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Ex-Testemunha de Jeová
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Análise Suplemento do Sangue

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Análise Suplemento do Sangue
Nosso Ministério do Reino, novembro de 2006
"Lá vem mais um tipo falar mal das Testemunhas de Jeová."

Não, não é o propósito deste blog. Este blog é feito por uma Testemunha de Jeová e é escrito para Testemunhas de Jeová.

Na realidade, desejo compartilhar com os meus irmãos na fé algumas inquietações que me varrem a mente desde há alguns anos para cá.

Desde sempre fui fiel e leal aos princípios bíblicos aprendidos e partilhados pela comunidade de TJ em todo o mundo.

A questão do sangue nunca me levantou questões sérias, nem nunca sequer ousei questionar o princípio encontrado em Atos 15:28,29 de "abster-se de sangue". Mas nos últimos anos, diversas mudanças realizadas através do Corpo Governante na questão do sangue, têm-me feito investigar esta questão mais a fundo. De várias perspectivas.

Qualquer um de vós, possuindo as Sentinelas e as Despertais! mais antigas (ver CD-ROM Watchtower Library se possível) poderá facilmente constatar a ferrenha oposição da Sociedade a qualquer coisa, quer a nível alimentar ou médico, que contivesse sangue, independentemente de ser fracções principais ou secundárias.

Esta oposição tem-se vindo a diluir com a passagem de tempo e hoje em dia qualquer TJ poderá recorrer a alternativas médicas em que o sangue, ou melhor, parte do sangue é usado no seu tratamento sem incorrer num processo judicativo.

A bem da verdade, na prática, este nem sequer chega a ocorrer, pois a pessoa que aceitar sangue total ou as fracções proibidas pela Sociedade corre o sério risco de ser considerada "dissociada" (livremente recusar pertencer como membro) o que na prática equivale na mesma à desassociação (excomunhão absoluta).

Esta separação entre fracções maiores e menores, ou principais e secundárias, pode ser considerada por muitos como um ponto positivo a favor da mudança de mentalidade da parte da Sociedade. E, realmente, poderá evitar que mais TJs morram em situações de grave emergência médica, seja ela motivada por cirurgias, acidentes, etc.

Mas, qualquer pessoa de bom senso poderá razoavelmente questionar o porquê destas mudanças. Se em artigos mais antigos da Sentinela, as fracções fossem principais ou não, eram consideradas como sangue e por isso algo proibido para um cristão, porque agora não o são mais?

O que mudou? A Bíblia? Óbvio que não! Ela não muda. Então, mudou o entendimento sobre este assunto, permitindo um maior peso dado à consciência individual? Sem dúvida!

Mas como se tem constatado nas congregações, a confusão sobre o uso do sangue é geral. Muitos até mesmo se "esquecem" de preencher o seu cartão DPA, porque não entendem as implicações nas diversas opções lá colocadas.

E as perguntas que surgem, quando alguém analisa friamente este assunto, livre de dogmatismos? Por exemplo:

  • Eu não posso aceitar que o meu sangue seja retirado antes de uma operação (autólogo), para ser administrado caso seja necessário, mas não há problema em receber fracções de sangue colectado de milhares de outros pacientes?

  • Se não posso doar sangue, como é possível aceitá-lo em forma de fracções, beneficiando de outros doadores?

  • Onde é que a Sociedade encontra apoio bíblico para a sua proibição parcial do sangue?

  • Se a base para não usar o próprio sangue, são os textos das Escrituras Hebraicas que ordenam que o sangue "deve ser deitado à terra", então como é que as fracções chegam até nós? Não são elas mesmas retiradas de milhares de doadores, estocadas, fraccionadas e medicamente alteradas para serem usadas em quaisquer pacientes que necessitem delas? Onde está a diferença?

  • Quando até mesmo a hemoglobina retirada de bovinos (Hemopure – ver Km de novembro) poderá ser aceita por TJ, como se cumpre a ordem bíblica de não comer (tomar no sentido mais lato) sangue animal?

Estas questões têm-me feito ponderar seriamente a minha forma de encarar a questão do sangue.

Quando recebemos em Novembro de 2006, o suplemento do Ministério do Reino (km 11/06) com o tema “Como encaro as fracções de sangue e os procedimentos médicos que envolvem o uso do meu próprio sangue?”, não pude deixar de ficar admirado com algumas afirmações, que apesar de subtis, sem dúvida levantam sérias questões a pessoas de coração honesto e inquisitivo.

Analisando cada parágrafo, encontrei vez após vez afirmações e instruções que não se coadunam com uma sempre e reafirmada posição contra o uso do sangue, mantido até bem recentemente pela Sociedade. Apesar de tudo isto, o lema ‘não ao uso do sangue’ está sempre bem presente, como que tentando anular ou disfarçar aquilo que é bem evidente: as TJ usam o sangue (ou parte do sangue) de outros e até mesmo o seu próprio sangue em procedimentos médicos.

Para melhor entenderem aquilo que afirmo, coloco aqui parágrafo por parágrafo o conteúdo, e peço a todos os irmãos a verem a forma como as frases são construídas, dando a entender uma coisa quando na realidade significam exactamente o contrário daquilo que se propõe fazer.
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