A EXPLICAÇÃO DO
CORPO GOVERNANTE
A organização das Testemunhas de Jeová já se pronunciou sobre as acusações de figuras ocultas em suas publicações. Classificou determinadas histórias como falsas e colocou em dúvida a existência de rostos escondidos nas ilustrações. Mas será que suas explicações realmente esclareceram as questões levantadas?
Neste artigo, vamos examinar o que a própria organização publicou, o que deixou sem resposta e se ofereceu aos leitores condições de verificar suas conclusões. Afinal, uma coisa é declarar que uma acusação não passa de boato. Outra, bem diferente, é demonstrar isso com fatos!
Há décadas, algumas ilustrações das publicações das Testemunhas de Jeová têm levantado dúvidas. Alguns leitores identificaram nelas rostos, símbolos e outras figuras consideradas estranhas. Com o passar dos anos, o ti-ti-ti foi aumentando. E foi tanto que até a própria organização resolveu tocar no assunto!
Viu as figuras estranhas escondidas?
Em 1.º de setembro de 1984, a edição inglesa de A Sentinela, páginas 20–23, publicou o artigo Would You Spread a Rumor? (“Deve espalhar um boato?”). Nele, a organização negou a história de que um ilustrador havia colocado secretamente figuras de demônios nas publicações e, depois de ser descoberto, havia sido desassociado. Também colocou em dúvida a acusação de que ilustradores escondiam rostos nas gravuras.
Pronto! Estava tudo explicado? Bem, não tão depressa! Afinal, questionar uma acusação é uma coisa. Examinar as ilustrações suspeitas e explicar o que aparece nelas é outra bem diferente!
Mas há algo curioso nessa história! Enquanto outras publicações continuavam apresentando ilustrações que também levantam questionamentos, os leitores brasileiros ainda aguardavam aquela explicação. Finalmente, depois de quase quatro anos e meio, o Corpo Governante autorizou que Jeová também falasse aos brasileiros!
Foi na revista Despertai! de 8 de fevereiro de 1989, páginas 15–18. E o que receberam? O mesmo artigo de 1984, mantendo a posição anterior, sem apresentar uma análise das gravuras questionadas! Pelo visto, o chamado “alimento espiritual” chegou primeiro à mesa dos leitores de língua inglesa. Para os brasileiros, ficou reservado um lugar na fila!
Ora, durante todo aquele tempo, não havia nenhuma informação nova a apresentar? Nenhuma gravura a examinar? Nenhum esclarecimento a acrescentar?
Pelo menos naquele artigo, não! Afinal, que maneira curiosa de esclarecer um assunto tão questionado: anos de espera para receber a mesma explicação!
O QUE A ORGANIZAÇÃO REALMENTE DISSE?
Depois de mencionar alguns “boatos absurdos que surgem e fervilham rapidamente”, a publicação apresentou uma acusação sobre suas próprias ilustrações. Veja as palavras da organização:
Até mesmo as publicações da Sociedade Torre de Vigia (EUA) têm sido objeto de boatos – por exemplo, que um dos ilustradores estivera introduzindo secretamente gravuras de demônios nas ilustrações, que ele foi posteriormente descoberto e desassociado!
Logo depois, a revista declarou:
Participou em espalhar qualquer dessas histórias? Caso sim, você esteve ― talvez sem o saber ― divulgando uma inverdade, visto que todas elas eram falsas. Por certo, o boato a respeito das publicações da Sociedade era prejudicial, bem como caluniava os zelosos cristãos que trabalham longas horas na produção das ilustrações que tornam as revistas, as brochuras e os livros tão atraentes. Isto era tão ridículo como seria dizer que Deus, ao criar os corpos celestes, fez deliberadamente aparecer o aspecto de 'um homem na lua'.
NOTA: O argumento do “homem na lua” é analisado em Imaginação ou Deliberação?
