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Carta de Dissociação

Percy Harding, extestemunhadejeova@yahoo.com.br, 28/06/2007

 

São Paulo, 20 de janeiro de 2006

 

A(o):

- Corpo de Anciãos Congregação (xxx)

- Comissão de Apelação – a/c Presidente

 

Prezados irmãos,

Pesquisas sinceras e conscienciosas feitas nos últimos 12 meses, uma espécie de revisão em nossas crenças, em harmonia com o conselho apostólico: “Persisti em examinar se estais na fé, persisti em provar o que vós mesmos sois. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em união convosco? A menos que estejais reprovados. Eu espero, deveras, que venhais a saber que não estamos reprovados.” (2 Coríntios 3:5, 6), indicaram descobertas que, sinceramente, abalaram nossas convicções e nos chocaram. Apresento abaixo algumas delas e deixo a seu critério avaliar sua relevância no impacto que causaram em nossa vida.

 

 

DESCOBERTAS QUE CHOCAM – PARTE I

 

1 - JESUS CRISTO NÃO É NOSSO MEDIADOR ?

Caso pergunte a 10 Testemunhas de Jeová: “Quem é o único mediador entre Deus e os homens?” mui provavelmente as 10 responderão: JESUS CRISTO! Está esta resposta em harmonia com o ensino oficial?

"Foi Moisés o mediador entre Jeová Deus e a humanidade em geral? Não, ele foi o mediador entre o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e a nação dos descendentes carnais deles. Do mesmo modo, o Moisés Maior, Jesus Cristo, não é o Mediador entre Jeová Deus e toda a humanidade. Ele é o Mediador entre seu Pai celestial, Jeová Deus, e a nação do Israel espiritual, que está limitado a 144.000 membros." - Segurança Mundial sob o ‘Príncipe da Paz’ (1986), página 10, parágrafo 16.

"Aqueles Para Quem Cristo É Mediador. O apóstolo Paulo declara que existe "um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos" — tanto pelos judeus como pelos gentios. (1Tim. 2:5, 6) Ele media o novo pacto entre Deus e os aceitos no novo pacto, a congregação do Israel espiritual. (He 8:10-13; 12:24; Ef 5:25-27) Cristo tornou-se Mediador para que os chamados "recebessem a promessa da herança eterna" – Estudo Perspicaz das Escrituras, vol. 2, página 789 (Mediador).

 "As pessoas de todas as nações que têm a esperança de vida eterna na terra se beneficiam mesmo agora dos serviços de Jesus. Embora ele não seja seu Mediador legal, pois elas não estão no novo pacto, Jesus é o meio de elas se aproximarem de Jeová." – A Sentinela de 15/08/1989, página 31 (Perguntas dos Leitores).

"De modo que, em estrito sentido bíblico, Jesus é o "mediador" apenas dos cristãos ungidos.  ... Mas, pela sua associação com o "pequeno rebanho" dos que ainda estão neste pacto eles [a grande multidão] obtêm os benefícios que resultam deste novo pacto." – A Sentinela de 15/09/1979, página 32 (Perguntas dos Leitores).

Um dos ensinos que diferenciam o cristianismo das demais religiões é a crença de que um homem, o filho de Deus, morreu em favor da humanidade e se tornou assim o mediador entre os homens e Deus. E apesar de haver muitas diferenças entre as diversas religiões que professam ser cristãs, pode-se dizer que este seria um denominador comum a todas elas. Esta base comum é apoiada por várias citações das Escrituras Gregas Cristãs do texto de 1 Timóteo 2: 5, 6:

"Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos" - TNM

"Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem, que se entregou como resgate por todos." – Tradução dos Originais do Novo Testamento mediante a versão dos Monges de Maredsous (Bélgica) pelo Centro Bíblico Católico.

"Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho ao seu tempo" – Almeida Revista e Corrigida, 1981.

"Porque há um só Deus, e há um só mediador entre Deus e os homens, que é Jesus Cristo homem, o qual se deu a si mesmo para redenção de todos" - A bíblia de Jerusalém - Edições Paulinas

"Pois existe um só Deus e uma só pessoa que une Deus com os seres humanos , o ser humano Cristo Jesus, que deu a sua vida para que todos fiquem livres dos seus pecados ". - Nova Tradução na Linguagem de Hoje, Sociedade Bíblica do Brasil.

Assim, esta citação bíblica, por si mesma prova, de maneira clara, que Jesus é o mediador entre todos os da humanidade remível e seu Pai. Claro que para tirarmos proveito dessa provisão temos de depositar fé em seu sacrifício e agir de acordo com Seu ensino, conforme expressos na Palavra de Deus, a Bíblia. De fato, a idéia contida nos Evangelhos é exatamente esta. 

Uma outra citação em apoio ao inegável fato que Jesus realmente é o mediador entre Deus e a humanidade:

"7 Portanto, Jesus disse de novo: "Digo-vos em toda a verdade: Eu sou a porta das ovelhas. 8 Todos os que vieram em meu lugar são ladrões e saqueadores; mas as ovelhas não os têm escutado. 9 Eu sou a porta; todo aquele que entrar por mim será salvo, e entrará e sairá, e achará pastagem. 10 O ladrão não vem a não ser para furtar, e matar, e destruir. Eu vim para que tivessem vida e a tivessem em abundância" - João 10:7-10.

Argumentar que ele é mediador somente daqueles que compõe o grupo dos 144.000 é minimizar o importante papel de Cristo Jesus pelos humanos imperfeitos e pecadores.

