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Gravuras esquadrinhadas - Testemunha de Jeova

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GRAVURAS ESQUADRINHADAS
— PRODUÇÃO, EXAME E RESPONSABILIDADE
As próprias publicações das Testemunhas de Jeová revelam como suas gravuras eram produzidas, examinadas e supervisionadas — inclusive por membros do Corpo Governante. Documentos oficiais, vídeos e comparações entre fotografias e ilustrações mostram os cuidados envolvidos nesse processo.

Mas, se as gravuras eram examinadas tão cuidadosamente antes da impressão, como explicar a presença de configurações estranhas posteriormente questionadas? E até onde vai a responsabilidade de quem examinava e supervisionava esse material?
1 — MEMBROS DO PRÓPRIO CORPO GOVERNANTE EXAMINAM AS GRAVURAS
Não estamos falando de um Corpo Governante que recebia as revistas prontas, depois que tudo já havia sido decidido. As próprias publicações da organização mostram que membros do Corpo Governante participavam do exame das gravuras antes da impressão.

Veja o que declarou A Sentinela de 1.º de março de 1987, página 15, parágrafo 18:

“Cada artigo, tanto da Sentinela como de Despertai!, e cada página, inclusive as gravuras, são esquadrinhados por membros escolhidos do Corpo Governante, antes de irem para a impressão.”

Preste atenção nessa frase. A revista não disse que esse trabalho era feito apenas por desenhistas ou funcionários de Betel. Disse que as gravuras eram examinadas por “membros escolhidos do Corpo Governante”.  (nota)

Ou seja, eram membros do próprio Corpo Governante que participavam desse exame — não apenas pessoas escolhidas pelo Corpo Governante.


O QUE SIGNIFICA ESQUADRINHAR?

A revista não diz que as gravuras eram apenas vistas rapidamente e enviadas para a impressão. Ela usa a palavra “esquadrinhados”. Mas o que isso significa? Segundo o Dicionário Aurélio — Século XXI, “esquadrinhar” é “examinar cuidadosamente; vigiar com cuidado; investigar, pesquisar, perscrutar”. Portanto, não se trata de simplesmente olhar apressadamente e passar adiante.

Talvez alguém diga que esse cuidado de examinar as gravuras era apenas uma prática antiga, mencionada em 1987.
Mas, 26 anos depois, A Sentinela voltou a falar sobre a supervisão das ilustrações:

“A Comissão de Redação do Corpo Governante supervisiona o processo de pesquisa, redação, revisão, ilustração e tradução de nossas publicações impressas.” — A Sentinela, 15 de abril de 2013, p. 30, §12.

Preste atenção novamente à palavra “ilustração”. A própria organização diz que a Comissão de Redação do Corpo Governante supervisionava essa parte do trabalho.

Portanto, não combina com o que a organização diz imaginar que cada artista trabalhava sozinho, fazia o desenho que quisesse e depois o mandava diretamente para a gráfica.

E o JW.ORG apresentou um exemplo ainda mais concreto ao mostrar como uma capa da Despertai! de 2015 foi preparada.

Os desenhistas fizeram propostas, que foram apresentadas à Comissão de Redação do Corpo Governante. A Comissão escolheu o projeto de acordo com “a ideia a ser transmitida pela foto”.

O mesmo artigo registra a declaração de um fotógrafo: “Cada detalhe precisa ser bem planejado.” Isso é importante.

Temos, portanto, três informações apresentadas pela própria organização:

  1. 1987: membros escolhidos do Corpo Governante examinavam as páginas, inclusive as gravuras, antes da impressão.
  2. 2013: a Comissão de Redação do Corpo Governante supervisionava o processo de ilustração.
  3. 2015: propostas de uma capa foram apresentadas à Comissão de Redação, que escolheu o projeto a ser utilizado.

Essas declarações não descrevem exatamente a mesma etapa do trabalho, mas mostram que a produção das ilustrações não era uma atividade completamente independente da supervisão do Corpo Governante.

Isso prova que cada detalhe estranho denunciado pelo INDICETJ foi colocado de propósito? Não. Seria ir além do que as provas mostram. Mas mostra algo que não pode ser ignorado: o Corpo Governante participava da supervisão do material visual publicado. Portanto, diante de uma gravura questionável, não basta dizer: “Talvez o ilustrador tenha feito isso sem querer.”

Mesmo que tenha sido assim, a pergunta continua:

E QUEM EXAMINOU O MATERIAL ANTES DE ELE SER ENVIADO À IMPRESSÃO?

