O CORPO GOVERNANTE:
SUPERVISÃO OU CONIVÊNCIA?
As Testemunhas de Jeová são ensinadas a tomar todo o cuidado para não causar tropeço espiritual a outras pessoas. Mas será que sua liderança aplica a si mesma esse princípio?
Durante décadas, ilustrações nas quais alguns leitores identificaram rostos, símbolos e outras configurações visuais questionadas continuaram circulando em livros e revistas da organização, apesar das denúncias e dos relatos de pessoas cuja consciência foi afetada.
► Se o Corpo Governante supervisiona o processo de ilustração, conforme declara a própria organização, que responsabilidade lhe cabe pelas republicações e pelas providências adotadas diante dessas reclamações?
Este estudo confronta as declarações oficiais com os registros documentais reunidos pelo INDICETJ.
No estudo A Questão Principal, o INDICETJ documenta republicações dessas ilustrações, examina manifestações oficiais da organização e apresenta denúncias realizadas em diferentes países, incluindo relatos de pessoas cuja consciência foi efetivamente afetada.
Entretanto, a responsabilidade pelo conteúdo dessas publicações não pode ser atribuída exclusivamente aos ilustradores. Quem supervisionava o processo de preparação, revisão e aprovação das gravuras? Quem tinha responsabilidade pelas decisões editoriais posteriores? E, principalmente, que providências foram tomadas diante das denúncias?
Para responder a essas perguntas, examinaremos os registros de republicação à luz das declarações da própria organização sobre a supervisão editorial e dos princípios bíblicos que ela exige de seus membros.
A questão central é a responsabilidade daqueles que supervisionavam a publicação dessas imagens e sua circulação posterior, especialmente depois de surgirem reclamações.
A RESPONSABILIDADE PELAS REPUBLICAÇÕES
A supervisão editorial não se encerra necessariamente na preparação de uma publicação. Também é necessário examinar as decisões relacionadas à continuidade da circulação das imagens questionadas.
Diante dos registros apresentados, cabe investigar como essa liderança exerceu sua supervisão editorial e quais providências adotou diante das reclamações.
Afinal, a participação de diferentes pessoas ou departamentos na produção dessas publicações não elimina a necessidade de explicar por que as imagens questionadas continuaram circulando durante tantos anos.
A própria organização reconhece essa responsabilidade editorial. Na revista A Sentinela de 15 de abril de 2013, página 30, parágrafo 12, declarou que a Comissão de Redação do Corpo Governante supervisiona “o processo de pesquisa, redação, revisão, ilustração e tradução” de suas publicações.
Portanto, a supervisão das ilustrações não é uma responsabilidade atribuída ao Corpo Governante apenas pelo INDICETJ: trata-se de uma função expressamente reconhecida pela própria organização.
Isso não significa que cada integrante tenha examinado pessoalmente todas as gravuras ou denúncias, mas estabelece uma base documental para questionar a responsabilidade institucional pela supervisão editorial e pelas providências adotadas diante das reclamações.
► SAIBA MAIS: O INDICETJ apresenta outras provas documentais sobre o exame, a revisão e a supervisão das ilustrações, incluindo declarações da própria organização e vídeos que mostram procedimentos adotados na preparação das imagens. Consulte o estudo Gravuras Esquadrinhadas — Produção, Exame e Responsabilidade.
A MESMA EXIGÊNCIA VALE PARA O CORPO GOVERNANTE?
A responsabilidade da liderança torna-se ainda mais evidente quando confrontamos sua conduta editorial com os princípios que a própria organização exige de seus membros.
A própria organização atribui às Testemunhas de Jeová uma responsabilidade especial. Em Nosso Ministério do Reino, outubro de 1974, página 8, parágrafo 1, declarou:
“Como representantes de Jeová, suas testemunhas cristãs muitas vezes se destacam em público.”
No mesmo artigo, ensinou que esses representantes deveriam demonstrar cuidado com sua aparência, vestimenta, fala e conduta.