Portanto, o apóstolo Paulo é quem realmente tinha razão quando escreveu sob inspiração:

"Isto é excelente e aceitável à vista de nosso Salvador, Deus, cuja vontade é que toda sorte de homens sejam salvos e venham a ter um conhecimento exato da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos — [isto é] o que se há de testemunhar nos seus próprios tempos específicos." – 1 Timóteo 2: 3-6.

 

2 - "Se um cristão batizado abandona os ensinamentos de Jeová, conforme apresentados pelo escravo fiel e discreto e persiste em crer em outra doutrina ... ele está apostatando." [Carta a todos os Superintendentes de Circuito e Distrito – SCG:SSF de 1º/09/80, & 6, em inglês]

A carta apresenta a diretriz oficial da organização. Não bastou dizer que o cristão batizado abandonou os ensinamentos de Jeová. O acréscimo: “Conforme apresentados pelo escravo fiel e discreto” é revelador. Pode-se deduzir o seguinte, sem medo de errar: Todos os ensinos do “escravo fiel e discreto” são “ensinamentos de Jeová”!

A carta não faz nenhuma declaração específica no sentido de que a pessoa talvez discorda necessariamente da Bíblia, a Palavra de Deus. Diz, mais precisamente, que talvez discorde dos “ensinamentos de Jeová, conforme apresentados pelo escravo fiel e discreto”. O que equivale a dizer que o fato de um homem aceitar e obedecer a mensagem escrita do rei não é nenhuma garantia de sua lealdade; o que decide isto é este homem aceitar e obedecer aquilo que o escravo mensageiro afirma ser o significado da mensagem do rei!

Meu Deus! Será que Jeová, por qualquer meio, ensinaria a seu povo algo errado? Não! A Bíblia ensina:

“A Tua Palavra é a Verdade” (João 17:17)

“Toda boa dádiva e todo presente perfeito vem de cima, pois desce do Pai das luzes [celestiais] com quem não há variação da virada da sombra” (Tiago 1:17)

“Secou-se a erva verde, murchou a flor; mas quanto à palavra de nosso Deus, ela durará por tempo indefinido”  (Isaías 40:8)

Ela também ensina:

“Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” (Atos 5:29)

Seja Deus achado verdadeiro, embora todo homem seja achado mentiroso” – (Rom. 3:4)

Mas, não é um fato que a “classe do escravo” teve de reajustar diversos ensinos que se mostraram incorretos? Em alguns destes casos, houve a mudança de posição (ensino) para depois se retornar à posição anterior, evidenciando a falta de base bíblica para a posição.

Exemplo 1: Serão ressuscitados os mortos de Sodoma e Gomorra?

1959 – Não! – Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado, p. 236, & 6

1965 – Sim! – A Sentinela, 15/09, pp. 555, & 9

1966 – Sim! – A Sentinela, 01/05, pp. 286-287

1983 – Sim! – Poderá Viver Para Sempre no Paraíso Terrestre, pp. 179 & 9

1988 – Não! – A Sentinela, 01/06, pp. 31

1989 – Não! – Poderá Viver Para Sempre no Paraíso Terrestre, pp. 179 & 11

 

Exemplo 2: Estaria ou não em andamento a obra de separação entre “ovelhas e cabritos” (parábola de Jesus registrada em Mateus 25:31-33):

1962 – Sim! – A Sentinela, 15/04, pp. 254

1989 – Sim! - Poderá Viver Para Sempre no Paraíso Terrestre, pp. 183 & 22, 23

1995 – Não! – A Sentinela, 15/10, pp. 19 & 4; pp. 22 & 22, 24; pp. 23 & 26

 

Exemplo 3: Quem são as “autoridades superiores” mencionadas em Romanos 13:1?

1886 – Os Governos Humanos – Plano Divino das Eras, pp. 266; w01/05/96, pp 13 & 12

1940 – Jeová e Jesus Cristo – Livro Salvação, pp. 227

1955 – Jeová e Jesus Cristo – Livro Seja Deus Verdadeiro, pp. 241-242 & 25

1963 – Os Governos Humanos – A Sentinela, 15/06, 99. 362 & 7

1995 – Os Governos Humanos – Livro Conhecimento, pp. 132

 

Exemplo 4: O serviço civil alternativo ao serviço militar pode ser aceito pelo cristão?

1949 – Não! – Livro Seja Deus Verdadeiro, pp. 228 & 6

1955 – Não! – Livro Seja Deus Verdadeiro (uma nova edição), pp. 231, & 6

1975 – Não! – Despertai!, 08/05, pp. 22

1996 – Sim! – A Sentinela, 01/05, pp. 19, 20 & 19 e 21

 

Exemplo 5: Há objeção bíblica ao uso das vacinas?

1921 – Sim! – A Idade de Ouro (Despertai!), 12/10, pp. 17

1929 – Sim! – A idade de Ouro (Despertai!), 05/01, pp. 502

1952 – Não! – A Sentinela, 15/12, pp. 764

 

Exemplo 6: Há objeção bíblica aos transplantes de órgãos?

1962 – Não! – A Sentinela, 01/02, pp. 96

1968 – Sim! – A Sentinela, 01/06, pp. 349, 350; Despertai!, 08/12, pp. 22, 30

1980 – Não! – A Sentinela, 01/09, pp. 31

 

Exemplo 7: Há objeção bíblica às frações de sangue (sangue total já era proibido):

1959 – Não! – A Sentinela, 01/02 , pp. 95, 96

1962 – Sim! – A Sentinela, 15/03, pp. 174 & 16, 18

1974 – Não! – A Sentinela, 15/10, pp. 640, 77 1, 4-6

1975 – Sim! – Despertai!, 22/08, pp. 29 sob o tópico: “Perigo do tratamento da hemofilia”

1978 – Não! – A Sentinela, 01/12, pp. 31

Todas as questões deixam a dúvida de que algo que é “verdade atual” pode ser mudado. No que se relaciona com questões de saúde, é justo que pessoas sejam afetadas e que apenas se lhes diga que devem “esperar em Jeová, que no tempo devido Ele consertará tudo”, como se ELE fosse o próprio Orientador desse vai-e-vem de interpretações humanas?

