Artigo de

Sebastião de Souza Duarte

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Pertence a uma religião culpada de sangue?

18-07-2006

 

"As Escrituras mostram que, se fizermos parte de qualquer organização que perante Deus é culpada por sangue derramado, teremos de cortar nossos vínculos com ela, se não quisermos compartilhar os seus pecados. (Rev. 18:4, 24; Miq. 4:3) Essa ação merece atenção urgente." Publicação das Testemunhas de Jeová - Unidos na Adoração do Único Deus Verdadeiro, páginas 155-6, parágrafo 4.

Para a Sociedade Torre de Vigia de Bíblia e Tratados, agência publicadora das Testemunhas de Jeová, tal conselho, expresso em uma de suas publicações, aplica-se apenas às outras organizações religiosas e jamais a ela mesma. E seu Corpo Governante, o colégio central que controla todas as sua atividades e doutrinas, é especialmente rápido em chamar a atenção do público para os erros de todas as demais religiões da terra, que ela chama de “Babilônia a Grande, o Império Mundial da Religião Falsa”, bem como para sua notória e, de fato, reprovável culpa de sangue, acumulada durante a turbulenta história das religiões. E é certo que para a grande maioria das Testemunhas de Jeová, afirmar que sua religião tem culpa de sangue, que em algum momento foi responsável pela morte de inocentes, é algo simplesmente inimaginável. Portanto, será de proveito analisarmos uma pequena parte da história doutrinal da Torre de Vigia, a fim de que  possamos determinar se ela também é ou não culpada pelo derramamento de sangue inocente.

Vale lembrar que para a comunidade internacional das Testemunhas de Jeová, qualquer determinação de seu Corpo Governante tem força de lei, e deve ser obedecida como se fosse uma determinação do próprio Jeová, uma vez que tais homens se dizem “guiados pelo espírito santo de Deus”, “orientados por Jeová” , “o canal usado por Deus”, etc...

De modo que as Testemunhas de Jeová muitas vezes estão dispostas a defender as doutrinas de sua religião diante de quaisquer dificuldades, até mesmo em face da morte, pois para elas, agir de modo diferente significaria tomar posição contra Deus e a favor de Satanás o Diabo, com a consequente perda da vida eterna.

Todavia, não pretendo considerar neste artigo, se tais doutrinas tem ou não amparo nas Escrituras Sagradas, mas sim o caráter mutante de tais ensinamentos e aquilo que é revelado por estas constantes e intrigantes alterações de rota.  

Analisaremos três questões de grande interesse para aqueles que desejam pautar suas decisões unicamente em sua consciência treinada pela Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada:

Muitas das Testemunhas de Jeová hoje, sequer imaginam que sua religião um dia legislou sobre tais assuntos. Vejamos então parte do que já foi publicado sobre estes temas nas publicações fornecidas pelo chamado “Escravo Fiel e Discreto” a seus associados, como “alimento espiritual no tempo apropriado” e quão confiável tem sido a direção indicada aos membros do movimento:

Os Transplantes de Órgãos

PERMITIDOS

1961

"... não parece haver nenhum princípio ou lei bíblica envolvida... cada pessoa deve decidir por si mesma."

"Há alguma coisa na Bíblia contra a se doar os olhos (após a morte) para serem transplantados numa pessoa viva? - L. C., Estados Unidos.

A questão de se colocar o corpo ou parte do corpo à disposição dos homens da ciência ou dos médicos, após a morte, para experiências científicas ou para transplantação em outros, não é vista com bons olhos por certos grupos religiosos. Entretanto, não parece haver nenhum princípio ou lei bíblica envolvida. É, portanto, algo que cada pessoa deve decidir por si mesma."

A Sentinela 01/02/62, página 96 ― em português.

A Sentinela 01/08/61,  página 480 ― em inglês.

Portanto, segundo esta revista de 1961, cada Testemunha deveria decidir se aceitaria ou doaria um órgão para fins de transplante. A revista foi clara ao declarar que não parece haver nenhum princípio ou lei bíblica envolvida.

Porém, seis anos depois, os homens do Corpo Governante mudaram de opinião, ou encontraram certos textos bíblicos que anteriormente não 'entendiam', pois veja a mudança doutrinal ocorrida após esta data:

CONDENADOS

1967

"Quando há um órgão doente ou defeituoso ... a substituição do mesmo de forma direta por um órgão de outro humano... Aquêles que se submetem a tais operações vivem às custas da carne de outro humano. Isso é canibalesco... Jeová Deus não deu permissão..."