Mas atenção! Não foi só da história do ilustrador desassociado que a revista falou. Mais adiante, ao perguntar se uma história era plausível, ela também questionou:
Ou será que ilustradores dedicados realmente ocultam faces em gravuras de revistas?
A revista colocou essa possibilidade ao lado de outras histórias que considerava fantasiosas.
Pronto! Agora sabemos o que a organização disse. Mas será que isso esclarece o que aparece nas ilustrações questionadas?
CONSIDERE
■ O que a organização realmente negou? A revista chamou de falsa a história de que um ilustrador teria colocado secretamente gravuras de demônios nas publicações e depois sido descoberto e desassociado. Também colocou em dúvida a acusação de que ilustradores escondiam rostos nas gravuras.
Muito bem! Mas será que negar aquela história e tratar os rostos ocultos como algo fantasioso esclarece todas as figuras questionadas? E os símbolos, os gestos e os possíveis plágios? E as ilustrações que continuaram sendo publicadas depois da explicação original de 1984?
Uma coisa é chamar uma acusação de absurda. Outra é mostrar por que ela não corresponde aos fatos!
Afinal, a liderança apresentou alguma análise das figuras denunciadas, explicando o que aparece nelas? Não naquele artigo. E, até hoje, nenhuma análise pública individualizada dessas ilustrações foi identificada!
Quanto às demais questões levantadas sobre essas imagens, a liderança permanece caladinha, caladinha…
■ O que a organização chamou de boato? O Corpo Governante não economizou palavras! Chamou a história do ilustrador de “boato”, “inverdade”, “falsa”, “prejudicial” e “calúnia”. Também tratou como fantasiosa a possibilidade de ilustradores esconderem rostos nas gravuras.
Muito bem! Mas observe: declarar falsa a história de um ilustrador descoberto e desassociado não é o mesmo que demonstrar que nenhuma gravura contém figuras suspeitas!
Quanto aos rostos ocultos, a revista colocou a acusação em dúvida. Mas quais imagens examinou para chegar a essa conclusão? Que explicações apresentou aos leitores sobre os desenhos questionados? A Bíblia aconselha: “Certifiquem-se de todas as coisas.” — 1 Tessalonicenses 5:21.
Mas como os leitores poderiam certificar-se de que a conclusão da própria organização estava correta, se a revista não apresentou as ilustrações questionadas nem explicou o que havia nelas?
Afinal, chamar algo de boato é fácil. O difícil é demonstrar, tim-tim por tim-tim, por que a acusação não corresponde aos fatos!
■ O Corpo Governante coloca a mão no fogo pelos ilustradores? A revista chamou os responsáveis pelas ilustrações de “zelosos cristãos”. Muito bem! Mas será que esse elogio é suficiente para afastar as dúvidas sobre o que eles produziram?
Leitor, depois de examinar as figuras questionadas no INDICETJ, considere dois exemplos:

Na Figura 079 — Whiskey: O Plágio, você verá a semelhança entre a capa de A Sentinela de 15 de setembro de 1982 e uma propaganda de uísque. O artigo também apresenta documentos sobre a reclamação feita à organização e a posterior substituição da capa.
Já na Figura 075 — A Dama que Seduziu o Corpo Governante, encontrará a comparação entre uma ilustração bíblica e fotografias da atriz francesa Pascale Petit. E o detalhe curioso? A figura foi publicada novamente durante vários anos!
Tudo isso seria apenas demonstração de zelo? Ora, que maravilha! Pelo visto, o título de “zeloso cristão” já vem acompanhado de um certificado de imunidade contra qualquer questionamento!
Afinal, se o elogio do Corpo Governante bastasse para esclarecer as dúvidas, nem precisaríamos examinar as gravuras. Bastaria admirar a declaração!
Jesus ensinou, em Mateus 7:16:
“Pelos seus frutos vocês os reconhecerão.”
Ora, se é pelos frutos que devemos reconhecer alguém, por que não examinar justamente os frutos do trabalho desses ilustradores?