É natural que humanos errem. Entretanto, se o erro foi de homens imperfeitos e falíveis, como puderam ser passados adiante como oriundos do próprio Deus? Por que somos exortados a aceitar todos os ensinos da organização sem questioná-los, sob pena de ser taxados de “apóstatas” e sofrer conseqüências por isso? Só podemos encontrar uma resposta: a lealdade à organização exige aderência total (100%) aos seus ensinos, como sendo o “ensino do Cristo” (2 João 9). Entretanto, o ensino do Cristo é melhor exemplificado na advertência de Paulo aos cristãos: “Não vades além das coisas que estão escritas” – 1 Cor. 4: 6.

A descrição lógica de uma nova luz (Prov. 4:18) feita por Charles Taze Russell, não se ajusta às mudanças ocorridas no século 20, nos ensinos da organização. Ele escreveu:

 “Se nós estivéssemos seguindo um homem, as coisas seriam diferentes conosco, uma idéia humana, sem dúvida, iria contradizer outra, e aquilo que era luz há um,  dois ou seis anos atrás, seria agora considerado como escuridão: Mas com Deus não existe tal variação, nem virada da sombra, e assim é com a verdade: qualquer conhecimento ou luz vindos de Deus devem ser como seu autor. Uma nova visão da verdade jamais pode contradizer uma verdade anterior. Uma  “nova luz” jamais apaga uma “ luz “ mais antiga, mas acrescenta-se a ela. Se você estivesse iluminando um prédio que dispõe de sete bicos de gás, você não apagaria um toda vez que acendesse outro, mas acrescentaria uma luz à outra, elas ficariam em harmonia e, deste modo, proveriam um aumento da luz: Assim é com a luz da verdade: o verdadeiro aumento ocorre por acrescentar-se luz, não por substituir uma por outra.” A Sentinela (em inglês) de fevereiro de 1881, página 3.

 

3 - INQUISIÇÃO MODERNA: HERESIA = APOSTASIA - Não poder discordar conscienciosamente dos ensinos oficiais duma Organização

Também chamada de Santo Ofício, INQUISIÇÃO era a designação dada a um tribunal eclesiástico, instituído pela Igreja Católica Romana  vigente na Idade Média e começos dos tempos modernos.  Ela era composta por tribunais que julgavam todos aqueles considerados uma ameaça às doutrinas (conjunto de leis) desta instituição.   Esse Tribunal, tinha por meta prioritária julgar e condenar os hereges. A palavra "herege" significa aquele que escolhe, que professa doutrina contrária ao que foi definido pela Igreja como sendo matéria de fé. Então, todos os que se rebelavam contra a autoridade papal ou faziam qualquer espécie de crítica à Igreja de Roma eram considerados hereges. INQUISIÇÃO é o ato de INQUIRIR: indagar, investigar, pesquisar, perguntar, interrogar judicialmente. Em suma, a INQUISIÇÃO foi um tribunal eclesiástico criado com a finalidade de investigar e punir os crimes contra a fé católica.

Da Enciclopédia BARSA, vol 7, págs. 286-287 extraímos o seguinte: "Heresia, no sentido geral é uma atitude, crença ou doutrina, nascida de uma escolha pessoal, em oposição a um sistema comumente aceito e acatado. É uma opinião firmemente defendida contra uma doutrina estabelecida.

Como a organização se pronunciou em relação a Inquisição Católica:

"No século 13, a Igreja Católica Romana oficialmente sancionou outro horror que desonra a Deus — a Inquisição. Começou na Europa e estendeu-se às Américas, durando mais de seis séculos. Criada e apoiada pelo papado, era uma tentativa assassina de torturar e eliminar todos os que discordassem da igreja." – A Sentinela de 1º de fevereiro de 1990, pp. 18 & 14.

"Em geral se aprecia um pedido de desculpas, especialmente se feito de imediato. De fato, quanto antes admitirmos o erro, melhor. Para ilustrar: Em 31 de outubro de 1992, o Papa João Paulo II reconheceu que a Inquisição agira “erroneamente”, 360 anos atrás, ao punir Galileu por asseverar que a Terra não é o centro do Universo. Todavia, postergar tal pedido de desculpas por tanto tempo tende a reduzir o seu valor." – A Sentinela de 15 de novembro de 1993, pp. 30.

Que diferença há no conceito de heresia condenado pela Igreja Católica, com o conceito da Organização atribuído àqueles que discordam de ensinos que, conscienciosamente, não podem mais aceitar como solidamente bíblicos? Se não houver uma retratação e a promessa de jamais comentá-los com outros, então, a pessoa é vista como um “apóstata”, um odioso inimigo de Deus, um perigo para os outros. Embora não possam queimá-los numa fogueira, a norma de dissociação cumpre bem, hoje em dia, o que, no passado, "era uma tentativa assassina de torturar e eliminar todos os que discordassem da igreja."  

 

 

 DESCOBERTAS QUE CHOCAM – PARTE II

 Como a organização minimiza seus erros e alguns comentários

A alguns talvez tem parecido que a vereda nem sempre seguiu reto em frente. Ocasionalmente, as explicações dadas pela organização visível de Jeová têm indicado ajustes que aparentemente voltam a pontos de vista anteriores. Mas, na realidade, não tem sido assim”. – A Sentinela, 1º de agosto de 1982, página 27.

