Miller, Barbour e Russell - A passagem do bastao - INDICETJ.COM Escandalo sobre Testemunhas de Jeova

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O rei na Terra

MILLER, BARBOUR E RUSSEL - A PASSAGEM DO BASTÃO

Odracir

Uma pausa para examinar a condição pessoal tanto de William Miller como de seus sucessores talvez nos ajude a compreender melhor o perfil destes "profetas" modernos. Não se pode negar que as profecias bíblicas sobre a Segunda Vinda de Cristo - acompanhada de eventos cataclísmicos - tenha exercido um fascínio sobre o intelecto humano através das eras, especialmente em períodos turbulentos da história , quando as pessoas - aflitas e impotentes - tendem a se voltar para o sobrenatural em busca de respostas. Foi assim durante a Revolução Francesa e, no século vinte, durante a I e II Guerras Mundiais. Provavelmente será assim no futuro, pois esta é uma inexorável peculiaridade do ser humano. Pode-se demonstrar que praticamente durante toda  a história, a pirotecnia profética sempre esteve presente, com previsões surgindo  aqui e ali. Tal realidade está registrada nas próprias escrituras - "Então se alguém vos disser: 'Eis que aqui está o Cristo!', ou: 'Ali!', não o acrediteis." (Mateus 24: 23)
    Vistos sob esta ótica,  Miller, Barbour  e Russell são símbolos de seu tempo, emergentes de uma cultura onde as especulações proféticas eram objeto de interesse de muitos intelectuais e religiosos (especialmente os clérigos protestantes anglo-americanos do século dezenove). Eram, pois, visionários e, acima de tudo, indivíduos carismáticos e apaixonados por aquilo que faziam. Nestas circunstâncias não era  difícil que outros se sentissem estimulados a seguí-los em suas esperanças e, igualmente, em seus desapontamentos.

    Consideremos alguns aspectos:

    a) William Miller era um devoto pastor batista e - como tantos outros - acalentava a perspectiva do 'arrebatamento'  dos fiéis para "encontrar o Senhor no ar" (1Tessalonicenses 4: 17). Era, pois, natural que - em meio às espectativas e especulações de sua época - ele próprio buscasse um meio de antever o evento pelo qual ansiava tão sequiosamente. Se ele não o fizesse, alguém, em algum lugar, o faria. Neste afã, entretanto, é bem provável que ele e outros passassem por alto as costumeiras armadilhas em que caem aqueles que se entregam a tais empreitadas. Assim foi que, do alto de seus 36 anos, Miller começou a especular sobre data de 1843. Aos 60 anos, ainda teve fôlego para enfrentar três decepções - a primeira previsão e as outras duas - até finalmente desistir do ofício de "profeta".

    b) Nelson Barbour  tinha menos de 20 anos quando tornou-se seguidor de Miller, o qual, por sua vez, era cerca de 40 anos mais velho - e, naturalmente mais experiente - do que ele. Após se refazer das 3 frustrações como millerista, Barbour faria nova tentativa por volta dos 35 anos de idade - até que, de modo semelhante a Miller, desistisse de lançar datas para o "fim do mundo",  depois de ver suas previsões se desfazerem em datas que nada traziam de extraordinário.

    c) Charles Russell era quase 30 anos mais jovem do que Barbour - tinha apenas 24 anos quando se deixou convencer pelas idéias dele. Aqui, mais uma vez vemos a natural impetuosidade e o otimismo de um jovem em contraste com o cansaço de um homem que, desde os 20 anos de idade já experimentara os dissabores de espectativas sucessivamente frustradas. Era tão-somente natural que ele, após mais de 50 anos de vida e na quinta desilusão, buscasse outro rumo para sua espiritualidade. Ao passo que Russell estava em ascensão, Barbour estava em declínio.

    Da análise acima, podemos comparar as trajetórias destes três homens - Miller, Barbour e Russell - a uma modalidade olímpica de corrida em grupo, onde cada corredor, após percorrer sofregamente uma certa distância, passa um bastão ao seguinte, o qual igualmente consome suas energias até à exaustão e repete o gesto do anterior. Assim, ao final, cada um foi ao limite de suas energias. Todos eles lideraram a peleja por um percurso e deixaram sucessores. A corrida, porém, foi contínua. O alvo perseguido era a Vinda de Cristo e o bastão, a escatologia. Infelizmente, esta era uma corrida cujo ponto de chegada ninguém podia determinar e cujo preço foi alto demais para milhões de seguidores. Muitos perderam, não apenas as esperanças, mas também a fé...
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