"Quando há um órgão doente ou defeituoso, o modo usual de a saúde ser restaurada é por receber substâncias nutritivas. O corpo utiliza o alimento ingerido para consertar ou curar o órgão, substituindo gradualmente as células. Quando os homens de ciência concluem que êste processo normal não mais dará certo e sugerem a remoção do órgão e a substituição do mesmo de forma direta por um órgão de outro humano, isto é simplesmente um atalho. Aquêles que se submetem a tais operações vivem às custas da carne de outro humano. Isso é canibalesco. Não obstante, ao permitir que o homem comesse carne animal, Jeová Deus não deu permissão para os humanos tentarem perpetuar suas vidas por receberem canibalescamente em seus corpos a carne humana, quer mastigada quer na forma de órgãos inteiros ou partes do corpo, tirados de outros."

A Sentinela 01/06/68, página 350 ― em português.

A Sentinela 15/09/67,  página 702 ― em inglês.

 

CONDENADOS

1973

"Certo cirurgião... transplantou vinte e dois corações... a posição das testemunhas cristãs de Jeová — de que tais transplantes são efetivamente uma forma de canibalismo..."

"Certo cirurgião, que transplantou vinte e dois corações, viu morrer cada um de seus pacientes. E, ao passo que colocou de lado todo o assunto como “processo que tentamos e — por agora — rejeitamos”, os pacientes não conseguiram ser assim tão casuais. E, novamente neste caso, poder-se-ia notar que a posição das testemunhas cristãs de Jeová — de que tais transplantes são efetivamente uma forma de canibalismo — provaram ser uma salvaguarda."

Despertai! 08/01/73, página 28.

  

CONDENADOS

1974

"Devido ao que creio ser o conceito do Criador sobre o transplante de órgãos, nutro sérias reservas quanto à sua correção segundo a Bíblia..."

 "Atualmente, falam-se muito do transplante de vários órgãos — rins, corações, pulmões e fígados... Devido ao que creio ser o conceito do Criador sobre o transplante de órgãos, nutro sérias reservas quanto à sua correção segundo a Bíblia."

Despertai! 22/09/74, página 18.

 De modo que durante este período, as Testemunhas de Jeová apoiaram lealmente esta decisão de seu Corpo Governante, e não aceitaram nenhum transplante de órgãos para si mesmos ou para seus familiares, preferindo até mesmo a morte, pois aceitar um transplante seria um pecado contra Deus, um ato de "canibalismo", e significaria a perda da vida eterna. Afinal, tal orientação era a “verdade”, vinda do próprio Jeová, que estava usando seus “servos ungidos” para orientá-los no caminho da salvação.

Surpreendentemente, na década de 80, os homens de Brooklyn, NY, foram repentinamente iluminados com uma “nova luz” da parte de Jeová, e mudaram totalmente o rumo das coisas. Os textos bíblicos que proibiam os transplantes de órgãos, sumiram repentinamente de suas bíblias, e eles então fizeram um ajuste dramático. Vejamos a nova verdade que as Testemunhas de Jeová deveriam agora apoiar lealmente:

PERMITIDOS

1980

"... o transplante dum órgão humano... é um caso de decisão conscienciosa... não há nenhuma ordem bíblica que proíba..."

"Deve a congregação tomar ação quando um cristão batizado aceita o transplante dum órgão humano, tal como a córnea ou um rim?

No que se refere ao transplante de tecido ou osso humano de um humano para outro, é um caso de decisão conscienciosa de cada uma das Testemunhas de Jeová...

... Talvez se argumente também que os transplantes de órgãos são diferentes do canibalismo, visto que o “doador” não é morto para prover alimento...

... não há nenhuma ordem bíblica que proíba especificamente receber outros tecidos humanos. (...) cada um que se confronta com uma decisão sobre este assunto deve examinar esta questão com cuidado e oração, decidindo então conscienciosamente o que ele ou ela pode ou não pode fazer perante Deus. É um assunto para decisão pessoal. (Gál. 6:5) A comissão judicativa da congregação não tomaria nenhuma ação disciplinar, se alguém aceitasse o transplante dum órgão."

A Sentinela 01/09/80, página 31 ― Perguntas dos leitores.

 Observe que num curto intervalo de tempo, a coisa mudou totalmente. O que era um pecado grave deixou de sê-lo. O que era "canibalismo" deixou de sê-lo. E a mesma Bíblia que alguns anos antes condenava tal prática, deixou de condená-la. Num intervalo de 19 anos, Jeová liberou, proibiu e novamente liberou os transplantes de órgãos a seus servos. Parece-lhe isso coerente? Não diz a bíblia que “Toda boa dádiva e todo presente perfeito vem de cima, pois desce do Pai das luzes celestiais, com quem não há variação da virada da sombra”? (Tiago 1:7) Terá Jeová guiado seu povo, mesmo que temporariamente no caminho do erro? Os que realmente conhecem o Criador, sabem bem qual é a resposta.

Alguns talvez tentem minimizar a questão, argumentando que a verdade é progressiva, inclusive citando Provérbios 4:18 fora de seu contexto, e que as mudanças são sempre para melhor. Não obstante, a mudança somente seria progressiva se ela fosse em uma direção, sempre para frente, sempre para melhor. Mas não foi isso o que aconteceu neste e em vários outros casos. A “luz progressiva” da Torre de Vigia mais se assemelha a um pisca-pisca, que ora libera, ora proíbe, e depois libera novamente uma mesma prática. E o mais grave é que vidas foram sacrificadas inutilmente, pessoas padeceram dores e sofrimentos indescritíveis por aderirem a preceitos humanos como se fossem ordens divinas.

