As TJs tentam reescrever o seu passado: o cisma de 1917 - Copiar - INDICETJ.COM Escandalo sobre Testemunhas de Jeova

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AS TJS TENTAM REESCREVER O SEU PASSADO: O CISMA DE 1917
M. James Penton
Por causa da crença segundo a qual tudo o que os líderes da Watch Tower fizeram tem de estar certo porque eles representam Jeová como o Seu "canal," eles criaram uma história falsificada através da qual têm tentado encobrir tanto os seus falhanços proféticos como algumas da suas acções menos éticas. Em particular, eles têm tentado esconder como foram traiçoeiros com alguns dos seus ex-irmãos e como, apesar de fortes afirmações em contrário, eles se envolveram hipocritamente em várias actividades políticas. Embora admitam, quando forçados a isso, que cometeram muitos "erros" doutrinais que precisaram de "ajustes," eles alegam que as suas motivações têm sido sempre da mais alta natureza ética.

Por exemplo, ao falar da organização das Testemunhas como sendo o "escravo fiel e discreto," a The Watchtower [A Sentinela] de 1.º de Março de 1979 (p. 24) diz: "Mas nunca esqueçamos que as motivações deste 'escravo' foram sempre puras, desinteressadas; sempre bem intencionadas." Contudo, nada poderia ser uma mentira mais descarada, como os factos apresentados a seguir demonstrarão. Quando J. F. Rutherford decidiu em 1917 tornar-se virtualmente um ditador sobre a Watch Tower Society [Sociedade Torre de Vigia], foi-lhe necessário violar o testamento do seu predecessor e substituir a maioria dos membros do Corpo de Directores da Sociedade com os seus próprios aliados pessoais. Ele usou o subterfúgio legal de que os quatro directores em questão não tinham sido devidamente elegidos para o cargo sob a lei de Pensilvânia, e por isso ele podia substituí-los por decreto presidencial. Contudo, Rutherford sabia que tal argumento legalista por si só poderia não satisfazer a comunidade dos Estudantes da Bíblia. Portanto, no mesmo dia em que anunciou a demissão dos directores no Betel (sede da Watch Tower) de Brooklyn, quando estava no refeitório, ele também lançou um novo livro intitulado "The Finished Mystery" ["O Mistério Consumado"] que foi publicitado como sendo um trabalho póstumo do Pastor Russell e o "sétimo volume" dos seus Estudos das Escrituras. Consequentemente, quando ocorreu uma violenta batalha verbal de cinco horas a respeito do golpe organizacional de Rutherford, ele e Clayton Woodworth, um dos co-autores de "The Finished Mystery," afirmaram que os directores expulsos estavam na realidade a basear a oposição ao presidente da Watch Tower na sua [dos directores] suposta desaprovação do sétimo volume, em vez de ser no comportamento maquiavélico de Rutherford. Assim, fez-se parecer junto de muitos Estudantes da Bíblia que eles estavam "em desarmonia," não só com Rutherford, mas também com os desejos do falecido e reverenciado Charles Taze Russell. Numa defesa das suas acções, intitulada "Harvest Siftings" ["Peneiração da Colheita"], Rutherford declarou:

Estamos recordados de uma coincidência que mencionaremos. Esta foi de facto uma grande provação para a família [o pessoal de Betel] e para outros queridos amigos por todo o país que ouviram falar do assunto. O Irmão Russell disse certa vez que o Sétimo Volume seria dado à Igreja na sua hora de maior necessidade, para encorajá-los e confortá-los, e as Escrituras indicam que viriam murmuradores, queixosos, etc. O Sétimo Volume, como sabem, está agora publicado. As primeiras cópias estavam no Refeitório de Betel ao meio-dia de Terça-feira, 17 de Junho, e no fim da minha declaração à família acerca do que tinha conduzido à presente situação, eu afirmei que o Sétimo Volume estava ali para ser distribuído a quem o desejasse; e imediatamente a seguir os Irmãos Hirsh e Hoskins [dois ex-directores] começaram a atacar-me.