Quando alguns defensores das Testemunhas de Jeová dizem que as imagens questionadas foram apenas acidentes ou casos de pareidolia, surge outra pergunta: como determinadas configurações passaram pelo próprio exame que a revista diz ter sido realizado por membros escolhidos do Corpo Governante?

O fato de várias pessoas perceberem a mesma configuração não prova, por si só, que ela foi criada de propósito. Mas também não faz desaparecer o que está na ilustração, nem elimina a necessidade de investigar como passou pelo processo de revisão antes da impressão.

A questão, portanto, não envolve apenas quem fez o desenho. Envolve também os procedimentos de exame e supervisão que a própria organização afirma ter adotado.
2 — EXAME METICULOSO — ATÉ COM LENTE DE AUMENTO
Capa do vídeo Testemunhas de Jeová — A Organização Que Leva o Nome, produzido pela Sociedade Torre de Vigia.
Vídeo: Testemunhas de Jeová — A Organização Que Leva o Nome
Produtora: Sociedade Torre de Vigia
Duração: 55 minutos
Destaque: primeiro vídeo produzido pela Sociedade Torre de Vigia.

Fonte: A Sentinela, 1.º de outubro de 1992, pp. 30–31, “Testemunhas de Jeová — A Organização Que Leva o Nome”. A revista registra o lançamento do vídeo, sua duração e o fato de ser a primeira produção em vídeo da Sociedade.

Este vídeo traz uma prova importante sobre outro ponto: as ilustrações não eram feitas às pressas nem sem controle. A fita mostra como as publicações eram produzidas e deixa claro o cuidado usado na preparação das ilustrações.

A seguir, apresento apenas alguns trechos desse vídeo — e não o vídeo completo — justamente as partes que mostram como as ilustrações eram preparadas e os cuidados que recebiam antes da publicação.

Considerando a minutagem do vídeo completo, mais ou menos aos 7 minutos, o locutor diz sobre cada desenho:

“... Gravuras transmitem uma mensagem clara para todas as pessoas.
Sua cor, brilho e nitidez são meticulosamente examinados.”

Trecho do vídeo “Testemunhas de Jeová — A Organização Que Leva o Nome”.

Como poderemos ver mais adiante, em torno dos 11 minutos do vídeo original, aparece uma pessoa usando uma lente de aumento para procurar até mesmo pequenas diferenças de tonalidade entre as cores nas ilustrações. Certamente a organização entende o que significa um “meticuloso exame”!

Então surge uma pergunta incômoda: se cor, brilho, nitidez e até pequenas diferenças de tonalidade mereciam esse grau de atenção, é razoável tratar toda configuração estranha posteriormente apontada como algo que ninguém poderia ter percebido? Ainda mais por uma equipe alertada de que havia pessoas vendo coisas inadequadas nas publicações?

Isso não prova, por si só, que cada detalhe denunciado foi colocado de propósito. Mas torna difícil dizer que as ilustrações eram feitas às pressas, sem controle ou sem revisão. A própria organização mostra o contrário.

E a questão se torna especialmente importante quando uma dessas figuras é posteriormente denunciada e, mesmo assim, permanece na publicação ou volta a ser publicada. Nesse caso, já não se trata apenas de perguntar se a configuração surgiu por acaso, mas também de investigar o que foi feito depois que ela foi apontada.

Montagem mostrando impressões e ilustrações sendo examinadas de perto com lentes de aumento para conferir detalhes, cores e qualidade.
É verdade que examinar cores, brilho e tonalidades não significa, necessariamente, procurar figuras ocultas. Mas as gravuras não eram produzidas apenas para apresentar cores bonitas. A própria organização afirma que elas transmitem “poderosas mensagens sem palavras”.

Então surge uma pergunta: se havia tanto cuidado com a qualidade das imagens e com aquilo que deveriam transmitir, como determinadas configurações estranhas passaram pelo processo de revisão? Teriam passado despercebidas ou simplesmente não foram consideradas problemáticas?

3 — DA FOTOGRAFIA À ILUSTRAÇÃO: O QUE PODIA SER MUDADO?
Sobre a criação das imagens, o vídeo explica: "Trabalhando a partir de ideias aprovadas, os cenários são montados e fotografados e, depois, desenhados ou pintados por artistas. Membros da família de Betel não raro posam para fotos..."

“Gravuras — poderosas mensagens sem palavras.
Imagens gráficas são usadas para estimular o coração e a mente."

O vídeo mostrou a cena abaixo:
Artista das Testemunhas de Jeová pinta uma ilustração usando como referência uma fotografia com pessoas posando como modelos.
Artista das Testemunhas de Jeová pinta uma ilustração usando como referência uma fotografia com pessoas de Betel posando como modelos.