A quem cabe a culpa por esse sangue inocente derramado e por tal sofrimento? Nenhuma retratação ou pedido de desculpas foi feito pelo Corpo Governante. Lembre-se que o problema não são apenas os erro em si, mas sim aquilo que eles causam e aquilo que eles revelam. Mostram estas constantes e incoerentes mudanças doutrinais que o Corpo Governante é de fato “guiado e orientado por Deus”, como alega ser? Que o leitor use de discernimento.

O Uso de Frações Sanguíneas

Um dos aspectos mais conhecidos do público a respeito das Testemunhas de Jeová, é sua posição contrária às transfusões de sangue e derivados. Um número sempre crescente de vidas tem sido sacrificadas em nome deste dogma, defendido tenazmente pelo Corpo Governante de Brooklyn, NY. Manchetes jornalísticas ao redor do mundo mostram com quanto fervor as Testemunhas de Jeová, em geral pessoas mansas e tementes a Deus, seguem as determinações de sua dianteira, a ponto suportar a perda de um filho a lançar mão deste recurso da medicina. Mas o fazem por temor a Deus, por crer que tal veto vem das Escrituras, e por conseguinte do próprio amoroso Deus, não por falta de zelo e amor a seus filhos.

A mera lembrança dos inúmeros casos fatais é o bastante para avaliarmos a grande responsabilidade que cabe ao Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, ao orientar seus seguidores a recusarem as transfusões de sangue, sob pena de expulsão e banimento. Mas como já dito, não pretendo neste espaço, entrar nos méritos da questão, advogar contra ou a favor de determinado tratamento de saúde,  nem fazer julgamentos a respeito. A questão é por demais séria, e creio que tal  julgamento caberá a instâncias muito, muito superiores.

Atualmente, no entanto, torna-se cada vez mais raro o uso de sangue integral, sendo mais comum o uso de frações específicas, com finalidades também específicas. Esta possibilidade de se usar parcelas do sangue tem levado muitas Testemunhas a se questionarem se seria certo ou errado fazer uso delas, vistos serem componentes “menores” do sangue. E para obterem a resposta, elas, como de costume, se voltam para seu Corpo Governante, a quem atribuem grande perspicácia e sabedoria.

Sem discutirmos se é certo ou errado fazer uso das frações sanguíneas, ou mesmo de sangue integral, vamos analisar as orientações sempre mutantes fornecidas pelo chamado “Escravo Fiel e Discreto”, que diz ter “orientação divina”. Vale lembrar, que qualquer Testemunha de Jeová que insistentemente desobedeça a uma “orientação” publicada pela Sociedade Torre de Vigia, está sujeita a expulsão da Congregação e é considerada uma pessoa rebelde, imprópria para associação, apóstata e merecedora da condenação divina, por mais imaculada que seja a conduta moral, a retidão de caráter e a fé de tal pessoa.

Não percamos de vista também, que este é um terreno delicado, que envolve uma questão de saúde, e, dependendo da posição que a pessoa adote, poderá significar a vida ou a morte para si mesmo e para seus entes queridos. 

O ano é de 1956 e uma forte luz, vinda do "trono de Jeová", brilha sobre os homens de NY, USA, e eles registram em sua importante revista Despertai! um decreto que doravante deverá ser seguido até às últimas consequências pela comunidade internacional das Testemunhas de Jeová: 

PROIBIDAS

1956

"[o] uso de... frações do sangue... estão sob a proibição das Escrituras.”

 "Embora este médico argumente a favor do uso de certas frações do sangue, particularmente albumina, estas também estão sob a proibição das Escrituras."

Despertai!, 08/09/56, página 20 ― em inglês.

 O uso de frações do sangue é terminantemente proibido nos pátios da Organização. Trata-se de uma “proibição das Escrituras”, nos diz o “canal de Deus”. A questão não está aberta a discussão e opor-se a esta orientação do “Escravo Fiel e Discreto” é o mesmo que opor-se ao próprio Deus, uma infidelidade para com o Altíssimo. É preciso obedecer, mesmo sem  entender. É preciso confiar na sabedoria dos “irmãos de Cristo”, sem questionar.  

Porém, pouco tempo depois, uma “nova luz” brilha em NY, e o que era uma “proibição das Escrituras” torna-se um não parece estar incluído na vontade expressa de Deus de proibir sangue como alimento”, conforme publicado na revista A Sentinela. As frações do sangue estavam agora liberadas:

PERMITIDAS

1959

"...o uso de frações de sangue... questão de decisão individual..."

