QUEM ERA RUSSEL, AFINAL?

Crédito: Odracir

 

1

"Milhares de leitores dos escritos do Pastor Russell acreditam que ele ocupava a posição daquele 'servo fiel e prudente' [Mateus 24: 45], e que sua grande obra estava provendo à Casa dos Fiéis o alimento em tempo apropriado. Sua modéstia e humildade o impediam de proclamar abertamente esse título, mas ele o admitiu em conversa particular."

- A Sentinela de 1/12/ 1916, p. 357 (em inglês)

2

"... o escravo fiel e discreto, Pastor Russell."

- O Mistério Consumado, 1917, p. 418 (em inglês)

3

"As Escrituras indicam que Russell foi escolhido pelo Senhor desde seu nascimento. Os dois mais proeminentes mensageiros foram [o apóstolo] Paulo e o Pastor Russell. Russell é o servo de Mateus 24: 45-47."

- A Sentinela de 1/12/ 1916, p. 6159 (reimpressão em inglês)

4

"... Em essência, mostramos que a Sociedade é uma organização inteiramente religiosa; que os membros aceitam como seus princípios de crença a santa Bíblia, conforme explicada por Charles T. Russell;..."

Anuário de 1976, p. 106 (em português)

5

"Todos os Estudantes da Bíblia, seguidores do Pastor Russell,..."

- O Mistério Consumado, 1917, p. 126 (em inglês)

6

"Não há nada na verdade presente de hoje alguém que possa honestamente dizer que recebeu conhecimento do plano divino de qualquer outra fonte que não o ministério do irmão Russell... Então, repudiá-lo ou à sua obra equivale a repudiar o Senhor..."

- A Sentinela de 1/5/1922, p. 132 (em inglês)

7

"Quando interrogado sobre quem era o 'servo fiel e prudente', Russell respondia, 'Alguns dizem que sou eu enquanto outros dizem que é a Sociedade; ambos são verdadeiros, já que Russell era, de fato, a Sociedade."

- A Sentinela de 1/3/1923, p. 68 (em inglês)

8

"[As Testemunhas de Jeová] ...tinham de ser libertadas de... idéias e práticas da religião falsa... Algumas exaltavam criaturas, entregando-se a um culto de personalidade ligado a Charles T. Russell, o primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia..."

- A Sentinela de 1/5/1989, p. 3 (em inglês)

9

"Charles Taze Russell, era o “servo fiel e prudente” predito por Jesus em Mateus 24:45-47 (Almeida), servo este que distribuiria alimento espiritual à família da fé. Em especial depois de sua morte, a própria revista Watch Tower expressou esse conceito por vários anos. Em vista do destacado papel que o irmão Russell desempenhara, parecia aos Estudantes da Bíblia daquela época que este era o caso. Ele não promoveu pessoalmente essa idéia, mas reconheceu a aparente razoabilidade dos argumentos dos que a defendiam.

- Proclamadores do Reino de Deus, página 626. (em português)

 

Comentário 1:

 

O livro Proclamadores (1993) - publicado pelas Testemunhas de Jeová - admite, na página 143, que embora Russell não fosse inicialmente adepto da ideia de um indivíduo como representando o 'servo fiel e prudente' de Mateus 24: 45, mas de uma coletividade, ainda assim ele não rejeitou esta crença em torno dele. Na verdade - diz o livro - este ensino foi advogado pelos Estudantes da Bíblia por 30 anos. Consequência: o nome de Russell tornou-se símbolo de um desmedido culto a personalidade. A própria organização confirma isso no último trecho transcrito acima. Ao que tudo indica, a primeira pessoa a sugerir essa ideia foi a esposa do 'pastor', a qual confirmou esse pensamento em uma reimpressão de A Sentinela de 1906. Pouco tempo depois, ela se separaria judicialmente dele (acusando-o de negligência e crueldade). Ainda segundo o livro Proclamadores, Russell teria declinado dessa prerrogativa gloriosa na edição de 15/7/1906 de A Sentinela. Todavia, nesta mesmíssima matéria, embora negando superioridade, ele, paradoxalmente, classifica a si mesmo como "porta-voz de Deus". A data de alguns documentos também mostra que o culto a personalidade prolongou-se até os anos 20 - bem depois de Cristo ter supostamente escolhido a Sociedade como seu "Escravo Fiel", em 1919. A forma como o assunto é frequentemente abordado nas publicações das Testemunhas de Jeová parece sugerir que a Sociedade Torre de Vigia nada tinha a ver com essa transgressão. Com a finalidade de esclarecer essa questão de maneira incisiva, reservamos para o final a mais pungente prova documental daquilo que parece ir bem além de um 'culto a personalidade' por parte de alguns fiéis. Queira o leitor observar o que diz - sob o título "Um Tributo Pessoal ao Pastor" - a edição de A Sentinela de 1/12/ 1916, p. 6150 (reimpressão em inglês), conforme a cópia e tradução abaixo:

 

Ó Senhor, na tua força se alegra o rei; E quanto deseja ele jubilar na tua salvação! Deste-lhe o desejo do seu coração e não retiveste o anseio dos seus lábios. Selah. Pois passaste a ir ao encontro dele com bênçãos de bem e a por-lhe na cabeça uma coroa de ouro refinado. Pediu-lhe vida. Tu lhe deste, longura de dias por tempo indefinido, para todo o sempre. Sua glória é grande na tua salvação. Puseste sobre ele dignidade e esplendor. Pois o constituis altamente abençoado para todo o sempre. Tu o fazes regozijar-se com a alegria da tua face.' Salmos 21: 1-6.

Realmente, estas palavras aplicam-se com precisão ao nosso amado Irmão e Pastor!

Charles Taze Russell, tu foste, pelo Senhor, coroado como rei; e através das eras eternas teu nome será conhecido no meio do povo, e teus inimigos virão e adorarão aos teus pés.

 

Comentário 2:

 

Vemos aqui uma das mais assombrosas declarações já publicadas pelo 'Escravo Fiel e Discreto' - a Sociedade Torre de Vigia. Foi lançada logo após a morte de Russell e servida ao rebanho de fiéis como 'alimento espiritual no tempo apropriado'. Cremos que mais de 99% das Testemunhas de Jeová, hoje em dia, jamais leram a declaração acima. Nem jamais imaginariam que sua Organização pudesse publicar algo semelhante. Provavelmente, o teor chocante deste documento fará a Testemunha mediana presumir - e desejar, até - que se trate de uma falsificação. É compreensível que seja assim, pois esta evidência derruba por terra a tese da Sociedade de que houve um simples culto a personalidade por parte de alguns membros, uma devoção ao 'pastor', cujas virtudes o destacavam entre os homens de seu tempo. Não foi apenas isso, foi algo muito mais grave. O que vemos aqui é o endosso - por parte dela, a Sociedade - a um autêntico ato de louvor a Russell, com a aplicação a ele de um Salmo que se sabe representar a Jesus Cristo, coroado pelo próprio Deus. Diante desse documento, parece uma tarefa bastante difícil absolvê-la do envolvimento direto na glorificação de seu fundador - em nível de igualdade a Cristo. Do ponto de vista bíblico, isto equivaleria a, pelo menos, dois delitos gravíssimos: idolatria e blasfêmia. Cremos que as provas aqui expostas, em que o pese a forte impressão que podem produzir no leitor, constituem evidências suficientes para se possa avaliar se o corpo governante das Testemunhas de Jeová possui idoneidade para condenar outras religiões por louvor a criaturas.
 

 

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