Comentários: “A alguns talvez tem parecido” ... “ajustes que aparentemente voltam a pontos de vista anteriores”. ..  “na realidade, não tem sido assim”. Tem “parecido” ou tem sido? Não houve nada de “aparente” como visto nos casos exemplificados anteriormente.  Houve vários casos de uma volta a pontos de vista anteriores.

 

"É verdade que se pensava que o estabelecimento do Reino nos céus significaria a destruição imediata dos reinos terrenos e que os cristãos ungidos seriam “arrebatados” ... Mas, quem pode censurá-los por não compreenderem plenamente naquele tempo que entre o início e o fim do cumprimento de Daniel 2:44 tinha de ocorrer uma grande obra de ajuntamento..." - A Sentinela 1º de setembro de 1985, pp. 23 & 11.

“É fácil para as igrejas reconhecidas  da cristandade e outras pessoas criticarem as Testemunhas de Jeová porque, às vezes, suas publicações declararam que certas coisas poderiam ocorrer em determinadas datas, mas não está essa linha de ação em harmonia com a injunção de Cristo de ‘manterem-se vigilantes’? (Mar. 13:37) – A Sentinela, 1º de setembro de 1985, pp. 24, & 13.

“Realmente, certas expectativas que pareciam ter apoio da cronologia bíblica não se concretizaram no ocasião aguardada. Mas, não é bem mais preferível cometer alguns erros, devido à demasiada ansiedade de ver cumpridos os propósitos de Deus, a estar dormindo em sentido espiritual quanto ao cumprimento das profecias bíblicas? Não cometeu Moisés um erro de cálculo de 40 anos ao tentar agir antes do tempo para remover a aflição de Israel?... Não estavam os apóstolos de Cristo demasiadamente ansiosos de ver estabelecido o Reino... não estavam os cristãos ungidos de Tessalônica impacientes para ver a “presença de nosso Senhor Jesus Cristo” e  “o dia de Jeová”? (2 Tes. 2:1, 1)” – A Sentinela 1º de setembro de 1985, pp. 24, & 14.

Comentários: É verdade que se pensava ® Quem “pensava”? Não só “pensava”, mas propagava tais ensinos como oficiais.

suas publicações declararam que certas coisas poderiam ocorrer em determinadas datas, mas não está essa linha de ação em harmonia com a injunção de Cristo de ‘manterem-se vigilantes’?  ® Manter-se vigilante é uma coisa. Ensinar expectativas como  “verdade” é outra coisa. A injunção de Cristo em Atos 1: 7 deveria ser obedecida: “Não vos cabe obter conhecimento dos tempos e  das épocas que o Pai tem colocado sob a Sua própria jurisdição.”

certas expectativas que pareciam Ter apoio da cronologia bíblica não se concretizaram no ocasião aguardada. Mas, não é bem mais preferível cometer alguns erros, devido à demasiada ansiedade de ver cumpridos os propósitos de Deus, a estar dormindo em sentido espiritual. ® Tanto a sonolência espiritual, quanto ensinar algo sem claro apoio bíblico, ambas são atitudes biblicamente erradas e uma não justifica a outra. Será que  a organização toleraria em seu meio alguns que, pela ansiedade de ver cumpridos os propósitos  de Deus, persistissem em ensinar a outros que há base bíblica para se crer que  o fim desse sistema venha, por exemplo em 2006? Não, pois segundo o seu critério estariam agindo como apóstatas. Estaria ela disposta a aceitar a possibilidade de Jeová a julgar por este mesmo critério?

Não cometeu Moisés um erro de cálculo de 40 anos?... Não estavam os apóstolos de Cristo demasiadamente ansiosos de ver estabelecido o Reino... não estavam os cristãos ungidos de Tessalônica impacientes para ver a “presença de nosso Senhor Jesus Cristo” e  “o dia de Jeová”? ® Parece que aqui se tenta justificar o próprio erro com os erros de outros. Moisés, porém, não fez cálculo algum e quando matou o egípcio ainda não estava sob a orientação de Deus, o que só ocorreu 40 anos depois. Por outro lado, a organização afirma ter a orientação de Deus. Os cristãos em Tessalônica estavam impacientes e ansiosos. E Paulo (quem sabe, tendo aprendido com a situação de demasiada ansiedade dos apóstolos), alertou-os contra esta ansiedade indevida, fornecendo um modelo bíblico a ser seguido.

 

“Por fim, poderíamos considerar o que a Sociedade publicou no passado sobre a cronologia. Alguns opositores afirmaram que as Testemunhas de Jeová são falsos profetas. Esses opositores dizem que se fixaram datas, mas que nada aconteceu. Novamente perguntamos: Qual é o motivo de tais críticas? Estão incentivando a vigilância por parte do povo de Deus, ou estão, em vez disso, procurando justificar-se por recaírem numa inatividade sonolenta? (1 Tes. 5:4-9)” – A Sentinela de 15 de março de 1986, pp. 19, & 14.

Comentários: Alguns opositores afirmaram que as Testemunhas de Jeová são falsos profetas. ® De fato, quanto a ser  “profeta”, a organização se declara como tal.  A Sentinela, 01/10/72, pp. 581 diz: “Tem Deus algum profeta para ajudá-las, para adverti-las dos perigos e para declarar-lhes coisas futuras?... IDENTIFICAÇÃO DO PROFETA DE DEUS...  A estas perguntas pode-se responder na afirmativa. Quem é esse profeta? Este “profeta” não era um só homem, mas um grupo de homens e mulheres. Era  o grupo pequeno dos seguidores das pisadas de Jesus Cristo, conhecidos naquele tempo como Estudantes Internacionais da Bíblia. Hoje são conhecidas como Testemunhas de Jeová”.