Observe a exigência estabelecida pela própria organização!
Se a organização exige tamanho cuidado de seus membros até mesmo com a impressão que sua aparência pode causar a outras pessoas, não deveria a liderança responsável pelas publicações demonstrar cuidado ainda maior com as ilustrações que prepara, revisa e distribui a milhões de leitores?
E, sobretudo, diante de denúncias realizadas em diferentes países e de relatos de pessoas cuja consciência foi efetivamente afetada, não deveria essa liderança ser a primeira a aplicar os princípios que exige dos demais?
A responsabilidade não pode ser cobrada apenas daqueles que recebem e seguem as orientações da organização. Deve alcançar também aqueles que as estabelecem e supervisionam sua aplicação.
Na revista A Sentinela de 15 de fevereiro de 1976, página 117, parágrafo 9, a organização elogiou a atitude de um publicador que decidiu cortar a barba para evitar que uma única pessoa tropeçasse. Note, palavra por palavra: “Não querendo ser responsável nem mesmo por uma pessoa tropeçar, ao ponto de perder o caminho para a vida eterna”. Não porque a barba fosse necessariamente errada, mas porque sua aparência havia provocado uma impressão negativa. No parágrafo seguinte, a própria revista recorreu a 2 Coríntios 6:3, 4 para reforçar a necessidade de evitar causar tropeço no ministério cristão.
Observe a exigência: o publicador deveria estar disposto a modificar até a própria aparência para não prejudicar espiritualmente nem mesmo uma pessoa!
O ponto é significativo: o exemplo não dependia de o publicador ter agido com uma intenção errada. Bastou a impressão negativa causada em outra pessoa para que a mudança de aparência fosse apresentada como uma atitude digna de elogio.
É importante esclarecer que atualmente a organização permite que as Testemunhas de Jeová usem barba, diferentemente da orientação predominante em décadas anteriores. Entretanto, essa mudança não eliminou o princípio utilizado no exemplo de 1976. Em A Sentinela (edição de estudo) de maio de 2026, páginas 26–31, o artigo “Respeite as decisões de outros” reconhece, no parágrafo 7, os ajustes recentes relacionados ao uso de barba. Já no parágrafo 14, ensina que, mesmo quando uma decisão é permitida, o cristão deve levar em consideração os sentimentos de outras pessoas, citando 1 Coríntios 8:12, 13.
Portanto, não estamos utilizando o exemplo histórico de 1976 para defender uma antiga orientação sobre aparência pessoal. O que está em discussão é um princípio que a organização continua ensinando: a liberdade de tomar determinada decisão não dispensa automaticamente a consideração pela consciência de outros. — A Sentinela, maio de 2026.
Embora o exemplo envolva a aparência pessoal, esse mesmo princípio também deve ser considerado nas decisões editoriais da organização, especialmente diante de reclamações sobre suas ilustrações.
A própria organização também orienta seus membros a eliminar objetos e publicações relacionados ao espiritismo. No livro Conhecimento Que Conduz à Vida Eterna, capítulo “Oponha-se às forças espirituais iníquas”, parágrafo 14, essa orientação abrange inclusive livros, revistas, vídeos e pôsteres.
Diante disso, cabe uma pergunta: se a organização exige tamanho cuidado de seus membros com materiais associados ao espiritismo, que critérios aplica às ilustrações de suas próprias publicações quando leitores identificam nelas configurações que consideram ocultistas?
Isso não significa que tais interpretações estejam automaticamente comprovadas. Significa que as reclamações merecem ser examinadas à luz dos mesmos princípios que a organização ensina aos demais.
O princípio de evitar causar tropeço também foi reafirmado em outras publicações da organização. Décadas depois, A Sentinela de 1.º de setembro de 2001, página 30, voltou a enfatizar o mesmo princípio:
“O desejo de não fazer outros tropeçar pode muitas vezes orientar a nossa decisão. Afinal, o amor ao próximo é o segundo maior mandamento.”