MAS A EXPLICAÇÃO ESCLARECEU AS DÚVIDAS?
É possível que o Corpo Governante tenha falado a verdade ao negar que um ilustrador foi descoberto e desassociado.
Mas há algo curioso nessa história. Quem fez tal acusação? Onde ela foi publicada? Quem afirmou que um ilustrador havia sido descoberto e expulso da organização?
Até hoje, não encontrei a origem dessa história. E veja só: a própria organização, que aconselha seus leitores a verificar os fatos, não informou quem a divulgou!
Ora, que facilidade! Apresenta-se uma história sem identificar sua origem, declara-se que ela é falsa e pronto! Mas será que isso encerra todas as dúvidas sobre as ilustrações?
A revista também colocou em dúvida a existência de rostos escondidos nas gravuras. Muito bem! Mas não apresentou uma análise das imagens questionadas para mostrar por que considerava essa suspeita fantasiosa.
E quanto aos gestos? O levantamento do INDICETJ mostra personagens com posições estranhas dos dedos em publicações de diferentes épocas.
Um gesto claramente desenhado não é pareidolia! Se determinados dedos aparecem estendidos e outros dobrados, essa posição faz parte da ilustração. Seu significado e a intenção do artista, porém, precisam ser investigados.
A Bíblia recomenda ouvir os fatos antes de tirar conclusões. — Provérbios 18:13.
Então, vamos fazer o que a própria organização recomenda: examinar os fatos! Quem desenhou essas figuras? Quem as examinou? Quem aprovou sua publicação?
Afinal, negar uma história sobre um ilustrador é uma coisa. Questionar a existência de rostos escondidos é outra. Mas explicar, uma por uma, as ilustrações suspeitas... Ah, isso já é outra história!
Daí, como se já tivesse esclarecido tudo tim-tim por tim-tim, a organização passa a advertir os leitores contra a divulgação daquele “boato”. E o mais curioso? Anos depois, ao publicar o mesmo artigo no Brasil, manteve essa advertência e a posição que havia apresentado em 1984!
Ora, que explicação maravilhosa! Tantas palavras para condenar o “boato”, mas nenhuma gravura examinada diante dos leitores!
E o leitor? Bem, esse já recebeu a conclusão prontinha!
Pronto! Agora é só não espalhar o “boato” e deixar as outras dúvidas para lá?
COMO SABER SE UMA HISTÓRIA É VERDADEIRA?
Mais adiante, a revista faz uma pergunta que merece atenção:
Assim, como podemos determinar se uma história é verídica ou se é apenas um boato?
Excelente pergunta! Afinal, não é justamente isso que os leitores precisam fazer quando se deparam com ilustrações questionadas?
Sinceramente? Para as TJs a resposta é muuuito fácil. Se os homens da liderança da organização disserem que uma história é verídica, será a mais verídica de todas. Se disserem que é boato, será o mais desprezível boato. Simples assim. Quem manda é a organização. Quem raciocina é a organização.
Afinal, A Sentinela de 15 de julho de 1983, página 22, parágrafo 21, já apresentava como manifestação das chamadas “ideias independentes” o ato de:
“questionar o conselho provido pela organização visível de Deus”.
E, como se não bastasse, A Sentinela de 1.º de abril de 2007, página 24, parágrafo 13, declarou:
“todos na congregação encaram como dever sagrado seguir e apoiar as orientações vindas do escravo fiel e de seu Corpo Governante”.
Ora, se seguir a orientação da liderança é apresentado como um “dever sagrado”, será que todos os leitores se sentem realmente livres para questionar uma explicação dada por ela?
A Bíblia, porém, elogia os bereanos porque examinavam cuidadosamente as Escrituras para confirmar o que ouviam. — Atos 17:11.
Que interessante! Os bereanos foram elogiados por conferir o que lhes ensinavam. Mas, quando o assunto são as ilustrações questionadas, será que o leitor também é incentivado a conferir tudo por si mesmo?
