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016 - "Saí dela, povo meu"

C., Portugal, 9/05/2002

Li algumas partes da sua página na internet. Sou uma TJ activa e com elevadas responsabilidades a nível de congregação e não só. Devo admitir que algumas das coisas publicadas fazem algum sentido e levantam questões importantes. Que a organização não é perfeita todos concordamos, mas também nunca ninguém defendeu isso. Evidentemente, muitas coisas lamentáveis têm sido cometidas por alguns e eu tenho testemunhado muitas delas.

Prezado C.

Recebo com alegria sua mensagem - especialmente pelo tom polido e amistoso de suas palavras. Percebo também a profunda sinceridade com que se expressa a favor de sua fé, reconhecendo de forma cândida as limitações de sua religião. Certamente, se mais pessoas estivessem dispostas a seguir seu exemplo, abrindo as portas ao diálogo amigável e à conciliação, muitas diferenças poderiam ser dirimidas entre os indivíduos e o mundo seria menos castigado pelas consequências do fundamentalismo religioso.

Sinto-me reconfortado por você ter compreendido a motivação de meu trabalho, tendo empreendido tempo para a consideração séria de meus questionamentos. Fico também surpreso e, ao mesmo tempo, feliz com sua candura em reconhecer que as questões que levanto fazem sentido. Reveste-se, igualmente, de grande significado sua franca admissão sobre ter "testemunhado muitas coisas lamentáveis", praticadas por algumas Testemunhas de Jeová. Eu também as testemunhei e poderia passar horas fazendo relatos. Por outro lado, estou certo de que sua comunidade, assim como a minha, deve ter ouvido por diversas vezes - em resposta a estas mesmas coisas lamentáveis - uma expressão do tipo "a Organização é perfeita, os irmãos é que são imperfeitos". Considere a fundo esta declaração, pois ela faz, segundo o que percebo, parte de um jargão destinado a bloquear os questionamentos que surgem naturalmente, toda vez que membros de uma organização dita 'perfeita' são achados em crassa transgressão. Ora, se analisarmos a referida expressão, tão comum entre as Testemunhas de Jeová, fica evidente seu caráter contraditório, pois uma organização NÃO pode ser perfeita se aqueles que a compõem são imperfeitos, assim como uma máquina não pode ser declarada perfeita se qualquer uma de suas peças for defeituosa ou passível de mal funcionamento. É o mesmo que dizer, "este automóvel é perfeito, embora seus freios sejam defeituosos". A "Organização" é composta de pessoas imperfeitas, logo, por uma questão de lógica, ELA TAMBÉM É IMPERFEITA. Uma corrente é tão forte quanto o mais fraco de seus elos. Sendo ela imperfeita como as demais, cabe um exame elucidativo para justificar uma classificação à parte das outras religiões. Muito embora, ninguém tenha, de forma explícita, dito que a inteira associação de Testemunhas pelo mundo seja perfeita, não se pode negar que a literatura da Sociedade Torre de Vigia tem repetidamente enfatizado a condição de 'paraíso espiritual' como exclusiva de sua comunidade. Por exemplo, a edição de 15 de março de 1986 da revista A Sentinela, p. 20 e parágrafo 16, afirma que "somente no paraíso espiritual , entre as Testemunhas de Jeová, podemos encontrar o amor abnegado que Jesus disse identificaria seus verdadeiros discípulos". Presume-se, à base de tal afirmação, que a incidência de faltas graves entre os membros desta denominação é muito inferior àquela encontrada entre os ramos protestantes, ou as igrejas católica, anglicana etc. Todavia, a ocorrência de graves faltas morais entre as Testemunhas de Jeová, reconhecida por você e por mim, demonstra claramente a natureza insubmissa e falível do ser humano, o que põe por terra a falácia de 'povo especial', apregoada pela Sociedade Torre de Vigia. Nenhum grupo religioso foi capaz, em toda a história, de se manter moralmente estéril. No entanto, as publicações da Organização continuam a destacar a conduta de seus membros em relação às demais denominações. Agora, pergunte-se: onde estão os dados estatísticos que confirmam esta teoria? Se eles não existem - e eu nunca os vi enquanto membro desta comunidade - então por que a organização continua a fazer esta propaganda duvidosa?