Mesmo antes da publicação de "Harvest Siftings" ["Peneiração da Colheita"], Clayton Woodworth tinha feito alegações similares numa convenção de Estudantes da Bíblia em Boston, Massachusetts, em 4 de Agosto de 1917. Num sermão intitulado "The Parable of the Penny" ["A Parábola do Denário"], que também foi publicada como um pequeno folheto, Woodworth tentou afirmar que o Juiz Rutherford era "o mordomo" do denário descrito por Jesus em Mateus 20:1-10 e que "The Finished Mystery" ["O Mistério Consumado"] era o "denário." Assim, Woodworth observou:

"Mas quando o primeiro veio. -- Quando os trabalhadores de Betel foram convocados para receber o sétimo volume de Estudos das Escrituras, ao meio-dia, em 17 de Julho de 1917.

"Eles.-- Cinco ou seis dos irmãos mais proeminentes em Betel, os mais altamente estimados, mais amados, mais apreciados, em certos aspectos, de todos os queridos irmãos na Verdade. Todos estes queridos irmãos são peregrinos [evangelistas viajantes], todos perfeitamente familiarizados com as histórias de Corá, Datã e Abirão, e todos conhecem por inteiro o testemunho das Escrituras de que a humildade e a submissão à vontade Divina é o único caminho aceitável para Deus.

"Supondo que deviam ter recebido mais. -- Às 13 horas, a 17 de Julho de 1917, todos estesirmãos sabiam que iriam receber o Denário; mas nesse momento, um após outro, na linguagem mais exaltada, eles tornaram claro que queriam algo além do Denário; mais honra, mais reconhecimento, mais voz na condução dos assuntos.

"E assim também cada um recebeu um Denário. -- Era deles, podiam tomá-lo desde esse momento, e eles não tinham então, nem agora, nenhuma razão de queixa contra a gestão eficiente que o Irmão Rutherford foi eleito para fazer.

"E quando o receberam, eles murmuraram contra o dono da casa. -- Contra o Senhor da Colheita. É assim que o Senhor o considera.

Desde esse tempo até à actualidade, os porta-vozes e "historiadores" da Watch Tower têm repetido as versões de Rutherford e Woodworth sobre o assunto como se fossem o evangelho. Testemunhando no julgamento de Moyle em Outubro de 1943, Fred Franz declarou: "Eu compreendo que [em Julho de 1917] eles tiveram um dia de discussão à mesa sobre o assunto do sétimo volume que fora publicado e que esses que objectavam foram os que saíram." Alexander H. Macmillan, um dos confidentes mais próximos de Rutherford e um homem que até esteve presente na amarga confrontação da Watch Tower em 17 de Julho de 1917, escreveu em 1957:

"O clímax aconteceu em Julho de 1917, apenas seis meses depois de Rutherford ter sido eleito presidente. Ele tinha arranjado maneira de fazer o sétimo volume dos "Studies in the Scriptures" [Estudos das Escrituras]. Russell tinha escrito os primeiros seis. O sétimo, chamado "The Finished Mystery" ["O Mistério Consumado"], era na realidade uma compilação de material proveniente de notas e escritos de Russell e foi lançado como um trabalho póstumo de Russell. Como, segundo os regulamentos, o presidente da Sociedade também era o gestor dos assuntos da Sociedade, Rutherford não tinha consultado o corpo de directores e os quatro que se julgavam membros levantaram objecções veementes. Como resultado disso, a oposição deles à política e ao trabalho da Sociedade tornou-se tão rancorosa que era impossível manter a unidade na sede se eles permanecessem. Foi-lhes pedido que deixassem a casa de Betel ou que alinhassem com o trabalho. Eles escolheram sair.

Sob o subtítulo "Lançamento de 'O Mistério Consumado' -- um Choque," a história oficial da Sociedade, "Jehovah's Witnesses in the Divine Purpose" ["Testemunhas de Jeová no Propósito Divino"], publicado em 1959, declara:

"Ao meio-dia de 17 de Julho de 1917 este livro foi lançado no Refeitório de Betel. Tal como o Irmão Russell costumava fazer, o Irmão Rutherford ofereceu um exemplar deste livro a cada membro da família de Betel. Foi um choque. Completamente surpreendidos por este lançamento, os membros do corpo de directores que se opunham aproveitaram-se imediatamente desta situação e fizeram disso um motivo para uma controvérsia de cinco horas sobre a administração dos assuntos da Sociedade."

