vitelos, e os abateram no chão, e o povo foi comer junto o sangue. 33 Contaram-no, pois, a Saul, dizendo: “Eis que o povo está pecando contra Jeová, comendo junto o sangue.” A isso ele disse: “Agistes traiçoeiramente. Em primeiro lugar, rolai para cá a mim uma grande pedra.” 34 Depois, Saul disse: “Espalhai-vos entre o povo, e tendes de dizer-lhes: ‘Trazei a mim, cada um de vós, seu touro e, cada um, seu ovídeo, e tendes de fazer o abate neste lugar, bem como o comer, e não deveis pecar contra Jeová por comer junto o sangue.’” Por conseguinte, todo o povo trouxe perto, cada um, seu touro que se achava na sua mão, naquela noite, e fizeram o abate ali. 35 E Saul passou a construir um altar a Jeová. Com isso principiou a construir um altar a Jeová.

Não se tratava de corpos já mortos. Assim sendo, o respeito pela vida exigia que tais animais fossem devidamente sangrados, o que parecia não estar acontecendo. Mas nem nesta situação Deus exigiu pena de morte àqueles soldados que já haviam comido carne não devidamente sangrada. Isso porque o verdadeiro culpado por ter exposto aqueles soldados àquela situação foi Saul, com seu juramento insano (versículos 24,26). A solução foi providenciar um local apropriado para o abate e para a alimentação.

Vemos assim que a Lei Mosaica continuou a enfatizar a SANTIDADE DA VIDA e em nenhum momento coloca o SANGUE acima do que ele representa: A VIDA.

Que dizer de Atos capítulo 15? Proibia realmente o sangue, incluindo hoje as transfusões de sangue? A PARTE 3 tratará desta questão.

 

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PARTE 3

Qual era a verdadeira questão em juízo na decisão tomada pelos anciãos do primeiro século em Atos capítulo 15?

(Atos 15:1-31) 15 Certos homens desceram então da Judéia e começaram a ensinar os irmãos: “A menos que sejais circuncidados, segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos.2 Mas, quando havia ocorrido não pouca dissensão e disputa com eles da parte de Paulo e Barnabé, providenciaram que Paulo e Barnabé, e alguns outros deles, subissem até os apóstolos e anciãos em Jerusalém, com respeito a esta disputa. 3 Concordemente, depois de serem acompanhados parte do caminho pela congregação, estes homens continuaram viagem, tanto através da Fenícia como [através] de Samaria, relatando em pormenores a conversão de pessoas das nações, e eles estavam causando grande alegria a todos os irmãos. 4 Chegando a Jerusalém, foram recebidos benevolamente pela congregação e pelos apóstolos e anciãos, e eles narraram as muitas coisas que Deus tinha feito por meio deles. 5 Contudo, alguns dos da seita dos fariseus, que haviam crido, levantaram-se dos seus assentos e disseram: “É necessário circuncidá-los e adverti-los que observem a lei de Moisés.” 6 E os apóstolos e os anciãos ajuntaram-se para considerar esta questão. 7 Ora, tendo havido muita disputa, levantou-se Pedro e disse-lhes: “Irmãos, bem sabeis que desde os primeiros dias Deus fez entre vós a escolha de que por intermédio da minha boca as pessoas das nações ouvissem a palavra das boas novas e cressem; 8 e Deus, que conhece o coração, deu testemunho por dar-lhes o espírito santo, assim como dera também a nós. 9 E ele não fez nenhuma distinção entre nós e eles, mas purificou os corações deles pela fé. 10 Ora, portanto, por que estais pondo Deus à prova por impor no pescoço dos discípulos um jugo que nem os nossos antepassados nem nós somos capazes de levar? 11 Ao contrário, confiamos em ser salvos por intermédio da benignidade imerecida do Senhor Jesus, do mesmo modo como também essas pessoas.” 12 Em vista disso, a multidão inteira ficou calada, e começaram a escutar Barnabé e Paulo relatando os muitos sinais e portentos que Deus fizera por intermédio deles entre as nações. 13 Depois de cessarem de falar, Tiago respondeu, dizendo: “Homens, irmãos, ouvi-me. 14 Simeão tem relatado cabalmente como Deus, pela primeira vez, voltou a sua atenção para as nações, a fim de tirar delas um povo para o seu nome. 15 E com isso concordam as palavras dos Profetas, assim como está escrito: 16 ‘Depois destas coisas voltarei e reconstruirei a barraca de Davi, que está caída; e reconstruirei as suas ruínas e a erguerei de novo, 17 a fim de que os remanescentes dos homens possam buscar seriamente a Jeová, junto com pessoas de todas as nações, pessoas chamadas por meu nome, diz Jeová, que está fazendo estas coisas, 18 conhecidas desde a antiguidade.’ 19 Por isso, a minha decisão é não afligir a esses DAS NAÇÕES, que se voltam para Deus, 20 mas escrever-LHES que se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue. 21 Pois, desde os tempos antigos, Moisés tem tido em cidade após cidade os que o pregam, porque ele está sendo lido em voz alta nas sinagogas, cada sábado.” 22 Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, junto com toda a congregação, enviar a Antioquia homens escolhidos dentre eles, junto com Paulo e Barnabé, a saber, Judas, que era chamado Barsabás, e Silas, homens de liderança entre os irmãos; 23 e escreveram por sua mão: “Os apóstolos e os anciãos, irmãos, aos irmãos em Antioquia, e Síria, e Cilícia, que são das nações: Cumprimentos! 24 Sendo que ouvimos [falar] que alguns dentre nós vos causaram aflição com discursos, tentando subverter as vossas almas, embora não lhes déssemos nenhumas instruções, 25 chegamos a um acordo unânime e pareceu-nos bem escolher homens para [os] enviar a vós, junto com Barnabé e Paulo, nossos amados, 26 homens que entregaram as suas almas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. 27 Mandamos, portanto, Judas e Silas, para que eles também possam relatar as mesmas coisas por palavra. 28 Pois, pareceu bem ao espírito santo e a nós mesmos não vos acrescentar nenhum fardo adicional, exceto as seguintes coisas necessárias: 29 de persistirdes em abster-vos de coisas sacrificadas a ídolos, e de sangue, e de coisas estranguladas, e de fornicação. Se vos guardardes cuidadosamente destas coisas, prosperareis. Boa saúde para vós!” 30 Concordemente, quando estes homens foram despachados, desceram a Antioquia, e ajuntaram a multidão, e entregaram-lhes a carta. 31 Depois de a lerem, alegraram-se com o encorajamento.