Talvez os  “opositores” ao acusar as TJ tenham em mente o principio declarado em Deuteronômio 18:20, 22, “o profeta que presumir de falar em meu nome alguma palavra que não lhe mandei falar... tal profeta terá de morrer... Quando o profeta falar em nome de Jeová e a palavra não suceder nem se cumprir, esta é a palavra que Jeová não falou. O profeta proferiu-a presunçosamente.”

Assim, ao invés de explicar por que se fixaram datas e ensinaram coisas que se mostraram incorretas, apesar da proclamação de ser “profeta de Deus”, de “falar em nome de Jeová”, questiona-se a motivação de quem expõe isso. Quem está  “procurando justificar-se”? O argumento aqui parece ser: Ou se fixam datas, mesmo que se mostrem incorretas, ou cai-se na sonolência espiritual.

O fato é que a organização se sente incomodada em receber críticas. Mas, como ela também afirma ser o caminho da salvação para milhões de pessoas (“Nunca se esqueça de que apenas a organização de Deus é que sobreviverá ao fim deste sistema moribundo. Portanto, aja sabiamente e faça planos para a vida eterna por construir  seu futuro em harmonia com a organização de Jeová” – A Sentinela de 15 de fevereiro de 1985, p. 31), então ela não deveria sentir-se incomodada. Até porque ela mesma critica outras organizações: “A Igreja Católica ocupa posição muitíssimo significativa no mundo, e afirma ser o caminho da salvação para centenas de milhões de pessoas. Qualquer organização que assuma tal posição deve estar disposta a ser esmiuçada e criticada. Todos que criticam têm a obrigação de ser verdadeiros na apresentação dos fatos, e justos e objetivos na avaliação dos mesmos.” – Despertai! de 22 de dezembro de 1984, pp. 28 (nota da redação).

 

“... outros convencem-se sinceramente de que suas proclamações são verídicas. Enunciam expectativas à base de sua própria interpretação de algum texto bíblico ou acontecimento físico. Não alegam que suas predições sejam revelações diretas de Jeová e que, nesse sentido, profetizam em nome de Jeová. Assim, nesses casos, quando suas palavras não se cumprem, eles não devem ser encarados como falsos profetas, como aqueles contra os quais se adverte em Deuteronômio 18: 20-22. Devido à falibilidade humana, eles interpretaram mal as coisas.” – Despertai! de 22 de março de 1993, pp. 3, 4 & 9.

Comentários: Não alegam que... profetizam em nome de Jeová. ® Mas, não é isso o que se afirma na Sentinela de 15 de fevereiro de 1980, pp. 29 & 27,28: “Já por mais de 60 anos, os da classe de Jeremias têm proclamado fielmente a palavra de Jeová... Dessemelhante da classe clerical, os da classe de Jeremias foram enviados por Jeová para falar em seu nome... É verdade que os da classe de Jeremias apóiam sua mensagem pela citação das palavras: “Assim disse Jeová”.

quando suas palavras não se cumprem, eles não devem ser encarados como falsos profetas, como aqueles contra os quais se adverte em Deuteronômio 18: 20-22. ® A organização, que se proclama “profeta de Deus”, considera-se acima das definições da própria Palavra de Deus !  Repare que no texto se diz que meramente  ‘presumir de falar em nome de Deus’, já seria motivo de condenação.

Devido à falibilidade humana, eles interpretaram mal as coisas. ® Interpretaram e ensinaram  que vinha de Jeová.

É um paradoxo embaraçoso para a organização: Ela se considera “profeta de Deus”, apóia suas declarações como se fosse o próprio Jeová falando (o que dá um peso tremendo na mente de nós adeptos e outros) exige conformidade total com seus ensinos, como sendo o “ensino do Cristo” (2 João 9) e, no entanto, atribui expectativas, ou interpretações incorretas à falibilidade humana!

 

“Por que se edita Despertai!... Esta revista gera confiança na promessa do Criador de estabelecer  um novo mundo pacífico e seguro, antes que passe a geração que viu os acontecimentos de 1914.” – Despertai! de 22 de outubro de 1995, pp. 4.

“Por que se edita Despertai!... Importantíssimo é que esta revista gera confiança na promessa do Criador de estabelecer um novo mundo pacífico e seguro, prestes a substituir o atual sistema de coisas perverso e anárquico.” – Despertai! de 08 de novembro de 1995, pp. 4.

Comentários: A referência à “geração de 1914” foi eliminada de uma edição da revista para a outra. Onde estava a confiança na promessa do Criador que a revista diz que gerava? O problema é que o Criador jamais prometeu estabelecer um novo mundo pacífico e seguro, "antes que passe a geração que viu os acontecimentos de 1914". Aqui, bem que se poderia aplicar as palavras de Isaias 55:8 que diz: “Pois os vossos pensamentos não são os meus pensamentos, nem os meus caminhos, os vossos caminhos, é a pronunciação de Jeová.” Em 1995, a  “geração de 1914” atingia os 81 anos de idade (isso, considerando quem tinha nascido naquele ano!). A organização deu-se conta de que não poderia sustentar este ensino, esta expectativa por muito mais tempo. A falibilidade humana tornou necessário ajustar mais este conceito sobre “essa geração”. 