Observe a importância dessa declaração: a própria organização reconhece que evitar causar tropeço deve influenciar as decisões tomadas pelos cristãos.
Ora, se esse princípio deve orientar as decisões individuais, por que não deveria orientar também as decisões editoriais de uma liderança responsável por supervisionar publicações distribuídas a milhões de pessoas?
O princípio que a organização ensina aos seus membros não deixa de valer quando a decisão envolve suas próprias publicações.
Essa preocupação continuou presente nas publicações da organização. Em A Sentinela (edição de estudo), junho de 2021, páginas 20–24, parágrafo 7, no artigo “Não faça nenhum ‘destes pequenos’ tropeçar”, a organização ensinou que, quando alguém é magoado ou ofendido, não se deve simplesmente ignorar o ocorrido ou atribuir tudo à sensibilidade excessiva da pessoa. É necessário procurar resolver a situação.
A publicação também reconhece que a pessoa que costuma se ofender por qualquer motivo precisa trabalhar essa característica. Portanto, o princípio envolve responsabilidades de ambos os lados, mas não autoriza desconsiderar automaticamente uma reclamação.
Se esse cuidado é exigido nas relações entre os membros da congregação, não deveria também orientar a maneira como a organização trata as reclamações sobre suas publicações, especialmente quando há relatos de pessoas cuja consciência foi afetada?
Pois bem, em A Sentinela de 1.º de março de 1987, página 15, parágrafo 18, a própria organização declarou que cada artigo e cada página das revistas A Sentinela e Despertai!, inclusive as gravuras, eram esquadrinhados por membros escolhidos do Corpo Governante antes da impressão. Posteriormente, em A Sentinela de 15 de abril de 2013, página 30, parágrafo 12, confirmou expressamente que a Comissão de Redação do Corpo Governante supervisionava o processo de pesquisa, redação, revisão, ilustração e tradução de suas publicações impressas.
Portanto, não estamos falando de uma organização que desconhecia o princípio bíblico de evitar causar tropeço, nem de publicações apresentadas como independentes de sua supervisão. Estamos falando de uma liderança que reconhece sua responsabilidade editorial e que, ao mesmo tempo, ensina seus membros a fazer ajustes até para evitar que uma única pessoa seja prejudicada.
Se esse cuidado é exigido de um simples publicador, por que não deveria ser exigido, com responsabilidade ainda maior, daqueles que supervisionam ilustrações distribuídas a milhões de pessoas?
As denúncias realizadas em diferentes países e os relatos de pessoas cuja consciência foi efetivamente afetada tornam essa pergunta ainda mais séria. E as republicações documentadas pelo INDICETJ demonstram que determinadas ilustrações questionadas continuaram circulando durante muitos anos.
A questão já não pode ser encerrada com a simples alegação de que alguma configuração surgiu acidentalmente. É necessário examinar como as denúncias foram tratadas e quais providências foram adotadas diante da continuidade dessas publicações.
A organização que elogia um publicador por modificar a própria aparência para evitar o tropeço de uma pessoa não deveria demonstrar preocupação pelo menos equivalente com as ilustrações que ela própria produz, revisa, aprova e distribui?
Não deveriam suas ações estar em harmonia com os princípios que ensina aos outros? — Romanos 2:21, 22.
MAS COMO ESSAS CONFIGURAÇÕES
PASSARAM PELO EXAME EDITORIAL?
Ora, se as ilustrações recebiam esse cuidadoso exame, como explicar a presença de determinadas configurações que posteriormente provocaram questionamentos? Será que todas passaram despercebidas? Foram percebidas, mas consideradas normais? Quais critérios orientavam essa avaliação?
Observe alguns exemplos documentados pelo INDICETJ:
Ora, alguém irá me dizer...