Os versículos 1 e 2 mostram que havia judeus cristãos ainda de mentalidade judaizante. Deviam exercer considerável influência entre os demais a ponto de Paulo e Barnabé terem que se dispor a levar a questão da circuncisão aos anciãos e apóstolos em Jerusalém. Esses judeus estavam criando problemas nesse sentido aos gentios que estavam se convertendo ao cristianismo, em vez de se alegrarem como Paulo, Barnabé e outros de que essas pessoas das nações haviam aceitado a Cristo (versículo 3).

Ao exporem o assunto perante a congregação em Jerusalém percebe-se que a mentalidade tacanha desses judeus cristãos tinha sua fonte em ex-membros da seita dos fariseus que apesar de aceitarem o cristianismo também queriam exigir dos gentios aderência à Lei mosaica (versículo 5).

O versículo 6 mostra claramente que o assunto em questão que passou a ser discutido foi: DEVIAM OU NÃO OS GENTIOS CONVERSOS AO CRISTIANISMO TAMBÉM GUARDAR A LEI MOSAICA?

De forma alguma era uma abordagem que visava estabelecer ou firmar dogmas a todos os cristãos, mas sim evitar discórdias desnecessárias entre judeus e gentios por causa da Lei mosaica.

Do versículo 7 ao 11 o apóstolo Pedro faz um breve discurso em que mostra que guardar a Lei mosaica não era um requisito para se ter a aprovação divina. A salvação não estava condicionada a um código de leis impossível de ser guardado por pessoas imperfeitas, sendo os próprios judeus um exemplo claro disso. Pedro enfatiza que a esperança de salvação dependia agora da benignidade imerecida de Deus na pessoa de Jesus Cristo.

Paulo e Barnabé mostram em seguida que independente da Lei mosaica Deus estava abençoando sobremaneira essas pessoas das nações que agora expressavam fé no sacrifício de Cristo (versículo 12) deixando claro mais uma vez que guardar a Lei mosaica não era um requisito dentro do cristianismo.

Do versículo 13 ao 18  Tiago mostra inclusive que a união de judeus e gentios já havia sido profetizada. Essa união não estava ligada à Lei mosaica, muito pelo contrário. O apóstolo Paulo, escrevendo aos efésios, mostrou que essa união girava em torno de Cristo Jesus, que mediante seu sacrifício destruiu justamente o muro que separava Judeus e gentios, ou seja, a Lei mosaica (Efésios 2:13,14). Portanto o veredito de Tiago foi não afligir essas pessoas das nações com quaisquer observâncias da Lei. Porém Tiago reconheceu que a Lei de Moisés ainda tinha uma influência muito forte entre os judeus já que todo sábado era lida nas sinagogas (versículo 21). Sua sugestão foi (versículo 20) orientar os gentios respeitar certos aspectos Lei mosaica que evidentemente não se chocassem com os princípios do Cristianismo, porém não como profissão de fé para os cristãos, mas como concessão. Tendo todos concordado com a argumentação de Tiago e percebendo a orientação divina no assunto providenciaram que fosse enviada uma carta às congregações direcionada especificamente às pessoas das nações (versículos 22 a 28).