"Devemos considerar a injeção de soros ... e as frações do sangue, tais como gama globulina... na mesma base como beber sangue ou tomar sangue ou plasma de sangue por meio de transfusões?"

Não, não parece ser necessário classificar as duas coisas na mesma categoria, embora tenhamos feito isso no passado. Cada vez que se menciona a proibição do sangue nas Escrituras, é em relação com tomá-lo como alimento, é como nutrição que nos interessa sua proibição... A injeção de anticorpos no sangue num veículo de sôro sanguíneo ou o uso de frações de sangue para se criarem tais anticorpos não é a mesma coisa que tomar sangue, ... fazer isso não parece estar incluído na vontade expressa de Deus de proibir sangue como alimento. Seria, portanto, uma questão de decisão individual se a pessoa aceita tal tipo de medicamento ou não."

A Sentinela 01/02/59, páginas 95-6 Perguntas dos Leitores.

 Nenhuma menção à memória daqueles que morreram em leitos hospitalares, dilacerados por enfermidades diversas, e que poderiam ter tido suas vidas preservadas pelo uso das então proibidas frações do sangue. Nenhuma  palavra de consolo aos pais que talvez tenham visto seus pequeninos definharem e morrerem diante de seus olhos, apegando-se à sua fé em Deus e em seu Corpo Governante. Digo talvez, pois as estatísticas não existem, ou pelo menos são muito imprecisas, visto que o assunto é algo sempre evitado em meio à comunidade de Testemunhas.

Três anos depois, uma inesperada “nova luz” “vinda de Deus”, ilumina o entendimento dos escritores do Corpo Governante e nova posição é adotada. Por incrível que pareça, as Testemunha de Jeová fiéis não poderão doravante aceitar frações do sangue. (Aos aturdidos irmãos, cabe novamente reajustar sua maneira de pensar e defender esta nova postura custe o que custar, mesmo em face da morte.) Aquilo que no passado recente já fora proibido pela Bíblia, e fora logo depois liberado pela Bíblia, era agora novamente proibido pela mesma Bíblia! Estariam os membros do Corpo Governante indecisos ou caducos? Absolutamente! Era a “luz divina” que progressivamente guiava o povo de Deus, mais especificamente o grupo seleto de homens que se proclamam os únicos habilitados a "compreender as 'coisas profundas de Deus'”.  Veja os artigos publicados então:

PROIBIDAS

1962

"É errado... suster a vida mediante... frações de sangue? Sim! (...) a lei divina se aplica".

"É errado suster a vida mediante infusões de sangue, plasma, glóbulos vermelhos, ou várias frações de sangue? Sim!

(...) quer seja sangue integral quer fração de sangue... quer seja administrado por transfusão quer por injeção, a lei divina se aplica".

A Sentinela 15/03/62, página 174, parágrafos 16 e 19.

 

PROIBIDAS

1963

"... são uma prática antibíblica... não apenas sangue integral, mas qualquer coisa que se derive do sangue..."

"Quanto às transfusões de sangue, já se sabe... que são uma prática antibíblica... pois não apenas sangue integral, mas qualquer coisa que se derive do sangue e que fôr usada para sustentar a vida ou para fortalecer a pessoa, está sob este princípio."

A Sentinela 15/07/63, página 443.

Mas nem tudo estava perdido. Para alívio daquelas Testemunhas enfermas, com familiares doentes ou que não conseguiam entender claramente as orientações do seu Corpo Governante, o uso das frações sanguíneas foi novamente liberado! Era novamente um assunto de decisão pessoal! Cada um devia seguir sua própria consciência treinada pela Bíblia.

Por mais que o Corpo Governante tente obscurecer este histórico de constantes mudanças doutrinais, e alegue que tais comentários “maldosos” são baseados em mentiras ou meias verdades elaboradas por apóstatas, são suas próprias literaturas que guardam os registros deste inacreditável vai e vem doutrinal. Confira:   

PERMITIDAS

1974

"Que dizer... do uso dum soro que contenha apenas uma fração minúscula de... sangue?... isto deve ser decidido pela consciência de cada cristão."

"Que dizer, então, do uso dum soro que contenha apenas uma fração minúscula de sangue e que seja empregado para prover uma defesa auxiliar contra uma infecção, não sendo empregada para realizar a função sustentadora da vida normalmente desempenhada pelo sangue?

(...) Cremos que isto deve ser decidido pela consciência de cada cristão."

A Sentinela 15/10/74, página 640.

