IMAGINAÇÃO OU DELIBERAÇÃO?
O INDICETJ não afirma que todas as figuras encontradas nas publicações das Testemunhas de Jeová foram inseridas de propósito. Algumas podem resultar de coincidências, falhas de impressão ou erros de interpretação.
Mas isso também não prova o contrário. Assim como achar uma figura suspeita não prova que ela foi colocada de propósito, dizer que é "só imaginação" ou "acidente" também não prova que seja.
A proposta do INDICETJ é analisar cada caso individualmente, com base nos elementos que podem ser verificados, sem aceitar suspeitas como provas nem explicações sem fundamento como respostas definitivas.
Este artigo não pede que a organização prove um negativo, nem acusa desenhistas específicos. Pede apenas que as ilustrações denunciadas sejam apresentadas em boa resolução, para que cada leitor possa verificar por si mesmo o que está sendo negado. Negar sem mostrar a imagem objeto da negação não permite exame. Mostrar a imagem permite.
1. PAREIDOLIA — O QUE É?
Às vezes, enxergamos rostos ou formas conhecidas em nuvens, árvores, pedras, fumaça ou manchas. Esse fenômeno é chamado de pareidolia. Ele acontece quando o nosso cérebro reconhece padrões familiares em imagens que não foram necessariamente criadas para representá-los.
- Cabeça de Apache — Ebihens, França. Formação rochosa natural que, vista de determinado ângulo, lembra nitidamente o perfil de um rosto humano olhando para a esquerda. A vegetação no alto da rocha reforça a impressão de cabelo.
- Elephant Rock — Heimaey, Islândia. Formação rochosa vulcânica na ilha de Heimaey, no arquipélago de Vestmannaeyjar. O contorno do penhasco lembra a cabeça de um elefante, com a “tromba” descendo em direção ao mar.
- Cachoeira da Noiva — Cajamarca, Peru. Queda-d’água de cerca de 17 metros cuja água, ao descer pelos sulcos da rocha escura, produz a impressão de uma mulher usando vestido e véu de noiva. A semelhança surge inteiramente da combinação natural entre água, rocha e ângulo de visão.
- Galinha de Pedra — Quixadá, Ceará, Brasil. Conhecida formação rochosa de Quixadá que, vista de determinado ângulo, lembra a silhueta de uma galinha.
2. PAREIDOLIA EXPLICA TUDO?
Nas publicações oficiais examinadas, o Corpo Governante não apresentou a pareidolia como explicação geral para as figuras denunciadas. Portanto, essa interpretação não pode ser atribuída à organização como sua explicação oficial.
A pareidolia pode explicar algumas imagens, mas isso não significa que explique todas. Além disso, o acervo do INDICETJ não se limita a supostas imagens ocultas. Também apresenta casos envolvendo letras, gestos, posições corporais, contornos e mudanças entre edições.
Essas situações não devem receber automaticamente a mesma explicação. Chamar uma figura de pareidolia não basta para encerrar a discussão. É necessário apresentar elementos que sustentem essa explicação no caso concreto. Isso está de acordo com o princípio bíblico:
1 TESSALONICENSES 5:21
“Certifiquem-se de todas as coisas; apeguem-se ao que é excelente.”
— Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada — revisão de 2015
3. TRAZER À LUZ PARA PERMITIR O EXAME OU REJEITAR AS DENÚNCIAS SEM MOSTRAR AS PROVAS?
Quando há dúvida sobre o que uma imagem mostra, novas evidências esclarecem mais do que simplesmente chamar tudo de boato.
O caso da chamada "Face de Marte" mostra isso. Em 1976, uma foto da região de Cydonia, feita pela sonda Viking 1, da NASA mostrou uma formação que parecia um rosto humano. Em 1998 e 2001, a NASA divulgou fotos de maior resolução. Em 2006, a Agência Espacial Europeia (ESA), com a sonda Mars Express, também publicou imagens detalhadas do mesmo local. A comparação de ângulos, resoluções e iluminação confirmou que se tratava de uma formação geológica natural, não de um rosto esculpido.
1976 — NASA, Viking 1.
2006 — Agência Espacial Europeia (ESA), Mars Express.
Em Marte, a pergunta era uma só: é rosto ou é rocha? Fotos melhores responderam: é rocha. No caso das ilustrações, são duas perguntas:
1) A figura realmente existe ou é imaginação?
2) Se existe, foi de propósito ou acidente?