... que “membros escolhidos do Corpo Governante”, encarregados de “esquadrinhar” as ilustrações,
... que sabem — há décadas — da existência do antigo “boato” sobre figuras inadequadas nas publicações,
... que sabem que novas ocorrências poderiam reforçar ainda mais esse “boato”,
... que sabem que há relatos de pessoas cuja consciência foi afetada por essas figuras...
... não foram capazes de perceber, ao “esquadrinhar” as imagens acima, algo que merecesse ao menos uma segunda avaliação — nem mesmo com uma lente de aumento? Para mim, é demais! É subestimar demais a inteligência do leitor!
Esses exemplos, apresentados em seus respectivos estudos, permitem ao leitor examinar as configurações diretamente nas publicações originais. Não é necessário concordar com todas as interpretações propostas pelo INDICETJ para reconhecer a legitimidade de questionar o processo de avaliação editorial dessas imagens.
Um exemplo permite estabelecer uma cronologia especialmente relevante. A configuração questionada na Figura 012 — O Mistério do Rosto na Palma da Mão, publicada originalmente no livro Revelação — Seu Grandioso Clímax Está Próximo!, de 1988, página 159, já era discutida publicamente em julho/agosto de 1997. Naquela ocasião, o Free Minds Journal (volume 16, número 4, página 7) publicou uma resenha do livro de Darek Barefoot, reproduzindo a imagem e identificando a configuração percebida na palma da mão. — Consulte o documento de 1997.
O levantamento do INDICETJ registra a mesma ilustração na reimpressão de 2006 do livro Revelação, página 159. Portanto, existe documentação pública de questionamentos sobre essa configuração anterior à reimpressão de 2006. Isso não comprova, isoladamente, que os integrantes do Corpo Governante tenham lido aquela resenha ou examinado especificamente a figura. Entretanto, estabelece uma sequência cronológica concreta que merece ser considerada ao investigar a continuidade editorial das imagens questionadas. O conhecimento das denúncias pela organização e as providências adotadas diante delas constituem questões que precisam ser examinadas à luz dos respectivos registros documentais.
Não afirmo que todos os revisores tenham reconhecido as configurações apontadas pelos críticos. A questão é: como funcionava o exame das gravuras quando surgiam elementos questionáveis? E que providências a organização tomava ao receber reclamações?
O exame das gravuras não pode ser apresentado como demonstração de rigor editorial e, ao mesmo tempo, tornar-se irrelevante quando se questiona a responsabilidade institucional pelas imagens publicadas.
A existência de ilustradores e departamentos encarregados da produção não elimina a responsabilidade de quem, segundo as próprias declarações da organização, participava da revisão e supervisão das publicações.
Se você é Testemunha de Jeová, por favor, responda-me: diante das denúncias realizadas em diferentes países, inclusive por pessoas cuja consciência foi efetivamente afetada, que providências concretas a organização tomou para examinar as ilustrações questionadas e esclarecer essas reclamações? A continuidade das republicações resultou de descuido, da falta de reconhecimento das configurações denunciadas, da avaliação de que elas não apresentavam problemas ou de decisões conscientes de manter as imagens? Seja qual for a explicação, ela precisa ser confrontada com os registros documentais, com o histórico das denúncias e, principalmente, com a responsabilidade bíblica de não colocar diante de outros uma pedra de tropeço.
Este é o coração de todo o assunto!
É precisamente essa combinação — a continuidade documentada das republicações e a ausência, no levantamento do INDICETJ, de esclarecimentos públicos individualizados sobre as configurações denunciadas — que me leva a expressar, de maneira deliberadamente contundente, a impressão que a resposta institucional me transmite:
“Pouco me importam os de consciência fraca!”
Naturalmente, não estou afirmando que o Corpo Governante tenha pronunciado essas palavras. Trata-se de uma expressão da minha avaliação crítica de sua conduta diante das reclamações, baseada nas ações documentadas, e não de uma alegação de que eu conheça os pensamentos ou as intenções pessoais de seus integrantes.