O tempo passou, passou. Novamente, como um barco lançado para lá e para cá por uma forte tempestade, os homens do Corpo Governante pesquisam mais profundamente suas Bíblias e chegam a uma conclusão notável, mas não inédita: Os “cristãos verdadeiros” não devem aceitar frações do sangue, e caso o façam, serão expulsos de suas Congregações, serão banidos de seu convívio social, terão seus laços familiares rompidos, serão considerados indignos de um mero aceno, e morrerão aos olhos de seu Criador. Vejam a citação da Despertai!:

PROIBIDAS

1975

"... derivativos sanguíneos... os verdadeiros cristãos não utilizam este tratamento"

"Certos 'fatores' plasmáticos da coagulação acham-se agora em amplo uso... os que recebem tal tratamento enfrentam outro perigo mortífero... quase 40 por cento dos 113 hemofílicos estudados apresentaram casos de hepatite... 'Todos esses pacientes receberam sangue integral, plasma ou derivativos sanguíneos que continham [os fatores]'... Naturalmente, os verdadeiros cristãos não utilizam este tratamento potencialmente perigoso, acatando a ordem da bíblia de 'abster-se de sangue'".

Despertai! 22/08/75, página 29.

 Gostaria de esclarecer ao leitor, que contrário ao que possa parecer, todas as publicações citadas neste artigo são publicadas pela mesma agência, com o aval do mesmo grupo seleto de homens, sediados em Brooklyn, NY, cujas normas e interpretações da Bíblia, afetam a vida de mais de seis milhões de pessoas ao redor do mundo, dispostas a sacrificar tudo, até mesmo suas vidas e a de seus entes queridos, para não contrariar tais “orientações teocráticas”.

Só que agora eles decidem liberar novamente o uso de frações do sangue!

Difícil de acreditar? Veja então:  

PERMITIDAS

1978

“... aceitar uma pequena quantidade de derivado de sangue... não é manifestação de desrespeito pela lei de Deus..."

"(...) que dizer de se aceitarem injeções de soros para combater doenças, tais como os usados contra difteria, tétano, hepatite por vírus, hidrofobia, hemofilia e incompatibilidade de RH? Isto parece cair numa zona de ‘questões limítrofes’. Alguns cristãos acham que aceitar uma pequena quantidade de derivado de sangue para tal fim não é manifestação de desrespeito pela lei de Deus; sua consciência lhes permite isso."

A Sentinela 01/12/78, página 31 Perguntas dos Leitores.

 

PERMITIDAS

1990

"o cristão tem de decidir se aceitará imunoglobulina, albumina ou injeções similares de frações do plasma."

"Os pesquisadores provaram que a albumina plasmática também é transportada, embora menos eficientemente, pela placenta, da mãe para o feto.

Esta transferência natural de algumas frações protéicas do plasma para o sistema sanguíneo de outrem (o feto) pode ser outro fator a ser considerado quando o cristão tem de decidir se aceitará imunoglobulina, albumina ou injeções similares de frações do plasma. Uma pessoa talvez decida que pode aceitar isso em boa consciência; ou talvez conclua que não pode. Cada indivíduo tem de resolver o assunto em base pessoal perante Deus."

A Sentinela  01/06/90,  página 31 Perguntas dos Leitores.

Por incrível que pareça, as Testemunhas de Jeová desde então podem aceitar as frações sanguíneas. Está novamente liberado. É uma questão pessoal, uma questão de consciência individual ― pelo menos por enquanto.

As Testemunhas de Jeová em geral desconhecem este histórico doutrinal de sua própria religião, e o assunto é por demais inconveniente para ser trazido à luz por seus líderes. E ao menor indício de que um membro das Testemunhas esteja sequer comentando tais digamos, “aperfeiçoamentos”, desencadeia um processo bem elaborado para reprimir tal “conversa contrária”.

Seria legítimo, no entanto, perguntarmos: Que Bíblia é essa usada pelo Corpo Governante das Testemunhas de Jeová que muda frequentemente seu conteúdo? E visto que o Corpo Governante é alegadamente “guiado pelo espírito santo”, seria Jeová um Deus tão inconstante ou talvez brincalhão, que conduz seu povo para lá e para cá, mudando sua vontade vez após vez, ao custo de inúmeras vidas inocentes? Será Jeová, então, o culpado por tanto sofrimento, por tantas vidas perdidas? Sequer imaginar isso seria tolo e blasfemo!

Mas não nos deixemos levar pela emoção ao analisarmos esta difícil questão. Especialmente aqueles que tiveram suas vidas profundamente influenciadas por essa religião, e que tem apostado nela toda sua confiança, devem considerar com muita sobriedade sobre tudo o que está envolvido. A questão, naturalmente vai muito além de uma mera discussão teológica, visto que são vidas de pessoas geralmente boas e simples que estão envolvidas. Considere se seria sábio, diante do exposto, colocar nossa própria vida, ou a vida de nossos queridos filhos em risco, confiando nas orientações deste “canal”. Que esta meditação seja mais do que algo meramente casual.

E o que dizer da postura dúbia adotada pela Organização, em seu intuito de suavizar sua imagem autoritária e controladora, ludibriando o público de fora, dando a impressão de que cada Testemunha decide com base em sua consciência individual e dizendo que a proibição às transfusões de sangue não é uma decisão organizacional? Vejamos dois exemplos deste lamentável engodo:

"A Sociedade Torre de Viga não faz recomendações nem decisões para outros referentes a práticas de medicina... No entanto, quando certas práticas têm aspectos questionáveis à luz dos princípio bíblicos, pode-se trazer isso à atenção. Cada um pode então... decidir o que fazer." ― A Sentinela 15/12/94, página 19.