Mostrar a ilustração original em boa resolução resolve a primeira pergunta. Permite que cada leitor verifique por si mesmo se há algo ali ou não. Não resolve, por si só, a segunda pergunta. Para saber se foi de propósito, seria preciso um segundo passo: comparação com outras edições, repetição de padrão ou outra evidência.
O ponto importante não é apenas que uma interpretação estava equivocada, mas que novas imagens foram apresentadas para que ela pudesse ser examinada e esclarecida.
No caso das publicações das Testemunhas de Jeová, a resposta foi diferente.
Na revista Despertai! de 8 de fevereiro de 1989, páginas 15 a 18, a organização classificou como falso o relato de que um ilustrador introduzia secretamente figuras demoníacas nas publicações e, posteriormente, teria sido descoberto e desassociado. Também questionou a ideia de que ilustradores dedicados ocultariam rostos nas gravuras.
Entretanto, a revista não apresentou uma análise visual individualizada das ilustrações questionadas, que permitisse aos leitores conferir diretamente os elementos denunciados.
Existe uma diferença fundamental entre desmentir uma história sobre um ilustrador e demonstrar que as figuras questionadas não apresentam os elementos apontados. Uma conclusão não substitui a outra.
A comparação com a investigação da “Face de Marte” não significa que uma organização religiosa deva realizar uma investigação científica como a NASA. O princípio é mais simples: quando uma imagem é questionada, sua apresentação e análise permitem verificar uma explicação de maneira mais direta do que uma afirmação genérica.
Essa importância de trazer os fatos à luz pode ser relacionada às palavras de Jesus:
JOÃO 3:20, 21
20 Pois quem pratica coisas ruins odeia a luz e não se chega à luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas quem faz o que é verdadeiro se chega à luz, para que se veja claramente que as suas obras são feitas em harmonia com a vontade de Deus.”
21 Mas quem faz o que é verdadeiro se chega à luz, para que se veja claramente que as suas obras são feitas em harmonia com a vontade de Deus.”
— Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada — revisão de 2015
A revista Despertai! de 1989 não apresentou as ilustrações que foram objeto das denúncias, para que o leitor pudesse vê-las claramente e tirar sua própria conclusão, conforme o princípio de João 3:21, de que trazer à luz permite o exame. Em nenhum momento ela diz: "Esta é a figura que foi criticada. Veja você mesmo."
A importância de trazer os fatos à luz torna ainda mais necessária uma explicação acompanhada das próprias imagens. Sem essa demonstração visual, o leitor não dispõe, naquela resposta, dos elementos necessários para conferir diretamente as conclusões apresentadas.
Observação: a organização também possui orientações internas para o descarte de determinadas publicações antigas dos estoques das congregações. Veja, no menu, o artigo “ANTES DE DIZER ‘NÃO VI NADA’”, que apresenta documentos e orientações sobre o assunto.
4. NUVENS SÃO DESENHADAS AO ACASO. ILUSTRAÇÕES TAMBÉM?
Formas nas nuvens: feitas ao acaso ou por um desenhista?
As forças da natureza, como as nuvens, podem criar formas por acaso. Uma nuvem não precisa de desenhista, de modelo, de revisão nem de aprovação antes de aparecer no céu.
Já as ilustrações das revistas das Testemunhas de Jeová não surgem por geração espontânea. São produzidas por desenhistas e passam por um processo editorial. A própria revista A Sentinela de 1º de março de 1987, página 15, afirma que até as gravuras eram “esquadrinhadas” por membros escolhidos do Corpo Governante antes da impressão.
Essa diferença é importante. Exemplos de nuvens, árvores, pedras ou galáxias demonstram que formas reconhecíveis podem surgir sem intenção humana. Entretanto, não demonstram que todas as figuras questionadas em ilustrações tenham surgido da mesma maneira.
Além disso, não há boatos caluniosos sobre nuvens. Ninguém se revoltou contra Jeová por notar uma figura estranha em um tronco de árvore. Ninguém se tornou ateu por ver formações inadequadas nas pedras. Não se formou nenhuma comissão de anciãos para investigar rostos vistos em rosquinhas queimadas ou nos azulejos do banheiro. Tampouco existem anjos, querubins ou serafins especialmente designados para “esquadrinhar” as formas naturais e impedir que alguém enxergue figuras estranhas nelas.
Mas uma ilustração religiosa não é uma nuvem. Ela é produzida por pessoas, passa por um processo de revisão e é publicada sob responsabilidade editorial.