Afinal, uma coisa é respeitar quem ensina. Outra é deixar que alguém pense em nosso lugar!
“NÃO FAÇAIS SEGUNDO AS AÇÕES DELES”
A revista prossegue dando alguns conselhos aos leitores:
Eis algumas das coisas a se ter presente quando alguém lhe divulga uma informação atraente:
Quem lhe contou tal história? [...] Será que quem lhe contou essa história estava em condições de saber dos fatos? [...] É caluniosa essa história? [...] É plausível tal história?

Muito bem! São perguntas importantes. Qualquer pessoa que deseja conhecer a verdade deveria fazê-las.
Mas será que a própria organização seguiu esses conselhos ao falar das ilustrações questionadas?
Isso nos faz lembrar as palavras de Jesus aos escribas e fariseus, registradas em Mateus 23:2-4:
“não façais segundo as ações deles, pois dizem, mas não realizam. Amarram cargas pesadas e as põem nos ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos nem a movê-las com o dedo.”
A ORGANIZAÇÃO SEGUE OS PRÓPRIOS CONSELHOS?
O Corpo Governante cobra dos leitores algo que ele mesmo não faz em seu artigo “esclarecedor”. A revista apresenta perguntas para descobrir se uma história é verdadeira ou falsa. Muito bem! Mas que tal aplicar essas mesmas perguntas à explicação da própria organização?
■ “Quem lhe contou tal história?” Excelente pergunta! Mas de onde surgiu a história de que um ilustrador havia sido descoberto e desassociado? Quem a divulgou originalmente? A revista não revela. Será que os leitores não mereciam conhecer a origem desse famoso “boato”?
Não é justamente isso que Jesus condenou ao dizer sobre os líderes religiosos de seus dias: “dizem, mas não realizam”? — Mateus 23:3.
■ “Será que quem lhe contou essa história estava em condições de saber dos fatos?” Outra excelente pergunta! Mas como os leitores poderiam avaliar isso se a organização nem sequer identificou a origem da história do ilustrador supostamente descoberto e desassociado?
Quem divulgou essa acusação? Tratava-se de alguém que conhecia o trabalho dos ilustradores? De uma testemunha dos acontecimentos? Ou apenas de alguém que repetiu o que ouviu?
Não sabemos! E por quê? Porque a revista simplesmente não contou!
Ora, como os leitores poderiam seguir o conselho de verificar se a fonte conhecia os fatos, se a própria organização não informou quem deu origem à acusação?
■ “É caluniosa essa história?” A organização afirma que sim. Muito bem! Mas quem deu origem à acusação de que um ilustrador havia sido descoberto e desassociado? Em que provas essa história se baseava? A revista não informa.
E quanto aos rostos escondidos nas gravuras? A organização também colocou essa acusação em dúvida, tratando-a como uma história fantasiosa.
Ora, que facilidade! Mas quais ilustrações foram apresentadas aos leitores para justificar essa conclusão? Que explicações foram oferecidas sobre as figuras questionadas? A revista não apresentou esse exame.
Curioso, não acha? A organização aconselha seus leitores a verificar os fatos, mas, quando chega a sua vez de esclarecer as acusações, deixa perguntas importantes sem resposta! Afinal, a verdade não deveria ter medo de ser examinada!
QUEM DECIDE O QUE É PLAUSÍVEL?
E, como se não bastasse, o Corpo Governante simplesmente conclui no lugar do leitor que aquelas histórias não são plausíveis!
Ora, que facilidade! A organização aconselha seus leitores a verificar os fatos, mas já lhes entrega sua conclusão prontinha!
E o leitor? Bem, esse nem precisa se dar ao trabalho de investigar. A liderança já pensou por ele!
Mas será que é assim que se descobre a verdade?
Por fim, a revista dá mais um conselho aos leitores:
... se o leitor ouvir uma história e não puder indicar a fonte dela, reflita por si mesmo e assegure-se dos fatos, antes de transmiti-la a outros.