Por que orientar os gentios a absterem-se exatamente de coisas sacrificadas a ídolos, de sangue, de coisas estranguladas, e de fornicação?

Porque esses eram aspectos muito fortes para os judeus cristãos que ainda tinham escrúpulos em relação à Lei mosaica. Se um gentio se abstivesse de tais coisas estaria demonstrando madureza e evitando criar inimizades com pessoas fracas na fé e de mente fechada. Abster-se dessas coisas não representava exatamente nenhum sacrifício para um gentio. Veja abaixo:

 

COISAS SACRIFICADAS A ÍDOLOS E ESTRANGULADAS E SANGUE

Se um gentio ainda estivesse fazendo sacrifícios a ídolos obviamente não teria sido aceito como cristão.  (1Coríntios 10:20,21) Mas um gentio que agora sabia que um ídolo nada mais é além do material com que é feito poderia de boa consciência entrar num templo de ídolos romano e comprar carne pra si e para a família, ou até se alimentar ali mesmo. Essa carne muito provavelmente teria sido antes ofertada aos deuses pagãos. No passado esse gentio já comera tal carne de maneira reverente, mas agora sabia que tal carne era simplesmente carne e não tinha porque não comê-la. Mas um judeu cristão que o visse fazendo isso usaria tal informação para criticá-lo e até desprezá-lo na congregação. Nada disso contribuiria para a paz e união.

Posteriormente, o apóstolo Paulo acrescentou que mesmo outro gentio convertido poderia tropeçar se visse um cristão num templo assim, embora deixasse claro que o fraco na fé não era a pessoa que estava no templo, mas sim o que tropeçasse, pois este último mostraria ter uma consciência fraca. Porém, não seria cristão ferir a consciência deste irmão fraco. Melhor seria a abstinência desse alimento. (Romanos 14: 1 Coríntios 8: 1 Coríntios 10:25-33)

Ter o apóstolo Paulo mencionado em 1 Coríntios 10:27 que os cristãos poderiam ‘passar a comer de tudo o que se pusesse diante deles sem fazer indagações sobre o alimento’ salienta que ter sido o animal sangrado ou estrangulado não deveria ser mais motivo de preocupação. Tal aspecto passou a ser questão de consciência, devendo o cristão maduro tão somente se preocupar com a consciência fraca de seus co-irmãos ou outros para não fazê-los tropeçar. Essas orientações de Paulo não fariam o menor sentido e até seriam contraditórias se a decisão dos apóstolos e anciãos em Jerusalém (Atos 15) estivesse expressando um dogma para todos os cristãos.

 

FORNICAÇÃO

COMO PODERIA UM GENTIO TER SE TORNADO CRISTÃO SENDO UM PRATICANTE DE FORNICAÇÃO? Não poderia. Fornicação faz parte das obras da carne (Gálatas 5:19) e um gentio ainda praticante de fornicação não teria sido aceito como cristão a menos que primeiro tivesse sido “lavado” (1 Coríntios 6:11)

Mas a carta enviada citada em Atos 15 é justamente destinada a irmãos cristãos gentios. Essas pessoas das nações não eram pecadores precisando se abster de um ato ilícito. Pedir tal abstinência seria pressupor que esses gentios eram pessoas imorais. Hoje isso seria tratado como preconceito étnico, como se o fato de se pertencer ao grupo dos gentios fizesse alguém automaticamente ter propensão para a imoralidade, o que não era o caso.  Lembre-se que embora esta carta tenha sido escrita há cerca de dois mil anos quando não havia ainda os modernos conceitos de preconceito, ela (a carta) também “pareceu bem ao espírito santo”. Qualquer moderno conceito contra o preconceito e a discriminação por parte de humanos imperfeitos apenas reflete o senso de justiça que o Criador já tem em absoluta perfeição.

Sendo assim não era a esse tipo de fornicação que se referiram os apóstolos e anciãos de Jerusalém. Como já vimos acima, o que estava em consideração eram aspectos da Lei mosaica que não eram seguidos pelos gentios (nem mesmo como cristãos eram obrigados a fazê-lo) e que estes ao se tornarem cristãos entraram em choque com judeus cristãos de mentalidade tacanha que ainda estavam presos à Lei mosaica. Que tipo de “fornicação” era então?