É verdade que até uma ilustração planejada pode apresentar formas acidentais. Entretanto, a possibilidade de coincidências não serve como explicação automática para todas as figuras denunciadas. Algumas das configurações questionadas apresentam contornos definidos e detalhes específicos. Outras envolvem letras, gestos, posições e diferenças entre edições. Cada uma dessas situações merece ser examinada, em vez de simplesmente receber a mesma explicação.
Portanto, temos duas situações diferentes:
- De um lado, formas naturais que surgem sem qualquer intenção humana.
- Do outro, imagens criadas por pessoas, revisadas e aprovadas antes da publicação.
Isso não prova que toda figura suspeita tenha sido colocada de propósito. Mas também não prova que tudo seja coincidência.
A declaração de que as gravuras eram “esquadrinhadas” torna legítima a cobrança de esclarecimentos sobre as figuras denunciadas, considerando as imagens originais, o contexto de publicação e, quando pertinente, suas diferentes edições e republicações.
Uma coisa é admitir que determinadas formas possam surgir por acaso. Outra é utilizar essa possibilidade para dispensar o exame de ilustrações submetidas a um processo editorial de criação, revisão e aprovação.
5. SE ALGUÉM DISSER: “MAS TAMBÉM PODEMOS VER FIGURAS ESTRANHAS EM OUTRAS RELIGIÕES!”
Mostrar figuras semelhantes em livros, revistas, filmes ou publicações de outras religiões não resolve as denúncias envolvendo as publicações das Testemunhas de Jeová.
Segundo a própria organização, as demais religiões fazem parte do mundo sobre o qual a Bíblia declara: “O mundo inteiro está no poder do Maligno.” — 1 João 5:19. Além disso, ela se apresenta como o “instrumento que Deus usa” para fornecer orientação espiritual, e afirma que seus seguidores devem confiar nesse instrumento. — A Sentinela de 15 de agosto de 1981, página 19.
Se a organização reivindica uma posição religiosa diferenciada, não pode utilizar a existência de imagens semelhantes em outras religiões como justificativa suficiente para descartar as denúncias contra as suas próprias publicações.
A pareidolia pode ocorrer em qualquer imagem, independentemente de sua origem religiosa. Entretanto, demonstrar que determinada figura é fruto da pareidolia exige examinar a própria figura, não apenas apresentar exemplos encontrados em outras fontes.
O fato de uma imagem semelhante aparecer em outra religião não comprova nem refuta a denúncia original. Comparações podem ajudar a compreender o fenômeno, mas não substituem a análise das evidências de cada caso.
6. POR QUE PEDIR PARA MOSTRAR NÃO É TEORIA DA CONSPIRAÇÃO
Alguns dizem que uma instituição séria não deveria parar para responder a cada interpretação maliciosa de desenhos, para não abrir uma caixa de Pandora infinita.
1. Mas a organização já respondeu. Na revista Despertai! de 8 de fevereiro de 1989, ela afirmou que era boato. Quando se responde genericamente, sem mostrar qual figura está sendo chamada de boato, não se contém a dúvida; alimenta-se. Pedir que se mostre a figura denunciada não é pedir que se publique um catálogo de teorias da internet. É pedir que se mostre a própria publicação.
2. Não é erro de categoria. Não estamos comparando uma rocha em Marte com um desenho. Estamos comparando um método de resolver uma dúvida visual: mais imagem, não menos imagem. E é justamente porque um desenho pode ser interpretado subjetivamente que é preciso mostrá-lo. Se a denúncia fosse apenas uma “dobra de túnica”, a subjetividade poderia explicá-la. Quando envolve letras legíveis, gestos definidos e mudanças entre edições, a subjetividade, por si só, não explica tudo.
3. Se o revisor não examina os detalhes, não pode garantir que seja apenas imaginação. Se “esquadrinhar” significar apenas verificar se a imagem combina com o texto bíblico, então a organização está admitindo que não verificava se havia formas acidentais ofensivas antes de imprimir. Nesse caso, não pode afirmar com segurança que tudo é boato. Se, ao contrário, “esquadrinhar” significar examinar minuciosamente, como a palavra sugere em português, então é legítimo cobrar que formas com contornos definidos tenham sido vistas.
4. O foco espiritual não dispensa transparência. Se o assunto fosse estéril a ponto de não merecer resposta, não teria ocupado uma página inteira de Despertai! em 1989. O foco espiritual e a transparência não são incompatíveis. Segundo João 3:20, 21, quem faz o que é verdadeiro se chega à luz, para que as suas obras sejam vistas claramente.
Envie sua opinião, dúvida ou comentário:
indicetj@yahoo.com.br