"Tampouco é a questão do sangue uma resolução organizacional, mas uma crença sincera e pessoal." ― Despertai! 22/03/95, página 19.

 Infelizmente, tratam-se de afirmações altamente enganosas. Aqueles que são Testemunhas de Jeová, sabem muito bem que desobedecer ao todo-poderoso Corpo Governante, neste e em muitos outros casos, resulta em expulsão da Congregação, ou pelo menos em severa disciplina. Novamente o leitor fará bem em usar de discernimento e lucidez, ao considerar a questão acima.

Os dois exemplos considerados acima certamente já são suficientes para mostrar a conveniência de se servir daquilo que é publicado pelo Corpo Governante das Testemunhas de Jeová como sendo o “alimento espiritual no tempo apropriado”, mas analisemos outra questão, não menos séria e com consequências não menos dolorosas e trágicas.

Serviço Alternativo ao recrutamento Militar

As Testemunhas de Jeová tem cultivado, ao longo de sua história, uma louvável reputação de integridade diante dos horrores das guerras e adotado uma postura neutra e pacífica. Novamente não consideraremos neste artigo se servir nas fileiras combatentes das forças armadas é ou não apropriado, do ponto de vista bíblico. Consideraremos sim as orientações fornecidas às Testemunhas sobre se é ou não apropriado ao cristão prestar o Serviço Alternativo ao Alistamento Militar, uma concessão feita por vários governos ao redor do mundo que permite aos objetores ao serviço militar por razões de consciência religiosa, prestar serviços de natureza social e comunitária, em substituição ao serviço e treinamento combatente.  

Muitas pessoas, de diversas religiões, e que são objetores de consciência tem se valido deste arranjo, prestando serviço militar alternativo em asilos, hospitais, plantações, escolas e obras públicas. Mas as Testemunhas de Jeová nem sempre puderam se valer deste arranjo. Vejamos:

PROIBIDO

1939

“Jeová proveu clara orientação. (...) Quer o assunto fosse... serviço alternativo... os cristãos fiéis adotavam a posição de que não havia meio-termo. Em alguns casos, foram executados por causa desta posição.”

"... em 1939, Jeová proveu clara orientação para os seus servos.

... Quer o assunto fosse derramamento de sangue, serviço militar não-combatente, serviço alternativo, quer saudar uma imagem tal como uma bandeira nacional, os cristãos fiéis adotavam a posição de que não havia meio-termo. Em alguns casos, foram executados por causa desta posição."

A Sentinela  01/09/86, página 20, parágrafos 14 e 16.

 

PROIBIDO

“... Os primeiros irmãos enviados a julgamento neste período receberam pesadas sentenças e passaram tempos difíceis na prisão. (...) Finalmente, foi sancionada uma lei determinando que aqueles que não concordassem em prestar serviço alternativo deveriam ser sentenciados... 12 a 15 meses de prisão. (...) De 1978 a 1980, em média, 500 irmãos jovens têm estado na prisão por um ano, em razão da questão da neutralidade. Calcula-se que até o presente momento, muitos milhares..."

"o problema da neutralidade cristã tornou-se mais acentuado depois da Segunda Guerra Mundial, quando havia maior número de jovens cristãos que desejavam conscienciosamente manter-se separados do mundo.

... "Os primeiros irmãos enviados a julgamento neste período receberam pesadas sentenças e passaram tempos difíceis na prisão. Alguns foram julgados cinco ou seis vezes, e receberam sentenças que somavam quatro ou mais anos de prisão. Isto ocorria porque a jovem Testemunha, ao sair da prisão, era novamente convocada para o serviço militar e enviada à prisão cada vez que se recusava a ceder. Teoricamente, esta série de acontecimentos poderia continuar até que alguém alcançasse 45 anos, quando não mais estaria sujeito à convocação militar.

...Finalmente, foi sancionada uma lei determinando que aqueles que não concordassem em prestar serviço alternativo deveriam ser sentenciados a um único termo de prisão, de modo que nossos jovens irmãos recebem agora de 12 a 15 meses de prisão.

De 1978 a 1980, em média, 500 irmãos jovens têm estado na prisão por um ano, em razão da questão da neutralidade. Calcula-se que até o presente momento, muitos milhares de Testemunhas têm mantido uma consciência limpa perante Jeová Deus neste respeito."

Anuário das Testemunhas de Jeová 1983, páginas 222, 224 e 226.

 

PROIBIDO

1962

"... eram... convocados para o serviço alternativo. Quando recusavam, eram encarcerados..."