O "1975 Yearbook" [Anuário de 1975] da Testemunhas de Jeová, numa história do movimento nos Estados Unidos, apresenta o mesmo tipo de relato. Embora não diga que o lançamento de "The Finished Mystery" foi a causa da altercação em questão, certamente tenta deixar essa impressão. Entre outras coisas, diz:

"Este incidente [o lançamento de "The Finished Mystery" e o subsequente debate] revelou que alguns membros da família de Betel simpatizavam com os opositores."

Os quatro anteriores directores, A. I. Ritchie, J. D. Wright, I. F. Hoskins, e R. H. Hirsh, sempre contestaram que o relato oficial da Watch Tower Society era uma mentira. Numa publicação chamada "Light after Darkness" ["Luz depois da Escuridão"] que eles e o Vice Presidente da Watch Tower, A. N. Pierson editaram em resposta a "Harvest Siftings," eles afirmaram: "Em primeiro lugar, nenhum dos Directores que são falsamente acusados de serem 'murmuradores' sabia nada acerca da publicação do sétimo volume antes de este ter sido lançado. Mais ainda, o assunto do sétimo volume estava completamente fora dos assuntos em discussão naquela ocasião. Nenhum dos irmãos acusados de serem 'murmuradores' disse nada sobre o sétimo volume, nem tinham nenhum sentimento contra o volume." Então, quem é que disse a verdade? Será possível apurar os factos com algum grau de certeza depois de todos estes anos? Sim, pois quando estava sob juramento, na primavera de 1918, o Juiz Rutherford admitiu que a sua declaração sobre o assunto na publicação "Harvest Siftings" era falsa. Nesta época, ele e seis associados estavam a ser julgados por terem interferido com o recrutamento, nos termos da Lei de Espionagem dos Estados Unidos referente à Primeira Guerra Mundial. Quando interrogado acerca do que tinha vindo a público quando "The Finished Mystery" foi lançado no Betel de Brooklyn em Julho do ano anterior, ele admitiu voluntariamente que o lançamento não teve nada a ver com o debate que se seguiu. Repare no testemunho de Rutherford, conforme transcrição do registo:

Pergunta: E eu penso que ele [o secretário-tesoureiro da Watch Tower Society] disse algo quanto ao objectivo de guardar segredo a respeito do facto de o sétimo volume de "The Finished Mystery" estar para ser publicado. Quais são os factos a esse respeito?

Resposta: Não havia nenhuma intenção de ocultar o facto de que o livro seria publicado. A razão era esta: Nós tivemos dificuldades consideráveis na nossa sociedade nesse tempo.

Pergunta: As dificuldades eram devidas ao "The Finished Mystery"?

Resposta: Não eram. Não incluíam "The Finished Mystery" nem um pouco.

Pergunta: "The Finished Mystery," nesse tempo, não se tinha tornado o assunto de nenhuma discussão entre alguns dos membros?

Resposta: Não, senhor, não o tinha discutido com uma única pessoa na sociedade na época em que estes problemas começaram.

Pergunta: Esses problemas a que o senhor se refere são os problemas mencionados na resolução que o senhor apresentou ao Corpo de Directores a 17 de Julho de 1917?

Resposta: Sim, senhor.

Pergunta: Isso era alguma dissenção interna na organização que não se relacionava com este "Finished Mystery"?

Resposta: Sim, senhor.

Apesar deste reconhecimento claro num tribunal, Rutherford nunca tentou esclarever o assunto entre os seus seguidores, e a Watch Tower Society tem continuado a perpetuar as falsidades publicadas em "Harvest Siftings" e em "The Parable of the Penny." Assim, em vez de admitir honestamente que a razão por detrás do amargo debate de 17 de Julho de 1917 foi uma luta pelo poder sobre a organização na qual Rutherford foi o vitimizador em vez de ser a vítima, a Sociedade deixou as Testemunhas de Jeová com história falsa. Uma década e meia antes de os Nazis terem chegado ao poder na Alemanha, Rutherford e os seus aliados já estavam a usar a técnica que Josef Goebbels tornou famosa com o nome de "Grande Mentira." Os sucessores deles têm continuado a fazer o mesmo.


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