O QUE REVELA O CONJUNTO PROBATÓRIO?
Diante das evidências reunidas pelo INDICETJ, considero que a discussão não pode ficar restrita à hipótese de ilustradores terem inserido determinadas configurações de maneira deliberada.
A própria organização reconhece que suas ilustrações são submetidas à supervisão editorial. Há registros de denúncias realizadas em diferentes países, relatos de pessoas cuja consciência foi efetivamente afetada e documentação de que numerosas ilustrações questionadas continuaram circulando em publicações posteriores.
Esses elementos precisam ser examinados em conjunto. Não basta invocar a possibilidade de acidentes, falhas de impressão ou interpretações equivocadas para encerrar uma discussão que também envolve a responsabilidade institucional pelo exame das reclamações e pela continuidade das publicações.
O que considero particularmente grave é a permanência dessa controvérsia sem que o levantamento do INDICETJ tenha localizado esclarecimentos públicos individualizados sobre as configurações denunciadas.
O CONHECIMENTO DAS DENÚNCIAS
AUMENTA A RESPONSABILIDADE!
Jesus declarou, em João 15:22, que aqueles a quem havia dirigido suas palavras já não tinham desculpa para o pecado. Embora estivesse tratando de outra situação, suas palavras destacam um princípio importante: o conhecimento recebido precisa ser considerado ao avaliar a responsabilidade de alguém.
O discípulo Tiago foi igualmente categórico: “se alguém sabe fazer o que é certo e ainda assim não o faz, está pecando.” — Tiago 4:17.
Ora, a organização já ensinava seus membros a evitar causar tropeço a outros. Também reconhecia a existência de acusações envolvendo figuras em suas publicações, conforme demonstram suas próprias manifestações desde a década de 1980.
Há registros de iniciativas anteriores dirigidas à própria liderança. Segundo a pesquisa de Stefano Bigliardi (Wuhan Journal of Cultic Studies, volume 1, número 2, 2021, página 161), Darek Barefoot relatou ter enviado seu levantamento aos integrantes do Corpo Governante em dezembro de 1989. O pesquisador também identifica uma carta dirigida àquela liderança, datada de janeiro de 1990, na qual Barefoot apresentava suas preocupações e propunha providências. Esses registros, embora não comprovem por si sós o efetivo recebimento da documentação pelos destinatários nem seu exame pela liderança, oferecem referências cronológicas importantes para confrontar as reclamações com as republicações posteriores.
Há ainda outro aspecto importante: a organização dispõe de sua própria estrutura de pesquisa e comunicação. No artigo “Notícias confiáveis que fortalecem a fé”, publicado em 1.º de dezembro de 2021, a própria jw.org informa que o Escritório de Informações ao Público, localizado na sede mundial e supervisionado pela Comissão dos Coordenadores do Corpo Governante, conta com mais de cem colaboradores, incluindo pesquisadores, além do apoio de departamentos em mais de 80 filiais.
Essa declaração demonstra que a organização possui recursos próprios para pesquisar assuntos e reunir informações. Portanto, tomar conhecimento de questionamentos publicados sobre ela não depende necessariamente de alguém enviar cada denúncia pessoalmente à liderança.
É importante esclarecer que a publicação de 2021 não comprova que essa estrutura funcionava da mesma maneira nas décadas anteriores, nem que determinadas denúncias tenham sido efetivamente examinadas. Mas sua existência torna pertinente perguntar como a organização acompanhava as informações divulgadas a seu respeito e quais reclamações chegaram aos responsáveis.
Assim, a questão não se limita a saber se cada dirigente identificou pessoalmente as configurações questionadas. É necessário esclarecer quais denúncias chegaram ao conhecimento da organização, como foram examinadas e que providências foram adotadas.
Diante das denúncias realizadas em diferentes países, dos relatos de pessoas cuja consciência foi afetada e das republicações historicamente documentadas, a responsabilidade institucional não pode ser afastada simplesmente pela alegação de que determinadas configurações poderiam ter surgido acidentalmente.