 

O povo de Jeová ansioso de ver o fim deste sistema iníquo, às vezes tem especulado sobre quando irromperia a “grande tribulação” até mesmo relacionando isso com cálculos sobre a duração da vida duma geração desde 1914. No entanto, ‘introduzimos um coração de sabedoria’, não por especular sobre quantos anos ou dias constituem uma geração... O termo “geração” conforme usado por Jesus, refere-se principalmente a pessoas contemporâneas dum certo período histórico... Será que adianta alguma coisa procurar datas ou especular sobre a duração literal da vida duma “geração”? Longe disso!” – A Sentinela de 1º de novembro de 1995, pp. 17 e pp. 19 & 8.

Comentários: O povo de Jeová ansioso... às vezes tem especulado. ® O “povo de Jeová” não! Quem são os responsáveis por redigir e autorizar matérias publicadas como ensino oficial? Se qualquer Testemunha individual tivesse se ‘adiantado’ e feito tais especulações sem o apoio da organização, teria sido acusada de apostasia contra o “ensino do Cristo” (2 João 9). Só o “escravo fiel e discreto” através do “Corpo Governante” tem autoridade para estabelecer um ensino e depois isso tem de ser aceito como “verdade atual” por todos os demais membros da organização.

No entanto, ‘introduzimos um coração de sabedoria’, não por especular sobre quantos anos ou dias constituem uma geração. ® Aqui a organização está dando um conselho, mas é um conselho dado por quem não o seguiu. Até parece que ela está corrigindo o erro que outros cometeram. Entretanto, desta forma, a liderança tira dos ombros a responsabilidade que, com toda justiça cabe a ela, aconselhando piedosamente os seus membros com respeito às suas condições espirituais, como se tivesse sido o ponto de vista espiritual deles a causa do problema. De certo modo, é como se uma mãe, cujos filhos adoeceram de indigestão, dissesse de tais filhos: “Eles não tiveram cuidado com o que comeram”, quando, de fato, as crianças comeram simplesmente aquilo que a mãe lhes serviu. E não apenas lhes serviu mas insistiu que o alimento devia ser saudável, parte de uma dieta superior impossível de se obter em qualquer outro lugar, tanto que qualquer demonstração de insatisfação com tal alimento seria respondido com ameaça de punição.

O termo “geração” conforme usado por Jesus, refere-se principalmente a pessoas contemporâneas dum certo período histórico. ® Agora, a “geração” da qual Jesus falou não é mais a de 1914. A Despertai! de 22 de abril de 1969, pp. 14, havia publicado: “E lembre-se, Jesus disse que o fim deste mundo iníquo viria antes de tal geração (1914, acrescentado) desaparecer  na morte”. O que achará Jesus de quem afirma que Ele disse algo que ele realmente não disse?

Será que adianta  alguma coisa procurar datas ou especular sobre a duração literal da vida duma “geração”? Longe disso!” ® Depois de mais de um século especulando datas, que se mostraram incorretas, a organização diz que não adianta fazer isso. Mas a Bíblia sempre aconselhou em contrário, sempre esteve lá para quem quisesse ler: “Não vos cabe obter conhecimento dos tempos ou das épocas que o Pai tem colocado sob a Sua própria jurisdição” (Atos dos Apóstolos 1:7) Isso Jesus realmente disse.

 

“No passado, algumas Testemunhas de Jeová sofreram por se terem negado a participar numa atividade que sua consciência agora talvez permita. Por exemplo, isto talvez tivesse que ver com sua escolha, anos antes, de certo tipo de serviço civil. Um irmão talvez ache agora que pode prestar conscienciosamente este serviço sem violar sua neutralidade cristã referente ao atual sistema de coisas. 

Foi injusto da parte de Jeová deixá-lo sofrer por rejeitar aquilo que agora poderia fazer sem conseqüências? A maioria dos que passaram por isso não pensam assim....

Que motivo poderia alguém Ter para lamentar Ter acatado sua consciência ao adotar uma posição firme a favor de Jeová? Por sustentarem lealmente os princípios cristãos como os entenderam, ou por seguirem os ditames da consciência, mostraram-se dignos da amizade de Jeová.” – A Sentinela de 15 de agosto de 1998, pp. 17, & 6, 7.

Comentários: O termo “consciência” foi empregado várias vezes como se referisse às testemunhas individuais, decidindo por elas mesmas o que fariam ou não. Mas, será que era mesmo assim? Não. A posição oficial da Sociedade, desenvolvida durante a 2ª Guerra Mundial, era a de que se alguém das Testemunhas aceitasse esse serviço alternativo, ele  “transige”, viola sua integridade para com Deus.

“Mas, o que realmente constitui sua objeção ao serviço civil, alternativo? As Testemunhas explicaram...  ser uma questão de estrita neutralidade. Por conseguinte, qualquer trabalho que fosse simples substituto para o serviço militar não seria aceitável às Testemunhas de Jeová.... Aceitar voluntariamente tal trabalho é objetável ao cristão devido ao que a lei de Deus diz sobre o assunto...(1Cor. 7:23). A servidão civil como substituto para o serviço militar seria igualmente objetável para o cristão.” – Despertai, 08/05/75, pp. 22.

Com tal orientação e em obediência a esta norma, por cerca de 50 anos, milhares de Testemunhas, em diferentes países ao redor do mundo, foram para a prisão em vez de aceitar as provisões de serviço alternativo. Deixar de aderir a norma da Sociedade significaria serem vistos automaticamente como “dissociados”. Depois veio a mudança: 

“Que fazer se as respostas honestas do cristão a essas perguntas o levem a concluir que o serviço civil, nacional, é uma “boa obra” em que ele pode participar em obediência às autoridades? Então a decisão cabe a ele perante Jeová. Os anciãos designados e outros devem respeitar plenamente a consciência deste irmão e continuar a considerá-lo como cristão de boa reputação.” – A Sentinela 1º de maio de 1996, pp. 19 e 20 & 21.

