o que faltou a sociedade - INDICETJ.COM Escandalo sobre Testemunhas de Jeova

Ex-Testemunha de Jeová
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Copyright © 2000 Cid Miranda

O QUE FALTOU À SOCIEDADE TORRE DE VIGIA?
Nas páginas 590 a 592 de "Em Busca da Liberdade Cristã" (em inglês) de Raymond Franz, esse ex-membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, fala da visita que fez (após sua saída da organização) à principal instituição educativa da Igreja Mundial de Deus, Ambassador College. Esta igreja tem muitos pontos em comum com a organização Torre de Vigia. Ela ensinava:

"Somos a igreja verdadeira porque mudamos nossos ensinos quando estes estão errados".

Ela assumira, por exemplo, uma determinada posição quanto ao divórcio e a um novo matrimônio, e mais tarde reverteu essa posição. A mudança fora descrita pela liderança da organização como uma "nova luz", "nova verdade, que Deus, por fim, mostrou".

Um ex-membro dessa organização, queixando-se escreveu: "Em outras palavras, ele (o líder da organização) sutilmente jogou sobre Deus a culpa pelo nosso erro doutrinal. Ele nunca admitiu alguma vez que ele simplesmente estivesse errado Nunca se desculpou a todas as pessoas cujas vidas e casamentos ele tinha arruinado. Ele atribuiu a Deus todo o 'crédito' pelo desabamento e destruição de milhares de famílias."

Na terceira edição (1999) de Crise de Consciência, páginas 259 e 260, Franz volta a referir-se à Igreja Mundial de Deus (Worldwide Church of God), dizendo:

É difícil não se impressionar com o contraste entre este procedimento (o da liderança da Sociedade da Torre de Vigia) e o procedimento adotado em outra religião culpada de fazer similares predições de datas, a Igreja Mundial de Deus. Após a morte daquele que fora seu líder por muito tempo, Herbert W. Armstrong, no fim dos anos 80, a nova liderança publicou um artigo no número de março/abril na principal publicação dessa religião, a revista "A Clara Verdade". O artigo intitulava-se "Perdoa-nos as Nossas Ofensas", e começava dizendo, "A Igreja Mundial de Deus, patrocinadora da revista A Clara Verdade, tem mudado sua postura sobre numerosas e por muito tempo guardadas crenças e práticas durante os últimos anos".Ao entrar em detalhes, ela também dizia:
"... Ao mesmo tempo, estamos profundamente conscientes da pesada herança de nosso passado.

Nosso entendimento doutrinal falho obscureceu o claro evangelho de Jesus Cristo e levou a uma variedade de conclusões erradas e práticas não-bíblicas. Temos muito do que nos arrepender e porque nos desculpar.

Fomos judiciosos e auto-justos - condenando outros cristãos, denominando-os de "os supostos cristãos" e rotulando-os de "enganados" e "instrumentos de Satanás."

Impusemos aos nossos membros uma abordagem voltada para obras em vez de uma vida cristã. Exigimos uma adesão a pesados regulamentos do código do Antigo Testamento. Exercemos uma abordagem fortemente legalista no controle central da igreja.

Estes ensinos e práticas são fontes de supremo pesar. Estamos dolorosamnte conscientizados da dor e do sofrimento causados por tais ensinos e práticas.

Estávamos errados. Jamais foi nosso propósito enganar alguém. Estávamos tão concentrados naquilo que acreditávamos estar fazendo para Deus, que não reconhecemos o rumo espiritual que percorríamos. Tendo a intenção ou não, esse rumo não era o bíblico. Ao olharmos para trás, nos perguntamos como pudemos estar tão errados. Nossos corações se dirigem a todos aqueles que receberam nossos ensinos distorcidos das Escrituras. Não minimizamos nossa desorientação e confusão espirituais. Honestamente, desejamos a compreensão e o perdão de vocês. Nenhuma tentativa fazemos de encobrir os enganos doutrinais e bíblicos de nosso passado. Não é nossa intenção meramente passar uma mão de tinta por sobre as rachaduras. Estamos olhando para nossa história diretamente no olho e confrontando-nos com as faltas e pecados que encontramos. Elas sempre permanecerão como parte de nossa história servindo como memorial perpétuo dos perigos do legalismo.
Fim da citação no livro de Ray Franz.

Pensou você também, assim como eu e tantos outros, sobre o porquê da organização Torre de Vigia nunca ter feito uma declaração semelhante de culpas? Não tem sido um reconhecimento assim, aquilo que muitas Testemunhas ativas e têm esperado da organização Torre de Vigia que errou tanto e, em muitos sentidos, exatamente como a igreja acima?

Não são essas palavras de retratação, uma total admissão de culpas, o que sempre faltou a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados?

Agora reflita: o que aconteceria caso a Sociedade assumisse suas culpas e fizesse mudanças em ensinos fundamentais como o da proibição de transfusões de sangue? Quantos processos na justiça enfrentaria a organização por parte de parentes de pessoas que morreram em razão de tal ensino? Por motivos dessa natureza, acredito que o Corpo Governante jamais venha a sequer pensar numa retratação como feita pela igreja citada. Ao invés, procurará usar outras estratégias e continuará a dar respostas ambíguas e fugidias às Testemunhas. E, sempre que desafiada a autoridade do "escravo fiel e discreto", preferirá manter suas táticas intimidatórias tradicionais e rótulos prescritos aos questionadores como "espiritualmente fracos", "irmãos que perderam a fé na vida eterna", "pessoas que perderam a aprovação divina e que conseqüentemente receberão a destruição por parte de Deus no Armagedom".

Em conclusão, acredito que, ainda nos muitos e muitos anos à frente, as Testemunhas de Jeová não devem esperar grandes mudanças (ou "novas luzes" vitais) por parte daqueles homens do Corpo Governante. Eles continuarão a branquear ou esconder informações comprometedoras nem que para isso cheguem ao ridículo de advertir contra o uso da Internet (KM nov/99, páginas 3-6 e A Sentinela de 1 de maio/2000), pois essa é uma excelente maneira de conduzir as Testemunhas como reféns de seus ensinos supostamente elaborados (e mantidos) sob "orientação do espírito santo de Deus" ou "direção teocrática". Fica aqui uma última pergunta para reflexão: é correto a organização tentar dividir as culpas de seus erros com o Criador do universo por se auto-conferir tal presunçosa condição?

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