Excelente conselho! E, desta vez, vamos fazer exatamente o que a revista recomenda: examinar os fatos!
Uma história pode ser verdadeira ou falsa, mesmo quando não sabemos quem a contou. O que determina se ela é verdadeira não é a pessoa que a divulgou, mas se aquilo que foi dito corresponde aos fatos.
Até uma pessoa considerada pouco confiável pode dizer a verdade. E uma pessoa considerada confiável também pode dizer algo falso.
Por isso, não basta perguntar quem contou a história. É preciso examinar os fatos para saber se ela é verdadeira ou não.
Afinal, uma mentira não vira verdade só porque veio de alguém respeitado. E uma verdade não vira mentira só porque veio de alguém malvisto!
Muito bem! Então, se alguém lhe mostrar uma ilustração suspeita, o que você fará? Examinará o que realmente aparece nela ou simplesmente repetirá que tudo não passa de um “boato”?
Ora, verificar os fatos é um excelente conselho! Mas será que ele também vale quando as dúvidas envolvem as publicações da própria organização?
Afinal, refletir por si mesmo não é o mesmo que repetir a conclusão de outra pessoa!
Mas eu pergunto: como o artigo do Corpo Governante ajuda o leitor a “refletir por si mesmo e assegurar-se dos fatos”?
Simples! Basta a organização declarar, com sua voz quase angelical, que aquela história não passa de um “boato” e que a suspeita de rostos escondidos nas gravuras é fantasiosa!
Pronto! Problema resolvido! E, anos depois, a mesma explicação foi publicada no Brasil. Mas será que alguma das duas versões forneceu aos leitores as informações necessárias para que eles mesmos pudessem examinar as figuras questionadas?
E quanto aos gestos claramente desenhados? A posição dos dedos faz parte da ilustração, embora seu significado e a intenção do artista ainda precisem ser investigados.
Afinal, uma coisa é negar a história da punição de um ilustrador. Outra, bem diferente, é explicar as figuras que qualquer leitor pode observar nas próprias publicações!
COMO REAGE UMA TESTEMUNHA DE JEOVÁ QUANDO QUESTIONADA?
É bem possível que a primeira reação seja de surpresa. Afinal, talvez ela nem saiba da existência dessas ilustrações nas publicações da própria organização. Mas o que fará em seguida? Examinará as figuras antes de tirar uma conclusão? Ou, para defender a organização, dirá logo que tudo não passa de mentiras espalhadas por opositores?
A Bíblia dá um conselho muito claro:
“Quando alguém replica a um assunto antes de ouvi-lo, é tolice da sua parte e uma humilhação.” — Provérbios 18:13.
Ora, se responder antes de conhecer os fatos é tolice, por que seria diferente quando o assunto envolve as publicações da própria organização? Afinal, defender aquilo em que se acredita é uma coisa. Recusar-se a examinar os fatos para defendê-lo é outra bem diferente!
Antes de rejeitar os argumentos apresentados, pergunte a si mesmo: estou realmente defendendo a verdade ou apenas me recusando a ouvir algo que contraria minhas convicções?
A VERDADEIRA ELUCIDAÇÃO EXIGE OUVIR OS DOIS LADOS
E não é só a Bíblia que destaca a importância de examinar os fatos. Veja o que um leitor escreveu numa carta publicada na seção “De Nossos Leitores”, da revista Despertai! de 22 de julho de 1982, página 28:
“A verdadeira elucidação inclui os dois lados de uma questão, não apenas os fatos que apóiem sua própria espécie de teologia.”
Excelente conselho! Mas será que uma Testemunha de Jeová está disposta a colocá-lo em prática quando o assunto envolve as ilustrações questionadas nas publicações da própria organização?
Ora, ouvir apenas a explicação da liderança e rejeitar as informações contrárias sem examiná-las seria justamente ignorar esse conselho!
