Testemunha sob acusacao - INDICETJ.COM Escandalo sobre Testemunhas de Jeova

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TESTEMUNHA SOB ACUSAÇÃO - UMA SEITA SECRETA E APOCALÍPTICA EVITA UM ANTERIOR LÍDER

RICHARD N. OSTLING




Tradução
Artigo sobre Raymond Franz na revista Time Magazine, 22 de fevereiro de 1982, vol. 119, nº 8, página 66




Durante 40 anos, Raymond Franz devotou todo o seu ser às Testemunhas de Jeová. A religião respondeu elevando-o ao topo, como membro do seu Corpo Governante mundial. Mas esse foi um período difícil para a liderança. Em 1975, a seita enfrentou um colapso: o mundo actual não desapareceu, como as publicações das Testemunhas quase garantiram. Numa fé em que a dúvida não é tolerada, surgem inevitavelmente questões na mente de alguns fiéis. Gradualmente, Franz começou a questionar outros ensinos, e agora, numa queda tão dramática como uma excomunhão de alguém que pertence ao Colégio de Cardeais, ele foi ostracizado, ou como as Testemunhas dizem, "desassociado". O resultado é que o anterior líder está a ser evitado por quase todas as pessoas com quem ele alguma vez trabalhou, cortaram-lhe os contactos com todos os familiares excepto a sua esposa, e negam-lhe qualquer esperança de vida eterna.



Ex-TJ Raymond Franz: perdendo o céu devido a uma refeição num restaurante


Representantes oficiais da Watch Tower Society, como a organização religiosa de 2.257.000 seguidores é formalmente conhecida, recusaram fazer qualquer comentário acerca deste caso sem precedentes. Mas Franz, de 59 anos, concordou relutantemente em quebrar o seu silêncio e explicar à TIME as acusações que são feitas contra ele. Ao fazer isto, ele permite-nos ter uma visão rara sobre o interior da sede rodeada de secretismo desta fé altamente organizada.

Franz é uma Testemunha de terceira geração. O seu tio, Frederick W. Franz, de 88 anos, tem sido o principal ideólogo da religião durante décadas e, desde 1977, o seu chefe. Raymond Franz começou a trabalhar a tempo inteiro para a seita imediatamente depois de ter completado o ensino secundário. Ele sofreu penúria durante 20 anos como missionário nas Caraíbas, tornou-se um escritor oficial de publicações em quem confiavam, e juntou-se aos 17 membros do Corpo Governante em 1971.

Conhecidas pelas pessoas de fora devido ao seu persistente proselitismo de porta em porta, as Testemunhas de Jeová vivem dentro daquilo que Franz chama uma comunidade "hermeticamente selada"; toda a vacilação doutrinal ou vestígio de pecado é vigiado em pormenor. Em nenhum lugar isto é mais evidente do que em Betel, a sede da seita em Brooklyn. Segundo o relato de Franz, ler ou estudar a Bíblia é considerado "mau" excepto se for em discussões autorizadas, seguindo os guias doutrinais da Watch Tower, para que os membros da sede não se desviem para o erro.

Devido ao seu próprio trabalho como autor de um volume oficial sobre a Bíblia e um sentimento crescente de que a disciplina da Watch Tower era muito dura, Franz concluiu em privado que a religião enfatizava a organização humana em vez dos ensinos bíblicos. Ele diz: "Ao mesmo tempo que produziram pessoas que exteriormente são morais, eles subverteram as qualidades essenciais da humildade, compaixão e misericórdia." Franz nunca se pronunciou sobre as suas incertezas ao fazer discursos em 50 países durante a década de 1970. Mas para acalmar a sua tensão interna, ele tomou uma dispensa de serviço dos seus deveres de Betel no início de 1980. Entretanto, o Corpo Governante tinha começado uma investigação secreta de rumores de heresia, e usou tácticas de interrogatórios à porta fechada. Inicialmente não se deram confrontos directos. Em vez disso, os membros do pessoal [da sede] foram alegadamente ameaçados com a desassociação por forma a obter o seu testemunho acerca de discussões de assuntos doutrinais com outros. A 21 de Maio, Franz foi convocado a Brooklyn para ser interrogado severamente pelos seus colegas do Corpo Governante. Duvidava ele que Jeová tinha apenas uma organização escolhida? Questionava ele a cronologia oficial a respeito do tempo do fim? Franz procurou evitar a confrontação mas "só se pôde submeter até este ponto". Não foi suficiente. Os oponentes não conseguiram obter uma maioria de dois terços para o desassociarem imediatamente, mas ele foi forçado a sair [resignar] de Betel. Ao todo, cerca de uma dúzia de funcionários foram expurgados, naquela que foi certamente a pior crise doutrinal que a sede da Watch Tower alguma vez enfrentou.