 

Acho porém que o amor pelos irmãos que sinceramente buscam servir a Jeová me deve motivar a permanecer dentro da congregação, onde os poderei auxiliar e eventualmente defender de outros menos equilibrados. Evidentemente, não são dos que aceitam só por aceitar tudo o que lhes é dito, mas reconheço que, muitas vezes, deixo de dizer o que me apetecia, pois, se o fizesse, ser-me-ia mais difícil ver-me envolvido na tomada de posições que podem beneficiar os meus irmãos.

Compreendo e respeito sua decisão. Estou certo de que ela se baseia na sinceridade. Todavia, a própria Sociedade Torre de Vigia afirma, no livro "Poderá viver..." (p. 31) que SINCERIDADE SÓ NÃO BASTA, é preciso fazer a coisa certa. Deveras, o antigo livro "Verdade que Conduz..." também afirma que fazer uma coisa com sinceridade não a torna certa, se ela for realmente errada. Assim sendo, que coisas ensinará às pessoas? Está realmente certo de que aquilo que lhe foi dito durante estes anos representa a verdadeira forma de cristianismo? Pode afirmar com certeza que o Corpo Governante constitui, de acordo com as publicações, o ÚNICO CANAL DE COMUNICAÇÃO ENTRE DEUS E A HUMANIDADE? Pessoas "menos equilibradas" existem em todas as religiões - este não é o cerne da questão. O que realmente preocupa é aquilo em que os "mais equilibrados" crêem. Ao passar os ensinamentos da organização a estas pessoas, grande será sua responsabilidade. Se eles estiverem corretos, você terá feito um trabalho excelente, mas SE não estiverem, terá sido cúmplice daqueles que distorceram as Escrituras para legitimar sua autoridade sobre os homens. Deste modo, quando alguém for civil ou penalmente prejudicado por ser objetor de consciência ao serviço militar, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando alguém perder um ente querido ou a própria vida pela recusa de um tratamento médico à base de derivados de sangue, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando alguém rejeitar ofertas de estudos ou carreiras promissoras para se dedicar exclusivamente à Organização, com consequências vitalícias, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando alguém cortar laços com amigos ou parentes que deixaram a organização, recusando-se a sequer cumprimentá-los, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando casais se separarem após um dos cônjuges tornar-se Testemunha de Jeová, afetando adversamente a convivência familiar, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL; quando pessoas se sentirem esgotadas por ser requerido delas sempre mais em horas de pregação, em colocações, em revisitas, em estudos, assiduidade a reuniões, discursos, obtenção de cargos etc., VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL. Em retrospecto, VOCÊ TAMBÉM SERÁ RESPONSÁVEL pela promoção de uma organização que proibiu as vacinações entre as décadas de 20 e 50, com um número indeterminado de mortos e aleijados; que proibiu os transplantes de órgãos entre 1967 e 1980, com mais vítimas; que sucessivamente proibiu e liberou componentes do sangue entre os anos de 1945 e 2000, sabe-se lá com quantos mortos mais. Em face das graves repercussões dos ensinos passados e presentes da Sociedade Torre de Vigia sobre a vida de seis milhões de seres humanos, certamente você não poderá se eximir da responsabilidade como representante dela. Por isso, cabe um exame imparcial sobre suas crenças - do mesmo tipo que a Organização estimula os membros de outras religiões a fazer. Estará disposto a isso?

 

Li algumas das idéias defendidas também por aqueles que deixaram a organização e agora se dizem livres. Mas, algumas questões deixam de ser abordadas por vós (o que é conveniente de resto...). Por exemplo: é biblicamente claro que existiria nos nossos dias um Escravo Fiel e Discreto, e é fácil verificar que tal escravo seria uma classe e não um ser individual; QUEM É ENTÃO ESTE ESCRAVO?