O livro de Levítico, no capítulo 18, mostra esse tipo de fornicação dentro da Lei mosaica, o incesto. O versículo 6 diz: “Não vos deveis chegar, nenhum de vós, a qualquer parente carnal que lhe seja chegado, para descobrir a nudez.” Mesmo que um gentio não se relacionasse com um parente num grau tão próximo como pai e filha, mãe e filho, ainda assim casamentos incestuosos eram totalmente parte integrante da cultura desses povos antigos. A mitologia greco-romana contém vários exemplos de relacionamentos incestuosos que se refletiam tanto na nobreza quanto na vida de pessoas comuns. O incesto fazia parte do cotidiano dos gentios e até hoje alguns grupos como os Amish praticam o casamento endogâmico. Mesmo assim, dados os fatores congênitos sabidamente negativos de tais relacionamentos é totalmente desaconselhável e incompatível com o amor cristão expor os frutos de tal união a deformidades físicas e mentais. Essa consciência cristã certamente orientou e impediu relacionamentos assim. Mas o fato de primos se casarem entre si ainda hoje mostra que embora desaconselhável, certos graus de incesto ainda são de certa forma tolerados.

Porém, o foco dos cristãos judaizantes se concentrava nas proibições impostas pela Lei mosaica que considerava o incesto como impureza, conduta desenfreada, algo detestável (Levítico 18:17, 24, 26). As relações sexuais dentro de um relacionamento incestuoso eram tratadas na Lei mosaica como relações sexuais ilícitas. Toda relação sexual ilícita está contida no termo grego porneía usado em Atos 15 e este termo para fornicação inclui o incesto. Abster-se de fornicação nesse caso, portanto significava não contrair matrimônio com parentes consanguíneos, algo normal para um gentio mas abominável para um judeu.

Sendo assim a resposta à pergunta "DEVIAM OU NÃO OS GENTIOS CONVERSOS AO CRISTIANISMO TAMBÉM GUARDAR A LEI MOSAICA?" é NÃO. Mas, na carta enviada a essas pessoas das nações, embora não se acrescentasse nenhum fardo adicional, foram alistadas algumas coisas necessárias para o bom convívio entre judeus e gentios dentro da congregação cristã ainda nos seus primórdios. Isso mostra o bom senso e a tolerância que somente o verdadeiro cristianismo pode gerar em contrapartida com a arrogância e o fanatismo religiosos tão presentes nas religiões e seitas apóstatas que se autodenominam detentoras da verdade.

Valer-se dessas orientações específicas dadas aos gentios em Atos 15 e de outras passagens bíblicas que mencionam o sangue e usá-las, por exemplo como proibição às transfusões de sangue é uma crassa apostasia do que realmente está escrito na Bíblia.

Como já vimos na parte 2 desta série o sangue que representa a vida é o sangue extraído na ocasião em que se tira a vida do animal. Assim, o sangue doado não pode representar a vida do doador uma vez que o doador continua vivo. O sangue doado pode sim ser considerado símbolo de vida, mas não a vida do doador, mais fácil é dizer que representa a vida de quem necessita dele, o receptor. Portanto, uma transfusão de sangue não implica em desrespeito ao princípio da Santidade da Vida, embora isto esteja no âmbito de uma decisão pessoal, devendo cada um decidir por si. O sangue é um órgão do corpo humano como coração, pulmão, rins, fígado, etc. E, ao ser transfundido, continua sangue, pois não se trata de alimentação, mas sim de um transplante de órgão. Muito mais poderia ser dito nesse campo, mas isso já daria um outro tópico.

Pelo que foi visto nesta breve série de artigos, quão hipócrita é alguém não doar sangue dizendo estar seguindo “normas divinas” (na verdade normas apóstatas de uma organização religiosa) e depois recorrer ao sangue doado de dezenas de pessoas ou até mais para a extração de um único tipo de fração sanguínea para ser usado num só tratamento. Para se beneficiar do sangue de outros essa pessoa não vê problemas, mas vê pecado em fazer o mesmo por outras pessoas. Tudo isso com total apoio e respaldo da seita religiosa intitulada Testemunhas de Jeová.

A Bíblia descreve o Criador não como fonte do sangue, mas como “fonte da vida”, um termo muito mais apropriado e abrangente (Salmo 36:9). Colocar o sangue, símbolo de vida, acima da própria vida estando dispostos a morrer ou deixar morrer por causa disso coloca as Testemunhas de Jeová como adoradores do sangue e não do Criador.

Muitas organizações ditas cristãs têm sua história manchada do sangue de pessoas inocentes. Esta organização sectária Testemunhas de Jeová não só tem seu passado manchado, mas continua escrevendo sua história com o sangue de membros inocentes escravizados por suas falsas doutrinas.

(Revelação 18:24) 24 Sim, nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.”

(Mateus 7:22-23) 22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome e não expulsamos demônios em teu nome, e não fizemos muitas obras poderosas em teu nome?’ 23 Contudo, eu lhes confessarei então: Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei.

fim da série