Mas a perseguição a Franz ainda não tinha terminado. Como refugiado de Betel e do trabalho da sua vida, ele viu-se na situação de ter poucas habilitações que lhe permitissem encontrar emprego, um acordo de 10.000 dólares concedido pela sede e 600 dólares de poupanças pessoais. Ele recorreu a um velho amigo da fé, Peter Gregerson, de Gadsden, Alabama, que dirige uma cadeia regional de supermercados. Gregerson alugou a Franz e á sua esposa uma roulote para viverem e deu-lhe trabalho como ajudante em várias tarefas [jardinagem]. Em 1981, Gregerson também tinha começado a questionar o dogma da Watch Tower e resignou da fé [das TJ].

Seis meses depois, o jornal oficial Watchtower anunciou que a política de nem sequer falar com Testemunhas desassociadas incluía não falar com aqueles que, como Gregerson, estavam "dissociados". Pouco tempo depois, Franz foi visto num restaurante comendo uma refeição com o seu benfeitor Gregerson.

Essa simples observação forneceu a infracção técnica pela qual Franz foi finalmente desassociado pelos líderes [das TJ] de Gadsden, há dois meses atrás. "De um só golpe, eles eliminaram todos os meus anos de serviço", diz Franz. "Não acredito francamente que exista outra organização que insista mais na conformidade a 100%."
Do ponto de vista dos líderes, contudo, era obviamente imperativo dar um golpe em Franz e nos outros. A ênfase dos dissidentes, semelhante a Lutero, "apenas nas Escrituras" em vez da interpretação oficial, era apenas uma das ameaças aos fundamentos da religião. Muitas outras doutrinas centrais da Watch Tower também estavam ameaçadas.

De fato, as Testemunhas acreditam que apenas 144.000 dos fiéis (número retirado de Revelação 14:1-3) receberão o "novo nascimento" e irão para o céu. Os governantes dos fiéis, entre os quais Raymond Franz já esteve, vêm desta elite. As "outras ovelhas" que são leais à Watch Tower recebem a promessa de um paraíso terrestre. Jeová aniquilará em breve o resto da raça humana. Os dissidentes rejeitam este sistema de classes. Eles defendem que o número 144.000 é simbólico e que todos os crentes desde o tempo de Cristo irão para o céu.

As Testemunhas também ensinam que a Segunda Vinda ocorreu secretamente em 1914, data à qual chegam por racionalizações históricas e bíblicas complexas; o fim do sistema mundial tem de ocorrer durante a presente geração (uma interpretação de Lucas 21:32: "Esta geração não passará sem que tudo ocorra"). Os dissidentes passaram a acreditar que o reino de Cristo e os "últimos dias" começaram por volta de 33 A.D. e que a Segunda Vinda de Cristo é um acontecimento futuro.

Por outras palavras, os dissidentes deslocaram-se em direcção ao cristianismo convencional, excepto por continuarem a rejeitar a divindade de Cristo. No que lhe diz respeito, Franz não se tornou num antagonista amargo da Watch Tower. "Não há vida fora da organização" é tudo o que ele diz acerca da dor da desassociação. Mas outras ex-Testemunhas lançaram uma onda de protestos, publicações e processos em tribunal. Estes dissidentes dizem que cerca de 1 milhão de pessoas saíram das fileiras da Watch Tower ao longo da última década. As Testemunhas relatam que ainda estão a aumentar em número, graças ao recrutamento incessante. Ainda assim, esse sucesso pode não continuar durante muito tempo. Eles viram-se obrigados a desistir da data 1975, mas o Fim tem de ocorrer durante o tempo de vida de pessoas que ainda se recordam dos acontecimentos de 1914. Com a rápida diminuição das fileiras desses idosos, as Testemunhas enfrentam um prazo final absoluto, que impuseram a si mesmas e que é cada vez mais problemático. (Por Richard N. Ostling. Relatado por Anna Constable/Atlanta.)



"Pode observar-se que o artigo da revista Time de 22 de Fevereiro de 1982 cita-me como tendo dito: "Não há vida fora da organização." Fiz essa declaração a Ann[a] Constable, a repórter da Time, ao explicar-lhe o efeito que a desassociação tem sobre as Testemunhas, a atitude que muitas têm quando enfrentam a desassociação, que elas sentem que "não há vida fora da organização." Visto que, quando o artigo apareceu, o contexto deu a aparência de que isto expressava os meus próprios sentimentos, escrevi imediatamente uma carta aos editores, declarando: "Quando disse isto, eu estava a descrever, não os meus próprios sentimentos, mas o ponto de vista prevalecente entre a maioria das Testemunhas e implícito nos ensinos da organização. O meu entendimento à base das Escrituras é que o Filho de Deus é, exclusivamente, 'o caminho e a verdade e a vida.'" O conteúdo desta carta foi publicado na secção "Cartas ao Editor" de uma edição subsequente da Time." (Raymond Franz, In Search of Christian Freedom (Atlanta: Commentary Press, 1991), p. 114, n. 39.)

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