"Em 1962, pronunciou-se a primeira sentença sob esta nova lei sobre um jovem ministro das testemunhas de Jeová. Recusara apresentar-se para serviço alternativo ao recrutamento militar... Foi sentenciado a quatro meses de prisão.

... Seguiram-se muitos casos similares, sendo dadas sentenças de prisão.

Também, surgiu uma nova situação. Ao serem libertos da prisão, esses ministros eram novamente convocados para o serviço alternativo. Quando recusavam, eram encarcerados pela segunda vez. Alguns foram encarcerados pela terceira vez."

Despertai! 08/07/71, página 9.

 

PROIBIDO

1970

"as Testemunhas não podem aceitar nenhum substituto, qualquer que seja, do serviço militar, por mais digna que seja a tarefa."

"Em princípios da década de 1970...

(...) Representantes da filial compareceram perante a comissão, explicando que as Testemunhas não podem aceitar nenhum substituto, qualquer que seja, do serviço militar, por mais digna que seja a tarefa."

Anuário das Testemunhas de Jeová 1991, página 166.

 

PROIBIDO

1971

"questão de estrita neutralidade... qualquer trabalho que fosse simples substituto para o serviço militar não seria aceitável (...) Aceitar voluntariamente tal trabalho é objetável ao cristão devido ao que a lei de Deus diz sobre o assunto (...) A servidão civil como substituto para o serviço militar seria igualmente objetável para o cristão. Com efeito, desta forma se tornaria parte do mundo..."

"Em 26 de março de 1971, três representantes das testemunhas de Jeová se reuniram...

... o que realmente constitui sua objeção ao serviço civil, alternativo?"

As Testemunhas explicaram... ser uma questão de estrita neutralidade. Por conseguinte, qualquer trabalho que fosse simples substituto para o serviço militar não seria aceitável às testemunhas de Jeová.

Aceitar voluntariamente tal trabalho é objetável ao cristão devido ao que a lei de Deus diz sobre o assunto: "Vós fostes comprados por um preço; parai de vos tornardes escravos de homens." (1Cor. 7:23) A servidão civil como substituto para o serviço militar seria igualmente objetável para o cristão. Com efeito, desta forma se tornaria parte do mundo, ao invés de manter-se separado, como Jesus ordenou. — João 15:19; 17:14-16."

Despertai! 08/05/75, página 22.

 

PROIBIDO

1983

“... as Testemunhas de Jeová... recusaram ...aceitar outro serviço em substituição do serviço militar.... Porque estudaram os requisitos de Deus (...) Muitas... foram encarceradas... Algumas foram tratadas com brutalidade, mesmo a ponto de serem mortas. Outras continuaram a demonstrar sua neutralidade durante anos de prisão."

 "... as Testemunhas de Jeová... durante o último meio século, ou mais... recusaram fazer serviços não-combatentes ou aceitar outro serviço em substituição do serviço militar. Por quê? Porque estudaram os requisitos de Deus e depois fizeram uma conscienciosa decisão pessoal. Ninguém lhes diz o que devem fazer.

(...) Muitas das Testemunhas de Jeová foram encarceradas por não quererem violar a sua neutralidade cristã. Algumas foram tratadas com brutalidade, mesmo a ponto de serem mortas. Outras continuaram a demonstrar sua neutralidade durante anos de prisão."

Livro Unidos na Adoração do Único Deus Verdadeiro, página 167, ano 1983.

Naturalmente, qualquer movimento religioso tem o direito de elaborar suas regras, suas normas, e cabe a seus membros decidir se irão submeter-se a elas ou não. Todavia, quando atender às expectativas e determinações de sua liderança, coloca sua vida ou a de sua família em risco, fará bem em analisar se é Deus de fato quem está por trás de tais regulamentos e exigências.

E a questão do Serviço Alternativo, não é algo trivial, corriqueiro, mas algo extremamente sério, pois conforme vimos nas citações da Torre de Vigia, inúmeros jovens perderam suas vidas por se recusarem a prestar este tipo de substituto ao serviço militar. Chefes de família foram impossibilitados de fazer provisões para os seus, crianças tornaram-se órfãs e mulheres viúvas, pois para estes jovens, o mais importante era seguir os conselhos do “Escravo Fiel e Discreto”, “o restante ungido” “o povo escolhido”, pois supostamente essa era a vontade de Deus.

Mas, como a verdade ensinada pela Sociedade Torre de Vigia é “progressiva”, como a “verdade” de ontem não é a de hoje, e a de hoje não será a de amanhã, uma “nova luz” promoveu um ajuste inesperado. Os homens de NY proclamaram: o Serviço Alternativo finalmente está liberado! Considere:

LIBERADO

1996

“...quando o Estado exige que o cristão preste serviço civil durante um período como parte dum serviço nacional sob uma administração civil? (...) Se concluir que o serviço civil... é uma 'boa obra'... devem ... continuar a considerá-lo como cristão de boa reputação."