Esta é uma questão que merece séria consideração, pois constitui um dos pilares sobre os quais assenta-se a comunidade das Testemunhas de Jeová. Como deve saber, Cristo costumava falar em parábolas (Mateus 13:34). Concordemente, se a parábola do 'escravo fiel' (Mateus 24: 45) foi transformada em profecia, precisamos determinar até que ponto as outras também seriam. Por exemplo, onde está a classe atual do "bom samaritano" (Lucas 10: 33), ou a classe do "construtor da torre" (Lucas 14: 28), ou a classe da "figueira" (Mateus 21: 19), ou a classe do "dono do vinhedo" (Mateus 20: 1), ou a classe dos "odres velhos" e dos "odres novos" (Lucas 5: 36-40), ou a classe do "credor" e dos "devedores" (Lucas 7: 41), ou a classe do "grão de trigo" (João 12: 24)? Se a parábola do "escravo" tinha sentido profético e uma identidade específica, o que dizer destas outras? Por outro lado, se estas parábolas tinham sentido de exortação, por que não pode se dar o mesmo com aquela? Quanto ao "escravo" ser um indivíduo ou uma classe, saiba que o próprio Russell acreditava e ensinava que constituía UMA PESSOA, ele próprio. Um livro bastante louvado pela obra Proclamadores, o "Mistério Consumado', de 1917, chamava o pastor Russell diretamente de "escravo fiel e discreto". Quem discordasse, era considerado como não sendo parte do "povo de Deus". Poderá conferir este episódio na pág. 143 do Proclamadores. Lembre-se que ESTE era o ensino da Sociedade no suposto período de inspeção e aprovação daquele grupo por Cristo em 1918-9. Só muitos anos no futuro, tal prerrogativa foi gradativamente retirada dos ombros do 'pastor' por seus sucessores. Convido-o a ler um artigo escrutinador e contundente sobre este tema no endereço indicado abaixo e uma A Sentinela de julho de 2013 onde mais uma "nova luz" torna obsoleto o ensino anterior. Creio que encontrará importantes revelações.

http://www.testemunha.com.br/conteudo.asp?cod=12

A Sentinela de 15 de julho de 2013 - Trazendo "novo entendimento" sobre a identidade do corpo governante e vários outros detalhes

 

Também é clara a ordem bíblica de se pregar as boas novas, não há como fugir desta ordem, e os exemplos bíblicos mostram que isso se fazia como hoje o fazem as TJ.

Este tópico já foi abordado por outro leitor, tempos atrás. Antes de qualquer coisa, pergunto-lhe: QUEM o informou que os pregadores nos tempos bíblicos faziam como as TJ fazem hoje? Resposta - a Sociedade Torre de Vigia! Se você perguntasse aos líderes de uma igreja protestante como pregavam os antigos cristãos, eles também lhe responderiam, "do modo como NÓS fazemos". O mesmo acontecerá se você indagar um católico, um cristadelfo, um anglicano etc., só obterá respostas tendenciosas. Assim sendo, não seria melhor examinar o que dizem as próprias escrituras à luz da gramática, ao invés de aceitar passivamente o que ensina uma liderança religiosa? O que é mais importante - a pregação em si ou simplesmente a FORMA com que é feita? Estas são perguntas pertinentes. Por favor, vá à minha seção de correspondência dos leitores, abra a mensagem "De Casa em Casa" e encontrará a resposta.

 

Clara também é a ordem bíblica de os cristãos genuínos se reunirem, pelo que não é solução simplesmente afastar-se e viver a vida como cristão 'caseiro'.

Caro C., não me oponho ao ajuntamento de pessoas com uma causa comum, o que questiono é a FORMA com que isto é feito. Pode você afirmar que APENAS as Testemunhas de Jeová se ajuntam como cristãos no mundo? Não fazem os mesmo as centenas de outras denominações cristãs? Não realiza a igreja católica missas semanais? Não promovem as entidades evangélicas cultos e encontros bíblicos aos quais comparecem multidões? Creio que o que está em questão não é a necessidade de usufruir da companhia de outros cristãos, mas a LEGITIMIDADE de uma organização CENTRALIZADA E CONTROLADORA pairando sobre a comunidade cristã. Se por um lado, o ministério "caseiro" é objetável, que dizer de um "exército" de seguidores submissos e coordenados por uma organização com sede central em um país específico, da qual emanam todas as interpretações e diretrizes sobre como deve ser conduzida a vida de seus comandados? Aproxima-se mais do modelo bíblico? Esta é uma questão que precisa ser debatida.