Observe que a ilustração final não mostra, necessariamente, tudo o que aparece na fotografia usada como modelo. Neste caso, podemos ver que a imagem foi modificada quando a fotografia virou um desenho ou pintura. A segunda imagem é a versão oficial publicada no livro O Maior Homem Que Já Viveu, capítulo 95.

Veja algumas diferenças:

  1. O menino: na fotografia, ele olha para a frente. Já na ilustração publicada, ele olha para a esquerda e aparece com um dedo perto dos lábios.
  2. A menina: na fotografia, uma de suas mãos está perto da boca. No desenho publicado, porém, as duas mãos aparecem sobre as pernas do homem.

Assim, essas diferenças não aconteceram apenas por causa da posição registrada pela câmera. Elas foram feitas quando a fotografia foi transformada em ilustração.

Isso não quer dizer que todos os detalhes de uma gravura tenham um significado especial. O ponto é outro: durante a produção da ilustração, alguns elementos podiam ser acrescentados, retirados, mudados de lugar ou modificados antes da publicação.

Há ainda outro detalhe importante. As ilustrações eram feitas em tamanho grande, o que oferecia condições para observar detalhes antes da redução para impressão. Isso não significa que toda configuração estranha seria necessariamente percebida, pois enxergar um detalhe não é o mesmo que reconhecê-lo como uma figura suspeita. Mas também não se pode descartar a possibilidade de que determinadas configurações fossem percebidas durante a produção ou revisão.

Veja agora outro exemplo.

Comparação entre a encenação com modelos e a ilustração final de Jesus salvando Pedro no mar, mostrando alterações feitas pelo artista.
Comparação entre a encenação com modelos e a ilustração final de Jesus salvando Pedro no mar, mostrando alterações feitas pelo artista.


Na primeira imagem, aparecem membros de Betel posando para a fotografia que foi usada como modelo. Na segunda, vemos a ilustração publicada no livro O Maior Homem Que Já Viveu, capítulo 53.

Novamente, a versão final não é uma cópia exata da fotografia. O artista mudou alguns elementos antes da publicação.
Esses exemplos mostram algo simples, mas importante:

A FOTOGRAFIA SERVIA DE BASE.
A ILUSTRAÇÃO FINAL ERA FEITA PELO ARTISTA.

Por isso, quando vemos um detalhe na ilustração publicada, não podemos presumir que ele veio automaticamente da fotografia. É preciso observar o que foi mantido, o que foi retirado e o que foi acrescentado ou mudado durante a produção da imagem.


4 — A QUESTÃO NÃO TERMINA NA IMPRESSÃO
Quando examinamos o que as próprias publicações dizem, fica claro que as ilustrações não eram produzidas sem planejamento ou revisão. Primeiro, as ideias eram aprovadas. Depois, as cenas eram montadas e fotografadas. Os artistas preparavam os desenhos e, antes da impressão, as páginas e as gravuras passavam por exames cuidadosos.

A própria organização declarou que membros escolhidos do Corpo Governante participavam desse exame e que a Comissão de Redação supervisionava o processo de ilustração.

Isso não prova que toda configuração estranha tenha sido criada de propósito. Algumas podem resultar de coincidências, falhas de impressão ou pareidolia. A quantidade de figuras questionadas, por si só, também não demonstra intenção. Mas nenhuma dessas possibilidades dispensa o exame individual das imagens e das evidências documentais disponíveis.

Diante dos procedimentos de revisão descritos pela própria organização, surge uma questão: determinadas configurações suspeitas passaram despercebidas, foram percebidas mas não consideradas problemáticas, ou tiveram outra explicação? Os documentos apresentados não permitem determinar isso em cada caso. E quando uma dessas figuras é posteriormente denunciada e volta a ser publicada, surge outra questão: quando a organização recebeu a denúncia e quais providências tomou?
Lente de aumento usada para examinar detalhes de impressões e ilustrações.
Portanto, a responsabilidade editorial não termina necessariamente com a impressão. Quando determinadas imagens foram questionadas e essas preocupações comunicadas à organização, surgiu uma nova questão. A pergunta deixou de ser apenas:

“FOI COLOCADO DE PROPÓSITO?”

E passou a incluir outra, igualmente importante:

“O QUE A LIDERANÇA FEZ DEPOIS QUE SOUBE?”

É essa segunda pergunta — a reação da liderança diante das denúncias e das republicações — que será examinada no próximo artigo.

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