"O que se dá, porém, quando o Estado exige que o cristão preste serviço civil durante um período como parte dum serviço nacional sob uma administração civil? ... Os cristãos que se vêem confrontados com uma exigência de César devem com oração estudar o assunto e meditar sobre ele

(...) se... concluir que o serviço civil, nacional, é uma "boa obra" em que ele pode participar em obediência às autoridades... Os anciãos designados e outros devem respeitar plenamente a consciência deste irmão e continuar a considerá-lo como cristão de boa reputação."

A Sentinela 01/05/96, página 16, parágrafos 19 e 21.

 

LIBERADO

1998

“No passado, algumas Testemunhas sofreram por se terem negado a participar... de certo tipo de serviço civil. Um irmão talvez ache agora que pode prestar conscienciosamente este serviço sem violar sua neutralidade cristã (...) Foi injusto da parte de Jeová deixá-lo sofrer por rejeitar aquilo que agora poderia fazer sem conseqüências?"

"No passado, algumas Testemunhas sofreram por se terem negado a participar numa atividade que sua consciência agora talvez permita. Por exemplo, isto talvez tivesse que ver com sua escolha, anos antes, de certo tipo de serviço civil. Um irmão talvez ache agora que pode prestar conscienciosamente este serviço sem violar sua neutralidade cristã referente ao atual sistema de coisas.

Foi injusto da parte de Jeová deixá-lo sofrer por rejeitar aquilo que agora poderia fazer sem consequências? A maioria dos que passaram por isso não pensam assim. Antes, alegram-se de ter tido a oportunidade de demonstrar em público e de forma clara que estavam decididos a se manter firmes na questão da soberania universal. (Note Jó 27:5.) Que motivo poderia alguém ter para lamentar ter acatado sua consciência ao adotar uma posição firme a favor de Jeová? Por sustentarem lealmente os princípios cristãos como os entenderam, ou por seguirem os ditames da consciência, mostraram-se dignos da amizade de Jeová....

... algumas Testemunhas foram muito estritas no seu conceito do que fariam ou do que não fariam. Por este motivo, sofreram mais do que outros. Mais tarde, maior conhecimento os ajudou a ampliar sua visão dos assuntos..."

A Sentinela 15/08/98, página 17, parágrafos 6, 7 e 9.

Por incrível que pareça, a partir de agora seria uma questão de consciência individual. Ninguém mais precisava ir para a cadeia, ou enfrentar o martírio! Ninguém mais seria expulso de sua Congregação e perderia o convívio de todos os seus amigos e até de seus parentes por prestar o Serviço Alternativo!

A Sentinela acima até mesmo chega a insinuar que a culpa pelo sofrimento destes jovens foi “da parte de Jeová”, que “a maioria” ficou alegre de passar por isso e ainda pergunta: "que motivo poderia alguém ter para se lamentar?” Ora, se perder a vida, o emprego, ser torturado, humilhado, ser separado da família e etc., não são motivos suficientes para se lamentar, o que será então? Sentiram-se ou sentem-se alegres os pais que viram seus filhos serem decapitados, enforcados ou fuzilados, a favor de uma “verdade bíblica” que de uma hora para outra se torna antiga, ultrapassada?

Os escritores da Torre de Vigia chegam ao cúmulo de afirmar que estes homens sustentaram os princípios cristãos, “como os entenderam”, dando a impressão que eles por conta própria, discerniram que tinham que recusar o serviço alternativo para serem leais e inculpes perante Deus, tentando desta forma se eximir da responsabilidade por todo este sofrimento. Mas, acaso, o Corpo Governante não teve participação alguma nisso? Acaso a recusa ao Serviço Alternativo não era a posição oficial da Organização e não esperava-se que todos os seus membros aderissem a esta norma?

Ironicamente, no passado, quem não fizesse uma suposta “conscienciosa decisão pessoal” (Livro Unidos na Adoração, página 167) recusando o serviço alternativo seria automaticamente considerado dissociado, o que equivale a ser expulso! Note que na edição de A Sentinela citada imediatamente acima, mencionam que aquilo que antes rejeitavam - o serviço alternativo - "agora poderiam fazer sem consequências".

Que "conscienciosa decisão pessoal" seria essa? Todos os associados com a Organização sabem que o livre pensamento é fortemente desestimulado entre as Testemunhas de Jeová, que qualquer sinal de questionamento é prontamente reprimido por meio das Comissões Judicativas [verdadeiros tribunais eclesiásticos - rapidamente formados para reprimir qualquer murmúrio contrário] e da forte propaganda oficial, que classifica a todos os que discordam de apóstatas iníquos.

Resta alguma dúvida de que a Sociedade Torre de Vigia tem uma pesada...

CULPA DE SANGUE

... e que, neste ponto, não se faz diferente de tantas outras religiões, por desconsiderar em sua doutrina o princípio bíblico de 1Coríntios 4:6: “não vades além das coisas que estão escritas”?

Que cada um de nós analise tais questões com sobriedade e perspicácia!