O que era “objetável ao cristão devido ao que a lei de Deus diz sobre o assunto”, uma questão de “neutralidade”, agora virou uma simples “boa obra” em obediência as autoridades! Em vez de pôr os jovens adeptos em desnecessário confronto com as autoridades, a organização deixou de levar em conta dois textos bíblicos:

“E, se alguém sob autoridade te obrigar a prestar serviço por mil passos, vai com ele dois mil.” – Mat. 5:41

“O que for que fizerdes, trabalhai nisso de toda alma como para Jeová, e não como para homens”. – Col. 3:23

Foi injusto da parte de Jeová deixá-lo sofrer por rejeitar aquilo que agora poderia fazer sem conseqüências? ® Nenhum reconhecimento por parte da direção central no sentido de que o sofrimento que os irmãos passaram foi resultado de uma norma não-bíblica ensinada pela própria organização. Jeová não teve nada a ver com isso. A pergunta, entretanto poderia ter sido formulada assim: “Foi justo da parte da organização deixá-los sofrer por rejeitarem aquilo que agora poderiam fazer sem conseqüências?”

 

“Uma vez que verificamos qual o instrumento que Deus usa como Seu “escravo” para distribuir alimento espiritual ao seu povo, Jeová certamente não se agradará se recebemos este alimento como se pudesse conter algo prejudicial. Devemos ter confiança no instrumento que Deus usa.... É verdade que os irmãos que preparam essas publicações não são infalíveis. Seus escritos não são inspirados assim como eram os de Paulo e de outros escritores bíblicos... Antes, os precedentes estabelecidos pela organização do  “escravo fiel e discreto” nos mais de 100 anos passados obrigam-nos a chegar à mesma conclusão que Pedro expressou quando Jesus perguntou se os seus apóstolos também queriam abandoná-lo, a saber: “Para quem havemos de ir?” (João 6:66-69). Não há dúvida sobre isso. Todos nós precisamos de ajuda para entender a Bíblia, e não podemos encontrar a orientação bíblica de que precisamos fora da organização do “escravo fiel e discreto” – A Sentinela de 15 de agosto de 1981, pp. 19.

Comentários: O único comentário que farei aqui é que à pergunta de Pedro, ele mesmo respondeu: “Senhor, para quem havemos de ir? TU tens declarações de vida eterna”.

 

DESCOBERTAS QUE CHOCAM – PARTE III

 Os assuntos relacionados abaixo, estão apresentados da forma mais resumida possível, mas poderiam ser bem documentados com extratos de cartas, memorandos, livros, anuários  e revistas da organização, bem como outro material secular de pesquisa.

1) CRITÉRIOS DUPLOS: Enquanto em Malaui, na década de 1960, os irmãos arriscavam a vida, lares e terras, para aderir à norma da organização de que pagar por uma carteira do partido do governo, era um ato de deslealdade, uma violação da neutralidade cristã, no México, no mesmo período, as Testemunhas estavam subornando funcionários militares para preencherem um certificado declarando falsamente que tinham cumprido com suas obrigações militares e eram classificadas como reservistas de primeira classe das forças armadas, e ainda assim podiam servir como superintendentes de circuito e distrito, ou membros da família de Betel, com pleno conhecimento da sede mundial!

2) CASO MÉXICO: A administração da sede da organização decidiu muitas décadas atrás, em função da lei existente, que as Testemunhas no México se apresentariam, não como uma organização religiosa, mas como uma organização “cultural”. O registro data de 1943. Por conta disso, desde então, e por quase 50 anos (até 1989), sacrificou-se: a oração e cântico congregacionais, o uso da Bíblia na atividade de testemunho e passaram a usar uma linguagem dupla: reuniões religiosas = reuniões culturais; congregação = companhia; batismo = símbolo. Não se fazia isto por morarem em algum país totalitário que tomava medidas repressivas contra a liberdade de adoração. Antes era principalmente para escapar de  ter de cumprir com os regulamentos do governo referentes à posse de bens imóveis por parte de organizações religiosas. Estavam dispostos a dizer que a sua organização não era uma organização religiosa, quando em qualquer outro país do mundo as Testemunhas estavam dizendo exatamente o contrário.

3) A DATA DA DESTRUIÇÃO DE JERUSALÉM PELOS BABILÔNIOS: Embora a organização sustente que foi 607 AEC (veja Apêndice ao Capitulo 14 do livro Venha o Teu Reino), todos os historiadores datam como 587/6 AEC. O que chama a atenção é que na Bíblia, não existem datas absolutas: como 607 AEC, 587 AEC, 539 AEC, 1914 EC, etc. Ela só fornece datas relativas: 18º ano de Nabucodonosor; 1º ano de Ciro, etc. Sem as datas absolutas, não se chega a nenhuma data relativa da Bíblia. Não é que entendamos que isto seja imprescindível para se entender a Palavra de Deus. Mas ao se fazer alguma relação, então tem que se recorrer as datas absolutas. Estranhamente, a organização está disposta a aceitar a data de 539 AEC, como a data da queda de Babilônia, pelos medo-persas, mas não a data de 587/6 AEC para a destruição de Jerusalém, ambas fornecidas pelos historiadores. Por que? Penso que toda a estrutura de ensino que leva ao ano de 1914 EC (ensinado como o ano da entronização de Cristo nos céus), bem como a estrutura de autoridade existente (o “escravo fiel e discreto” teria sido designado em 1919 AEC), ficaria prejudicada, pois está vinculada ao ano (de partida) 607 AEC, e a organização não está disposta a rever sua cronologia.