Há ainda outra questão: pode uma liderança exigir dos seus membros um cuidado que não esteja disposta a demonstrar nas próprias decisões editoriais?
Jesus censurou líderes religiosos que ensinavam determinados princípios, mas não os praticavam. — Mateus 23:3.
Não é justamente essa coerência entre ensinamentos e ações que também deve ser exigida daqueles que supervisionam a preparação, a revisão e a distribuição de publicações religiosas?
O problema não termina na possível falha de um ilustrador. Ele alcança a responsabilidade de uma liderança que supervisiona as publicações e precisa esclarecer como foram tratadas as denúncias que chegaram ao conhecimento da organização.
Diante desse conjunto, minha avaliação sobre a conduta institucional pode ser resumida numa única palavra:
CONIVÊNCIA
Não utilizo essa palavra para afirmar que cada integrante do Corpo Governante tenha identificado pessoalmente todas as configurações denunciadas ou autorizado deliberadamente a inserção de símbolos ocultistas.
Refiro-me àquilo que considero uma tolerância institucional diante de uma controvérsia conhecida: a continuidade da circulação de imagens questionadas, apesar de denúncias e de relatos de pessoas efetivamente afetadas, sem esclarecimentos públicos específicos identificados no levantamento.
Se a organização dispõe de uma estrutura de supervisão das ilustrações, conhece a controvérsia e ensina seus membros a evitar causar tropeço até mesmo a uma única pessoa, não deveria demonstrar, com suas próprias ações, o mesmo cuidado com aqueles que questionam suas publicações?
É essa responsabilidade que considero indispensável examinar. Afinal, a existência de um processo de revisão editorial não pode servir apenas para demonstrar o cuidado da organização com suas publicações; também deve permitir questionar como as reclamações foram tratadas e quais providências foram adotadas posteriormente.
A RESPONSABILIDADE NÃO TERMINA
NA SUPERVISÃO EDITORIAL!
A documentação examinada pelo INDICETJ levanta sérias questões sobre a conduta da liderança. Ela reconhece sua responsabilidade pela supervisão das publicações e conhece a existência de denúncias sobre suas ilustrações. Mesmo assim, até onde mostra o levantamento, não foram identificados esclarecimentos públicos específicos sobre as configurações denunciadas.
A questão ultrapassa a possível intenção dos ilustradores. Alcança a responsabilidade daqueles que supervisionam a produção, a revisão e a continuidade da circulação dessas imagens.
E essa responsabilidade torna-se ainda mais grave quando consideramos as consequências relatadas por pessoas cuja consciência foi efetivamente ferida. Não estamos discutindo apenas desenhos, impressões visuais ou divergências de interpretação. Estamos falando também de pessoas que relatam sofrimento espiritual, perda de confiança e afastamento da organização.
Afinal, se o Corpo Governante exige de seus membros extremo cuidado para não causar tropeço nem mesmo a uma única pessoa, que responsabilidade lhe cabe diante daqueles que afirmam ter sofrido justamente esse tropeço em decorrência de publicações submetidas à sua supervisão?
Mais do que isso: qual é a gravidade desse tropeço segundo os próprios ensinamentos das Testemunhas de Jeová?
Essa questão é aprofundada no artigo QUEM RESPONDE PELAS MORTES ESPIRITUAIS?, que examina uma declaração especialmente grave da própria organização: a comparação entre provocar o tropeço espiritual de um cristão e cometer homicídio.
O estudo também analisa o que a organização ensina sobre a obrigação de corrigir ofensas, mesmo involuntárias, quando se tornam conhecidas.
Se a organização estabelece princípios tão severos para seus membros, não devem esses mesmos princípios ser aplicados à conduta de sua própria liderança?
Envie sua opinião, dúvida ou comentário:
indicetj@yahoo.com.br