E veja que curioso: o princípio apareceu nas páginas da própria Despertai!. Mas será que também vale quando as críticas são dirigidas ao Corpo Governante?
Essa possibilidade nos faz lembrar uma advertência do apóstolo Paulo:
“Tu, pois, que ensinas outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas: ‘Não furtes’, furtas? Tu, que dizes: ‘Não cometas adultério’, cometes adultério? Tu, que expressas [a tua] abominação dos ídolos, roubas templos?” — Romanos 2:21, 22.
O princípio é simples: quem ensina os outros também precisa praticar aquilo que ensina.
Ora, se as publicações da organização incentivam seus leitores a examinar cuidadosamente os fatos, não seria razoável esperar que esse mesmo critério fosse aplicado aos questionamentos dirigidos à própria organização?
Caso a Testemunha de Jeová resolva pesquisar o Índice das Publicações da Torre de Vigia, poderá encontrar o próprio artigo da Despertai! de 1989 que estamos examinando — publicado originalmente em inglês, em A Sentinela, mais de quatro anos antes.
Muito bem! Pesquisar é sempre um bom começo. Mas será que a investigação deve terminar com a explicação da própria organização?
Se ela simplesmente repetir, à moda papagaio, que tudo não passa de “boato”, sem examinar as ilustrações questionadas e as provas apresentadas, terá realmente investigado o assunto?
Ora, repetir uma resposta não é o mesmo que verificar se ela está correta!
Se você é Testemunha de Jeová, considere uma pergunta: será que basta o Corpo Governante dizer que uma acusação é falsa para que ela realmente seja falsa?
Talvez você confie plenamente na liderança da organização. Mas será que essa confiança dispensa a necessidade de examinar os fatos?
Ora, que bela investigação seria ouvir apenas um lado, aceitar sua explicação e encerrar o assunto sem examinar as provas do outro!
Por isso, antes de concluir que tudo não passa de boato, examine as ilustrações questionadas e as informações apresentadas.
Afinal, você deseja apenas acreditar que a explicação está correta ou deseja verificar se ela realmente corresponde aos fatos?
O CORPO GOVERNANTE APLICA O QUE JESUS ENSINOU?
O Corpo Governante parece ter se 'esquecido' de um princípio que Jesus ensinou:
“... Quem faz o que é verdadeiro se chega à luz, a fim de que suas obras sejam manifestas como tendo sido feitas em harmonia com Deus.” — João 3:21.
Muito bonito! Mas será que a liderança aplicou esse princípio ao tratar das ilustrações questionadas?
A organização chamou de fantasiosa a suspeita de rostos escondidos nas gravuras. Muito bem! Mas não mostrou aos leitores exemplos concretos para que pudessem entender e avaliar essa conclusão.
Ora, se as ilustrações não tinham nada de suspeito, por que não apresentá-las e explicar o que realmente aparecia nelas?
Jesus também disse:
“Pois quem pratica coisas ruins odeia a luz e não se chega à luz, a fim de que as suas obras não sejam repreendidas.” — João 3:20.
Isso não significa que a ausência de exemplos prove que a liderança tenha agido de má-fé. Mas o contraste merece atenção: quem ensina os outros a examinar os fatos não deveria dar o exemplo, apresentando as informações necessárias para isso?
Afinal, é muito fácil dizer que não há nada a esconder. Mais convincente seria mostrar os fatos e deixar que o leitor os examinasse!
E qual foi o resultado? Quem leu apenas aquele artigo da revista continuou no escuro quanto às ilustrações questionadas. Afinal, quais eram essas gravuras? Em que publicações apareciam? O que havia nelas?
A revista não informou.
Ora, que maneira curiosa de trazer um assunto à luz! A organização aconselha seus leitores a verificar os fatos, mas não identifica as próprias figuras que poderiam ser examinadas.
Afinal, como examinar uma acusação sobre determinadas gravuras sem saber sequer quais são elas?
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