4) A ASSOCIAÇÃO DA SOCIEDADE COM A  ONU, COMO UMA ONG: A organização, que tanto condenou a ONU como uma das “feras” do livro de Revelação e que tanto criticou o apoio de organizações religiosas a este organismo, obteve em 1991 registro como uma Organização Não-Governamental associada a ONU. Desfiliou-se em Out/2001 (depois de 10 anos!), quando “opositores” alegaram que ela estava mantendo vínculos secretos com as Nações Unidas. “O critério para a associação das ONGs – pelo menos em sua mais recente versão – contém termos os quais não podemos aceitar. Quando descobrimos isso, imediatamente retiramos o nosso registro.” (Carta da Sede Mundial, de 1º de novembro de 2001)

5) A INSUSTENTÁVEL PROIBIÇÃO DO SANGUE: Investigações médicas reconhecidas identificaram dois seres humanos individuais (fetos) transferindo naturalmente sangue total entre si. O Dr. Geoffrey Machin  publicou um artigo intitulado “A placenta de gêmeos monocoriônicos in vivo não é uma caixa negra” (em inglês), na edição de janeiro de 2001 de Ultrasound in Obstetrics and Gynecology, Vol. 17, Número 1, págs. 4-6. O Dr. Machin faz claramente referência a ligações vasculares na placenta em gravidezes monocoriônicas (gêmeos idênticos). Estas ligações vasculares unem o sistema sanguíneo de ambos os fetos na placenta. Há três maneiras diferentes em que os sistemas sangüíneos são ligados: artéria com artéria (A-A), veia com veia (V-V) e artéria com veia (A-V). Diz a matéria: “A maioria das placentas de gêmeos MC têm ligações A-V, portanto, usualmente há transfusões entre os gêmeos”. Se Jeová permite essa transferência natural de sangue total entre dois humanos distintos, a proibição da organização não pode se sustentar. Trazer à atenção os perigos de transfusões é uma coisa. Proibí-lo, como um requisito bíblico, uma violação da Lei de Deus, é outra bem diferente.

 

CONCLUSÃO:

“Muitas vezes, somos mais felizes quando estamos na ignorância.”

Eu, Percy Harding e minha esposa AR, jamais expressamos, de nenhuma forma, intenção de abandonar a organização das Testemunhas de Jeová. Decidimos, sim, não nos envolver tão intensamente nas atividades da congregação, quanto fizemos, por décadas, no passado. O motivo, acreditamos, pode ser entendido, pelo menos em parte, por tudo o que acabamos de expor aqui.

Não concordamos mais com muitos ensinos da organização e, pelo menos por ora, não nos sentiríamos à vontade de compartilhar com outros o que nós mesmos não estamos convencidos.

Motivos para abandonar, desertar, afastar, rebelar -  termos  muito utilizados para descrever  “apostasia” – não nos faltaram. A própria organização nos deram. E mesmo assim, não tínhamos intenção de nos desvincularmos oficialmente dessa religião.

Entretanto, algumas atitudes recentes, de pessoas que nos procuraram em nosso lar ou nos telefonaram para uma “conversa amorosa”, talvez pensando tentar corrigir nossos passos, pareceram indicar o contrário: um desejo de se livrar de um incômodo.

Se tem alguém que precisa se corrigir, quem sabe, com um pedido de desculpas, são aqueles que não agiram corretamente conosco naquela 1ª “reunião amorosa” a que fomos convidados (04/01/06)  e saímos dissociados, inclusive desconsiderando vários procedimentos organizacionais.

Se tem alguém que precisa se explicar melhor, este alguém não somos nós: é a própria organização, que se proclama o “canal de comunicação de Deus”, através da qual a “grandemente diversificada sabedoria de Deus” pode ser conhecida. (Veja A Sentinela, 1º de outubro de 1994, pp .8) 

Se tem alguém que precisa ser reajustado, não somos nós, mas a organização que pertencemos. Isto ocorrerá, sem dúvida, no tempo certo, e ao modo do Juiz designado por Deus.

Embora não achemos mais que Deus tenha uma única organização exclusiva, contentamo-nos com a simples mensagem da Bíblia, que é inspirada por Deus e proveitosa para todas as coisas,  e na orientação de seu espírito santo,  na exata medida em que nos apegamos à Sua Palavra. Jesus prometeu que onde estivesse dois ou três reunidos em seu nome, ali estaria ele no seu meio e acreditamos que ele tem cumprido sua promessa durante todos esses vinte séculos passados, sem depender da intermediação  de nenhuma organização humana.

Visto que as argumentações por nós utilizadas, resultaram em total incompreensão, sentimos violados nossos direitos humanos básicos e nossa consciência cristã.

Posto isto, considerem-nos, por favor,  como dissociados da organização religiosa Testemunhas de Jeová.

E que Jeová e Jesus Cristo tenham misericórdia de cada um de nós.

“Ora, para mim é um assunto muito trivial o de eu ser examinado por vós ou por um tribunal humano. Até mesmo eu não me examino a mim mesmo.  Pois não estou cônscio de nada contra mim mesmo. Contudo, não é por isso que eu seja mostrado justo, mas quem me examina é Jeová." - 1Coríntios 4:3, 4.

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Datas de batismo:

Percy Harding - 16/01/1982

AR - 02/1986

 

 

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