 

Como estas muitas outras questões se colocariam. Não seria mais prático que internamente tentássemos resolver alguns problemas que existem??

Esta opção parece, à primeira vista, razoável - mas, tem sérias implicações. Considere o seguinte: o pastor Russell foi criado como presbiteriano (leia o relato no livro Proclamadores). No entanto, inconformado com as doutrinas da predestinação e do inferno, abandonou esta denominação e passou para a Igreja Congregacional. Não adiantou - de lá, Russell passou a vagar sem fé, até o ano de 1869, quando visitou um culto adventista, dirigido pelo pastor Jonas Wendell. Russell - de acordo com suas próprias palavras - encontrou ali a reconciliação com sua fé, mas JAMAIS SE TORNOU UM ADVENTISTA propriamente dito (muito embora este termo designasse mais uma corrente religiosa do que um grupo em particular). Preferiu criar seu grupo INDEPENDENTEMENTE. Reconheceu sua dívida para com os adventistas, mas NÃO SE JUNTOU A ELES como organização. O provável motivo - embora concordasse com os principais pontos daquela doutrina, não a aceitava por inteiro. Havia pontos a serem corrigidos. Pergunte-se: POR QUE ELE NÃO TORNOU-SE UM ADVENTISTA, TENTANDO "INTERNAMENTE" RESOLVER OS PROBLEMAS? Por que abandonou o prebiterianismo, depois o congregacionalismo, depois o adventismo, ao invés de 'reformá-los'? Três vezes teve ele a oportunidade de agir assim e três vezes rejeitou tal proceder. Por quê? Resposta: por que ele sabia que um só homem dificilmente conseguiria reformas significativas em organizações há muito estabelecidas, confinadas a antigos conceitos e "fossilizadas" sob o jugo de uma liderança conservadora. Se ele próprio não julgou ser capaz de empreender tal tarefa, preferindo o caminho individual, COMO PODERÁ VOCÊ FAZÊ-LA? A menos que faça parte do Corpo Governante, não terá a mais remota chance. E mesmo que se tornasse um dos membros, seu voto perderia para os demais, como aconteceu inúmeras vezes durante os anos 70, de acordo com o relato de Raymond Franz, um ex-membro do corpo, desassociado em 1981. Semelhante a você, ele também achou que poderia resolver 'internamente' certas questões doutrinárias, ocupando uma posição daquele nível. Não conseguiu. Acha que como humilde ancião local ou mesmo superintendente dará conta desta gigantesca tarefa? Lembre-se que a organização segue um modelo de pirâmide hierárquica, típico das grandes empresas. Acha que poderá colocar "remendos novos em roupa velha"? Pessoalmente, duvido. Uma pessoa de minha convivência, que foi ancião e membro da Organização por cerca de 24 anos, também teve, a princípio, esta idéia, mas logo percebeu que seu objetivo era impossível, em razão da própria estrutura da Sociedade. Este amigo preferiu aplicar o conselho bíblico que diz: "Saí dela, povo meu, se não quiserdes ser partícipes de seus pecados e receber parte de suas pragas..." (Rev. 18: 4) Hoje, ele considera-se, de fato, livre do peso desta culpa.

Caro C., sinceramente espero que minhas considerações o induzam à reflexão séria. Há cerca de dois anos tenho pesquisado profundamente o movimento religioso das Testemunhas de Jeová e os frutos desta pesquisa estão em minha HP, com as devidas evidências documentais. Creio que um exame imparcial destas evidências poderá ajudá-lo a pesar sua decisão com conhecimento de causa, pois quando alguém é ignorante dos fatos acerca daquilo que defende, pode-se chamar de vítima; mas quando têm plena consciência da gravidade deles e, ainda assim, os endossa, deve-se chamar de cúmplice!

Receba minhas calorosas boas-vindas e sinta-se à vontade para pesquisar e me escrever sempre que julgar conveniente.

Cordialmente,

Odracir

 

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